O primeiro capítulo da novela global Viver a Vida acompanhou a perseguição policial a Sandrinha (Aparecida Petrowky) e Benê (Marcelo Mello). A cena foi só uma pequena parcela de todos os traumas que esse amor bandido vai trazer à irmã da protagonista Helena (Taís Araújo). Sandrinha teve um filho com o namorado criminoso, que só não pediu o aborto da criança por acreditar que a gravidez serviria de atenuante para que ele aguardasse por julgamento em liberdade. O relacionamento conturbado foi seguido por ameaças à família da namorada: chegou até a fazê-la de refém com uma faca no pesçoco para fugir da polícia.
Para a infelicidade de muitas, as histórias se repetem constantemente na vida real. O autor Manoel Carlos conta que o drama de Sandrinha se assemelha ao de muitas meninas de classe média, que acabam se envolvendo com pessoas erradas. “Ela teve a mesma educação de Helena, as mesmas oportunidades, a mesma criação, mas escolheu caminhos completamente opostos. Essa é uma realidade presente em muitas famílias brasileiras atualmente.”
Mas o que leva uma mulher a viver esse tipo de relação? Para o psicólogo especialista em relacionamentos amorosos, Thiago de Almeida, a procura pelo príncipe encantado ainda norteia a busca pelo companheiro em pleno século 21.
A idealização do homem perfeito pode ser um companheiro manipulador, um criminoso ou até o marido da melhor amiga. “As pessoas não procuram relacionamentos destrutivos, mas a paixão é capaz de minimizar temporariamente a capacidade crítica do raciocínio.” A permanência em um relacionamento destrutivo pode ser diagnóstico de paixão patológica. Mulheres com perfil de baixa autoestima, dependência emocional do parceiro, ansiedade e depressão são as mais vulneráveis a relacionamentos perigosos. Pacientes dessa síndrome não dão ouvidos a amigos, familiares e qualquer outra pessoa que tente alertá-la sobre o caráter do parceiro.
A personagem Sandrinha acredita no amor e na possibilidade de que Benê se torne uma pessoa boa, assim como acontece do lado de cá da telinha. Manoel Carlos faz segredo sobre os desdobramentos da história da personagem. Ainda é cedo para dizer se ela sofrerá ainda mais ou se dará a volta por cima.
Para mulheres do mundo real, Thiago Almeida recomenda terapia e tratamento com medicamentos para controle da ansiedade. O Hospital das Clínicas, na Capital, presta atendimento gratuito a pacientes com síndrome de paixão patológica.