A stripper Sandra se envolve com Toninho, um assassino que mata somente motoristas de táxi. O delegado Galvão, pai de Sandra, tem a missão de capturar o assassino e se reaproximar da filha. Este é o pano de fundo do filme brasileiro Amor Bandido, de 1978. Passados 30 anos da película, os desencontros entre amor e criminalidade só ganharam novos contornos.
Simony, cantora mirim dos anos 1980, teve paixão instantânea pelo rapper Afro-X, condenado por assalto a banco. Ela o visitava na detenção toda semana, tiveram dois filhos e selaram o amor atrás das grades com casamento que durou três anos. O motoboy Francisco de Assis Pereira, conhecido nas manchetes policiais como Maníaco do Parque, recebia na penitenciária várias cartas de mulheres apaixonadas. Ele se casou com uma das correspondentes em 2002.
Esses e outros tantos casos são considerados diagnósticos de paixão patológica. A bancária Denise*, 51 anos, do Grupo Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas) explica que o amor bandido não é apenas quando o parceiro tem pé na criminalidade, mas todo tipo de relação em que existe intenção de prejudicar.
O tratamento do Mada é norteado pelos tópicos do livro Mulheres que Correm com Lobos, da psiquiatra Clarissa Estés. Elas procuram a cura dividindo suas histórias em reuniões que lembram as do AA. A publicitária Glaucia*, 23 anos, participa do grupo. O namorado usava a relação para dizer que estava tentando se recuperar e, assim, atenuar o processo que sofria contra tráfico de drogas. “Eu o conheci quando ele queria se livrar da dependência química. Agora quem está em recuperação sou eu, quero me livrar desse amor que só me faz sofrer.”
Para quem não reconhece o amor bandido como drama, resta fazer piada da situação. O blog Homem é Tudo Palhaço (tudopalhaço.blogspot.com) funciona como divã virtual. É lá que a advogada Paula*, 41 anos, dividiu as impressões do namoro relâmpago com rapaz que conheceu pela internet. Eles trocaram mensagens por três meses e decidiram morar juntos. Como ele não conseguia emprego na nova cidade, convenceu-a a pedir um empréstimo de R$ 2.000. “O namoro durou 28 dias, mas o empréstimo eu pago há quase um ano”, conta rindo da sorte.
* os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas