Terra do merengue continua envolvente, cheia de estilo e com mar do Caribe!
Quando se pensa em Caribe, a primeira imagem que vem à cabeça é sempre a de praias de um azul-piscina irretocável, gente alegre, sol o ano todo e muita sombra e água - de coco - fresca. E a República Dominicana não foge à regra. Basta aterrissar no aeroporto Internacional das Américas, em Santo Domingo, no entanto, para descobrir que na capital o belíssimo mar caribenho não passa de pano de fundo; mero coadjuvante no espetáculo estrelado pela cultura dominicana. Além da aula de história protagonizada pela cidade - a primeira a ser fundada na América, em 1496 -, a terra do merengue tem o povo como um de seus maiores tesouros.
“São pessoas bastante alegres, musicais e acolhedoras”, resume a andreense Maria Amélia Polydoro, 28 anos, diretora de grupos e eventos do Hotel Renaissance Jaragua Santo Domingo.
O guia Prudêncio Ferdinand, o Prudi, é o exemplo de um autêntico dominicano: é gentil, faz careta só de imaginar abacate misturado a açúcar, adora Juan Luís Guerra - El Rey Del Merengue - e, quando tira uma dama para bailar, exibe um rebolado que faria qualquer professor de dança de salão do Brasil sentir uma pontinha de inveja.
Também não liga para Pelé ou Ronaldinho. Característica, aliás, comum a todo dominicano. Em vez de samba e futebol, lá as preferências nacionais são merengue e beisebol. E eles levam o esporte a sério: exportam jogadores, têm nomes conceituados no Exterior, promovem importantes competições no Estádio Quisqueya e quem não é profissional faz questão de reunir os amigos nos fins de semana para bater - ou melhor, rebater - uma bolinha.
Os ricaços que visitam o país, por sua vez, encontram terreno fértil para a prática de outro esporte: o golfe. Considerada o destino favorito dos ex-presidentes americanos Bill Clinton e George W. Bush, a República Dominicana abriga mais de 30 campos, alguns de frente para o mar, projetados por grandes mitos da modalidade, a exemplo dos golfistas Pete Dye, Robert Trent Jones, Nick Faldo, Gary Player e o lendário Jack Nicklaus, conhecido como The Golden Bear (O Urso Dourado).
O turismo de luxo, por sinal, é um dos grandes atrativos da República Dominicana. Além de campos de golfe, o país ostenta um sem-número de resorts de luxo, hotéis-butique caríssimos, marinas repletas de iates milionários e restaurantes chiquérrimos de comida internacional na região de Punta Cana, espécie de Ilha da Fantasia no Caribe.
A maior parte dos 9 milhões de habitantes do país, no entanto, vive modestamente. Muitos deles vieram do Haiti, país com o qual a República Dominicana divide o território da Ilha Hispaniola. Para fugir dos conflitos e da miséria em sua terra natal, os haitianos cruzam ilegalmente a fronteira da nação vizinha - que ocupa dois terços da ilha - e movimentam a economia dominicana prestando-se a executar os serviços de menor remuneração.
E como o turismo é a fonte de receita número um - à frente, inclusive, das produções de açúcar e rum -, governo e iniciativa privada têm investido pesado no setor. Nos últimos oito meses, as autoridades aprovaram 81 projetos que somam US$ 15,3 bilhões, a maior parte proveniente de empreendedores espanhóis e norte-americanos.
"Estamos trabalhando para diminuir a violência no Leste. Vamos instalar câmeras de segurança para que o turista não se detenha apenas aos resorts. E queremos desenvolver o Sul", diz o ministro de Turismo da República Dominicana, Francisco Javier García, adiantando a execução de importantes obras em Bávaro, Samaná, Baní e Montecristi.
O resultado para tantos investimentos já começa a refletir-se no fluxo estrangeiros. No ano passado, a República Dominicana recebeu 4,34 milhões de visitantes. Só do Brasil, foram 14.609, fazendo a roda do turismo girar e os cofres dominicanos engordarem. Como diria a música de Caetano Veloso, definitivamente, o Haiti não é aqui.
A jornalista viajou a convite do Escritório de Turismo da República Dominicana no Brasil e da Copa Airlines.
SANTO DOMINGO
A maior parte dos pacotes vendidos no Brasil com destino à República Dominicana inclui seis noites em Punta Cana e uma em Santo Domingo. O que é uma pena. Apesar da beleza e da vida mansa nos luxuosos resorts da costa Leste, é na capital que o país revela o seu lado mais pulsante, rico em cultura, estabelecimentos comerciais, construções seculares e muitas, muitas histórias para contar. Afinal, estamos falando do primeiro trecho de terra avistado por Cristóvão Colombo, em 1492, naquela que deveria ser a viagem para as Índias e que acabou por revelar o continente americano ao Velho Mundo. Também foi lá que, quatro anos depois, seu irmão Bartolomeu fundou a primeira cidade das Américas, já com o nome de Santo Domingo.
Hoje, parte da história dominicana e da própria América pode ser conferida em uma caminhada pelas ruas da Cidade Colonial, tombada em 1990 como Patrimônio da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Comece o passeio pelo Alcázar de Colón, palácio erguido em 1500 pelo filho de Cristóvão, Diego, e sua mulher. O acervo ainda conta com artigos da família de Colombo e é aberto ao público de terça a domingo, das 9h às 17h.
Depois, siga a rota dos bares e restaurantes na Plaza España ou contemple as construções históricas que se sucedem a partir da Plaza La Antarazana, como o Relógio do Sol, o Panteão Nacional e o Museu de las Casas Reales, na Calle Las Damas, que documenta a história da capital com seus tapetes, mapas e artigos datados de 1492 até 1821.
Também vale conferir as edificações que garantem título de pioneira a Santo Domingo, como a primeira igreja, o primeiro Tribunal de Justiça e a primeira universidade das Américas. Em seguida, suba até o alto da Fortaleza Ozama - uma construção de pedras de 1501, na Calle Las Damas - e contemple a vista do porto de Sans Souci.
No Parque Colón, bandos de pombos ciscam sem dar bola para a grande estátua de Colombo apontando para o que seria o Novo Mundo. Tampouco se fazem de rogados ao pousar sobre os beirais em estilo isabelino da Catedral de Santa Maria de la Encarnación, a primeira igreja das Américas, erguida em 1540.
Com tantas histórias para contar, não é de se estranhar que a cidade possua número tão grande de acervos. Tem museu pré-hispânico, de história e geografia, de jóias larimar, de arte moderna, da família dominicana do século 20 e até o infantil Trampolín, indicado a crianças de 4 a 12 anos. Sem falar nas espécies exóticas do jardim botânico, do zoológico e do Aquário Nacional, onde os visitantes circulam por um túnel transparente cercado de tubarões, arraias e enguias.
Difícil é percorrer todo o roteiro histórico em um dia e ainda resistir ao apelo das compras em meios às inúmeras lojas de suvenires e vendedores de rua no Centro Histórico. Nessas horas, bate aquele arrependimento por ter passado tantos dias de papo pro ar no Leste e reservado apenas uma tarde para conhecer a capital.
PUNTA CANA
“Bienvenido a Punta Cana!”, saúda uma dançarina dominicana assim que o turista coloca os pés no aeroporto internacional da região, famosa por suas praias e resorts de luxo. A própria edificação difere de todos os outros aeroportos que já conheci: em vez de concreto, escadas-rolantes e luzes artificiais, o desembarque é feito em um imenso gazebo, com teto de palha, nativos tocando merengue e feixes de luz natural. Os detalhes não deixam dúvidas: não se trata de simplicidade, e sim de uma forma charmosa de receber os visitantes. “Descobri onde fica a Ilha da Fantasia”, pensei enquanto apresentava o passaporte e pagava a taxa de US$ 10 para entrada de estrangeiros.
Mal imaginava eu que a fantasia estava só começando. Os hotéis da costa leste dominicana apresentam uma mistura de luxúria e belezas naturais que beira a ficção. Só falta mesmo o personagem Tattoo tocar o sino ou servir um drinque à beira da piscina para completar a sensação de estrelar o famoso seriado de TV dos anos 1980, onde o misterioso Sr. Roarke realizava os sonhos dos turistas com o auxílio de um anão trajado de smoking branco.
Na trama, por US$ 50 mil, belos e ricos hóspedes podiam passar uma temporada no paraíso tropical. Na vida real, a aventura sai mais em conta: uma diária em resorts do quilate de um Paradisus ou do recém-inaugurado Moon Palace gira em torno de US$ 200 fora da alta temporada. E a realização dos desejos não deixa nada a desejar para o seriado. Para começar, a maior parte dos 30 hotéis de Punta Cana opera em sistema all-inclusive, o que significa que você poderá pedir quase tudo o que imaginar sem ter de desembolsar um níquel a mais por isso. Quer uma pina colada com batatas fritas à beira da piscina? Simples. E um prato de camarões com champanhe na areia da praia? É só pedir. Que tal, então, jogar golfe, praticar mergulho ou andar de caiaque no Mar do Caribe? Seus desejos são uma ordem, diria o gênio criador dos all-inclusive.
No Paradisus Palma Real Village, tirando o serviço de lavanderia, tudo, até aquele vinho em cima do frigobar, está incluído. A pulseirinha amarrada ao braço do hóspede funciona como uma varinha de condão ou passaporte da alegria capaz de concretizar as mais improváveis mordomias, desde comer sushi ou participar de um casamento à beira-mar até assistir a um show de Michael Jackson – cover, é claro – após o jantar.
A performance do falso Jacko, alternada com clipes de Thriller e Billie Jean, aliás, já era o must da noite no Paradisus muito antes de o mito do pop bater as botas. E a noitada não acaba ao fim do espetáculo. Do lado de fora, go-go dancers cospem fogo ao som de música eletrônica para distrair os hóspedes ainda indecisos entre encerrar a madrugada no cassino ou na boate do resort.
Vez ou outra o empreendimento ainda promove festas-surpresa com direito a estátuas vivas, mais pirotecnia, música ao vivo e muita, muita fartura à mesa. Assim, como quem não quer nada, só para tirar o “tédio”.
MOON PALACE
Na Praia de Macao, o suntuoso Moon Palace parece disputar com os concorrentes para ver quem oferece mais regalias. O resort ainda está operando em soft-opening – a inauguração oficial está prevista para novembro -, mas já impressiona pela variedade de serviços e extravagâncias. Todos os 1.790 quartos contam com TV de plasma, banheira de hidromassagem ao pé da cama e um banheiro descomunal, com um complexo de duchas que jorram água por todos os lados, fazendo o hóspede ter a sensação de estar em um lava-rápido humano desejando ardentemente que o banho não acabe nunca.
Não à toa, cada apartamento custou US$ 200 mil aos cofres da rede, o que dá um total de US$ 358 milhões (cerca de R$ 680 milhões) só com os quartos. Isso sem contar os 11 restaurantes, as inúmeras piscinas, o centro de convenções com auditório para 4.500 pessoas e o cassino que deve abrir suas portas no próximo dia 30 com 500 máquinas caça-níquel e 40 mesas de jogo.
Só para se ter uma idéia, a área ocupada pelo empreendimento é tão extensa que a maioria dos hóspedes recorre ao serviço de jardineiras para circular de um ponto a outro do hotel, inclusive para chegar ao lobby.
Retorno para o bilionário investimento? Só daqui a sete anos, estima o discreto e gentil proprietário, dono de uma das maiores fortunas da região do México e Caribe. Será ele a versão carne-e-osso do Sr. Roarke? E só pedir e comprovar.
CASAMENTO
Se trocar alianças é o desejo de muito casal apaixonado, fazer isso tendo o mar do Caribe como testemunha é mais do que um sonho, é um privilégio. E com duas grandes vantagens: você pode passar a lua-de-mel ali mesmo e não precisa se preocupar muito com os trâmites da cerimônia. Vários resorts em Punta Cana e outras regiões dominicanas dispõem de profissionais especializados que se encarregam de coordenar o casamento, desde os preparativos do casório até a festa à beira-mar.
Os pacotes de núpcias podem variar um pouco de hotel para hotel. Mas, no geral, a maioria deles inclui juiz, certidão de casamento, flores, música, bolo, champanhe e todos os detalhes especiais para decorar o salão, piscina ou espaço na areia onde será realizada a recepção.
Também é possível contratar um fotógrafo já acostumado com as dependências do resort. E para quem não abre mão de uma cerimônia autenticamente religiosa, alguns hotéis ainda agendam o horário em uma igreja e auxiliam os pombinhos nos trâmites católicos.
O único trabalho que os noivos têm é o de providenciar os documentos necessários à preparação da certidão de casamento e dizer o esperado “sim” à pessoa amada.
ILHA SAONA
Imagine aqueles comerciais em que a garota propaganda emerge das águas de uma ilha deserta, com mar cristalino e rodeada por palmeiras, só para arrancar suspiros do telespectador. Pois acredite: na República Dominicana, os produtores teriam de fazer uni-duni-tê para escolher entre tantos cenários paradisíacos devidamente cercados de água por todos os lados.
Na costa Sudeste, um desses refúgios atende pelo nome de Ilha Saona. Para chegar lá, é preciso contratar o passeio em alguma agência de turismo local ou tratar direto com os pilotos das lanchas, que partem da praia de Bayahibe, no Parque Nacional Del Este, para um trajeto de 40 minutos rumo à Saona. O traslado de ida e volta custa cerca de US$ 60 por pessoa, com direito a paradinha na piscina natural de Palmilla para nadar nas águas rasas e tirar fotos com as gigantescas estrelas-do-mar, sempre presentes na região.
Considerada um dos passeios mais cobiçados pelos turistas que visitam as costas Sudeste e Leste do país, a ilha - localizada a cerca de uma hora de Bávaro e Punta Cana - chega a receber 300 visitantes por dia na alta temporada. Mas não conte com grande infra-estrutura turística. Como todo paraíso que se preza, o local não dispõe de hotéis, restaurantes nem quiosques para venda de suvenires. O almoço fica à cargo da própria empresa que realiza o passeio, geralmente com a trivial combinação de arroz, feijão, carne ou peixe na brasa, salada e uma fruta de sobremesa.
A natureza agradece a simplicidade. Afinal, a região abriga 112 espécies de aves, além de tartarugas, tubarões, baleias, golfinhos e os quase extintos manatis. E os guias costumam fazer um escarcéu se alguém sugere a intenção de levar uma conchinha ou caramujo de lembrança.
Basta multiplicar aquela simples concha por 300 turistas ao dia para concluir que eles têm mesmo toda a razão. E o resultado transparece com uma breve caminhada à beira-mar. A quantidade de cascalho e algas à margem da praia é tão grande que chega a machucar os pés. Tudo bem: algum defeito a ilha tinha de ter. Mas esses detalhes não aparecem em fotos nem nos comerciais de TV. Melhor assim.
NASCIDOS PARA BAILAR
Eternizada na voz de Nara Leão, a música Nasci Para Bailar bem que poderia ser o hino do povo dominicano. Seja nos bailes dos resorts ou em casas noturnas badaladas, o hipnótico balanço dos quadris não deixa dúvidas de que o talento para a dança é nato. Principalmente se o que tocar na caixa for merengue, salsa, bachata ou alguma versão internacionalizada – que alguns consideram desvirtuada - de ritmo caribenho, como o reggaeton.
Não à toa, o país reivindica para si o título de berço do merengue e promove tantos festivais embalados pelo som contagiante dos saxofones, acordeões diatônicos, tambores, trompetes, teclados e güiras (instrumento típico feito com a casca de um fruto tropical). Os próximos são o Festival de Merengue de Santo Domingo, que será realizado na Avenida Del Puerto a partir de hoje (23) até domingo, e o Festival de Jazz Punta Cana Bávaro, a partir de 16 de agosto.
A dança nacional, em que um dos pés marca o tempo enquanto o outro se arrasta pelo chão, também já teve seus tempos de marginalização, assim como ocorre com o reggaeton de hoje. No começo do século 20, vários músicos tentavam introduzir o merengue nos salões de baile, mas encontravam resistência da alta sociedade, que considerava as letras popularescas e até vulgares.
Tudo mudou em 1930, quando Rafael Trujillo usou o ritmo em sua campanha presidencial nas rádios. Uma família influente pediu então para o compositor Luiz Alberti escrever uma letra decente. Nascia o hit Compadre Pedro Juan, que tornou-se um sucesso até entre os mais abastados, abrindo alas para o merengue em todo o Caribe.
BACHATA
Você pode nunca ter ouvido falar em bachata – música típica dominicana, semelhante ao merengue, só que mais lenta -, mas certamente já cantou um de seus maiores hits. Trata-se da canção Burbujas de Amor, composta pelo rei do merengue Juan Luis Guerra – o Roberto Carlos deles – e que fez o maior sucesso em solo brasileiro na voz de Fagner. Talvez por isso a versão em espanhol soe meio estranha: “Quisiera ser un pez, para tocar mi nariz en tu pecera, y hacer burbujas de amor por donde quiera, pasar la noche en vela, mojado en ti...”
IMAGINE
Imagine uma balada nas profundezas do inferno, com vários ambientes subterrâneos, dentro de uma enorme gruta, com morcegos sobrevoando sua cabeça e muita gente animada esquentando as pistas de dança. Imaginou? Então, agora, anote o nome da casa: Imagine, mas com pronúncia britânica, embora os dominicanos insistam em referir-se ao ‘inferninho’, situados nos arredores de Punta Cana, com sotaque espanhol.
A fachada lembra as construções históricas de Santo Domingo, com várias tochas iluminando um castelo medieval. Mas não se deixe enganar pelas aparências: os ritmos que rolam lá dentro não têm nada de tradicionais. Um dos ambientes até toca um pouco de salsa, merengue, reggaeton e bachata para não frustrar os turistas que despencaram de paraquedas na balada ávidos por aprender os passos básicos das danças caribenhas. As músicas, no entanto, ganham o plus das batidas dos DJs para virar algo novo, pulsante, que parece convidar os casais a colarem seus corpos suados e se entregarem ao balanço hipnótico dos quadris. Para quem não é bom de dança, aí vão dois grandes consolos: a casa contrata alguns dançarinos profissionais para animar a galera e alguns deles efetuam suas performances equilibrando-se em gigantescas pernas-de-pau. Isso mesmo: você não será o único!
Se nem isso servir para convencê-lo a treinar o merengue, um outro ambiente no fundo da caverna toca as familiares tecno, trance e house. E ainda há bares para tomar uma cerveja Presidente enquanto vê os outros se acabarem nas pistas. O que torna-se uma boa opção quando a madrugada adentra e o público passa a beirar a máxima lotação de 1.500 pessoas. Nessas horas, o calor é mesmo infernal, apesar dos ares-condicionados instalados no teto.A Imagine abre todos os dias, das 23h às 6h, com entrada a US$ 10.
MANGU
A mistura de música eletrônica com ritmos caribenhos também esquenta as pistas do Montecristo e da Mangu, em Punta Cana (ambos com entrada a US$ 10 e direito a um drinque). Lá, go-go dancers, vestidos de sunga e patins, agitam a tecneira do andar superior enquanto os mais comportados se arriscam a tirar damas para dançar merengue no piso térreo.
E em Santo Domingo, as grandes pedidas são os cassinos e os charmosos bares da Zona Colonial, com mesinhas na calçada e romantismo no ar. Só não deixe para sair muito tarde, pois uma lei obriga os estabelecimentos a fechar até a 1h de domingo a quinta e até as 3h às sextas e sábado, a fim de diminuir a ocorrência de acidentes de trânsito provocados por embriaguez. Algumas casas até conseguiram liminares para trabalhar 24 horas, mas sob a promessa de não vender bebida alcoólica.
Imagine: www.imaginepuntacana.com
Mangu: www.mangudiscobar.com
Montecristo: www.montecristopuntacana.com
RUBIROSA
Responda rápido: o que Marilyn Monroe, Christina Onassis, Evita Perón e Ava Gardner têm em comum? Além de beleza e fama, todas elas se renderam aos ‘dotes’ do mesmo dominicano, cujos casos amorosos estão relatados no livro A Vida Louca de Porfírio Rubirosa: O Último Playboy, escrito pelo americano Shawn Levy (Editora Record, 420 páginas, R$ 52).
Embora não tenha nascido em berço de ouro, Rubi – como era conhecido - sabia bem como seduzir uma mulher. Cortês, divertido e dono do isqueiro mais rápido do Oeste – bastava uma dama colocar um cigarro entre os dedos que lá estavam suas mãos a acendê-lo -, o mais famoso Don Juan do Caribe circulava pela high society dominicana sem se preocupar com o “pedigree” que não tinha, e entrou para a lista dos homens mais bem vestidos da Europa ao combinar jeans com paletó numa época em que poucos ousavam.
Casou-se, em 1932, com a filha do ditador Rafael Leónidas Trujillo, que governou a República Dominicana por mais de 30 anos. Mas o matrimônio não durou mais que seis anos. Depois, partiu para o mulherio internacional. Sua lista de casos inclui a atriz francesa Danielle Darnieux – considerada na época a mulher mais bonita do mundo -, a atriz húngara Zsa Zsa Gabor e até a ex-primeira-dama argentina Evita Perón.
Nos anos 1950, o mâitre de uma casa noturna parisiense exultou diante de uma mesa ocupada por Rubi e seus amigos Aly Khan, Baby Pignatari e Juan Capuro: “Aqui estão os mais famosos playboys do mundo”. Ao que o dominicano respondeu: “A diferença é que os outros cavalheiros pagam por suas mulheres, e todas as minhas mulheres pagam por mim”.
E a afirmação não tinha nada de exagero. Da herdeira americana Doris Duke ganhou cavalos de pólo, diversos carros esporte, um bombardeio B-25 convertido em avião civil e uma casa do século 17 em Paris, além de faturar US$ 500 mil com a separação. Anos depois, Doris – que teria flagrado o marido na cama com a bilionária Christina Onassis - descreveu em detalhes o órgão sexual de Rubi à revista americana Vanity Fair: “Era parecido com os 30 centímetros finais de um taco de beisebol Louisville Sluger”.
Depois de um ano como embaixador na Argentina - onde teve um affair com Evita -, Rubirosa conheceu a quarta esposa: Barbara Hutton, na época a segunda mulher mais rica do mundo. O casamento não durou mais que dois meses, mas foi suficiente para ele arrendar uma plantação de café na República Dominicana, outro avião B-25 e US$ 3,5 milhões com o acordo de divórcio.
Em Hollywood, os ‘dotes’ de Rubi também renderam romances com Marilyn, apresentada a ele por John Kennedy, e Ava Gardner, esposa de Frank Sinatra, parceiro de Rubirosa em partidas de golfe.
Com tantos amores e festas do jet set internacional, não restavam mesmo oportunidades para pegar no batente, o que resultou em uma das frases mais célebres do rei dos playboys: “Trabalhar? Impossível. Simplesmente não tenho tempo”.
O Dom Juan dos trópicos morreu em 1965, aos 56 anos, após bater sua Ferrari de frente com uma árvore no Bois de Boulogne, em Paris. Na ocasião, ele estava de alianças trocadas com a francesa Odile Rodin, que mais tarde se casou com o empresário brasileiro Paulo Marinho e viveu cerca de 20 anos no Rio de Janeiro, como uma autêntica carioca da gema. Há quem diga que nunca tantas mulheres ricas e famosas choraram tanto a morte de um só homem. Nem por um taco de beisebol...
COMPRAS
Foram as especiarias que levaram Cristóvão Colombo a descobrir – sem querer querendo – o Novo Mundo. E passados mais de cinco séculos, elas continuam a fazer o maior sucesso nas mesas dominicanas, incrementando o sabor de várias especialidades da culinária típica. De conquistadores, os europeus passam a conquistados pelo estômago diante dos pratos à base de frutos do mar servidos nos principais restaurantes de Santo Domingo e Punta Cana.
A receita mais famosa, no entanto, não tem lá muito glamour. É o sancocho, que mais parece aqueles ensopados indígenas feitos com tudo o que se conseguiu colher ou caçar. Na verdade, é um derivado do cozido espanhol, que em solo dominicano apresenta algumas peculiaridades conforme a região em que é preparado, mas, no geral, leva banana verde, abacate, frango, carne e legumes como cenoura e mandioca.
A combinação exótica de ingredientes reflete a mistura das influências africana, indígena e européia na cultura dominicana. E os pratos também chamam a atenção pelo seu colorido, realçado pelo achiote no locrio (adaptação da paella espanhola) e nos molhos à base de coco que costumam acompanhar os peixes.
Para quem não gosta de coentro, é bom conversar com o garçom antes de decidir o prato, pois quase todas as especialidades levam o tempero. O mesmo ocorre com a banana, presente não só no sancocho como no mangu (mistura de banana, queijo e bacon) do café da manhã e no prato trivial do almoço: o bandeira dominicana, composto de arroz, feijão, carne, vegetais e banana frita. E para acompanhar o drinque de rum ou a cervejinha Presidente ao cair da tarde, bananas chips salgadinhas, claro.
Tão popular quanto a banana, só mesmo o abacate. Não ouse, porém, pedi-lo batido com leite e açúcar. Lá, abacate se come salgado, na salada, por exemplo, temperado com azeite e vinagre. Só de imaginá-lo doce, os dominicanos já torcem o nariz. Vai entender...
CULTURA BRASILEIRA
Não é só na música Não Tenho Lágrimas, cantada por Ivete Sangalo e Juan Luis Guerra no CD Cidade do Samba que brasileiros e dominicanos se reúnem para fazer arte. Em Santo Domingo, o CCB (Centro Cultural Brasil - República Dominicana) oferece cursos de português, capoeira, samba e até culinária verde-amarela, além de biblioteca e sala de vídeo.
A andreense Maria Amélia Polydoro, 28 anos, diretora de grupos e eventos do Hotel Renaissance Jaragua Santo Domingo, é uma das freqüentadoras do CCB. “As raízes culturais dos dois países são bastante parecidas. Ambos têm a mistura de indígenas, africanos e europeus. Por outro lado, o Brasil é mais desenvolvido, organizado e com a mente mais aberta. Na República Dominicana, as pessoas têm um pensamento muito voltado para a construção da família; casam-se cedo, têm filhos muito cedo e a sociedade é um pouco machista. A desigualdade também é grande e há poucas pessoas de classe média”, compara.
Embora não esconda o fascínio que sente pelas praias dominicanas, ela aproveita as horas vagas para tomar guaraná na cantina do CBB junto com o namorado, Paulo Henrique da Rosa Moraes, 24, que atua como supervisor de recepção no mesmo hotel. “É um espaço interessante para quem quer aprender sobre a cultura do Brasil. As aulas de português, por sinal, estão todas cheias, com fila de espera.”
A saudade da música e da comida brasileira é atenuada pelo calendário de eventos verde-amarelos em solo dominicano. “O povo e a cultura do Brasil são muito admirados por aqui. A Embaixada Brasileira, junto com algumas companhias do setor privado, promove vários eventos, encontros e fomenta a cultura através de parcerias entre os dois países.” E para reavivar a memória estomacal dos brasileiros, Maria Amélia dá a dica: “A cantina do CCB vende pão de queijo, guaraná e, de vez em quando, uma feijoada, entre outros quitutes”.
GUIA DE VIAGEM
COMO CHEGAR
A Copa Airlines opera voos para Santo Domingo e Punta Cana com embarque em Guarulhos e conexão na Cidade do Panamá. Além de reduzir três horas do tempo de vôo em comparação com as conexões via Miami, na viagem via Panamá o passageiro não precisa passar pela imigração nem pela alfândega e tem a bagagem despachada diretamente para o destino final. Os bilhetes de ida e volta custam a partir de US$ 983 para Punta Cana e US$ 884 para a capital dominicana. Tel.: 3549-2672. Site: www.copaair.com.
A Taca Airlines iniciou vôos entre São Paulo e Santo Domingo com conexão em Lima, no Peru. São três freqüências semanais (às quartas, sextas e domingos) com preços a partir de US$ 884. Tel.: 3893-8221. Site: www.taca.com.
* As tarifas acima não incluem taxa de embarque, podem variar conforme a disponibilidade de assentos e correspondem à permanência mínima de seis dias e máxima de três meses no País.
PACOTE
A CVC possui pacotes de nove dias para Punta Cana e Santo Domingo com preços a partir de R$ 2.788,82. O valor inclui passagens aéreas, traslados, sete noites de hospedagem (com tudo incluído em Punta Cana e café da manhã na capital), assistência de viagem internacional Travel Ace e seguro. Tel.: 2191-8410. Site: www.cvc.com.br.
ONDE FICAR
Renaissance Jaragua Hotel & Casino (Santo Domingo) – Diárias a partir de US$ 74 por casal (sem café da manhã) e US$ 84 (com café) aos fins de semana. De segunda a quinta-feira, os preços sobem para US$ 89 e US$ 99, respectivamente. Na suíte presidencial, a diária sai a US$ 429. Endereço: Avenida George Washington, 367. Tel.: (809) 221-2222. Site: www.renaissancehotels.com.
InterContinental V Centenário Santo Domingo – A hospedagem para casal custa US$ 95 por noite. Endereço: Avenida George Washington, 218. Tel.: (809) 221-1256. Site: www.intercontinental.com/santodomingo.
Meliá Santo Domingo Hotel & Casino – A diária para casal aos fins de semana custa a partir de US$ 120, com café da manhã. De sexta a domingo, o valor cai para US$ 100, nas mesmas condições.
Moon Palace Casino, Golf & Spa Resort (Punta Cana) – Diárias a partir de US$ 195 por pessoa, em sistema all-inclusive. Tel.: (809) 687-0000. Site: www.palaceresorts.com.
Paradisus Palma Real Resort (Punta Cana) – Diárias a partir de US$ 190 por pessoa em apartamento duplo dupla, mais impostos. O sistema é all-inclusive. Endereço: Praia de Bávaro, em Higüey. Tel.: (809) 221-0111. Site: www.paradisus.com.
IMPOSTOS
Assim que desembarca nos aeroportos dominicanos, e antes de passar pelo balcão de imigração, o viajante estrangeiro tem de comprar o Cartão do Turista, que custa US$ 10 por pessoa.
Os hotéis e restaurantes cobram 26% sobre os preços publicados (16% de imposto de vendas mais 10% de taxa de serviço)
CLIMA
A temperatura anual varia de 25ºC a 31ºC. A temporada mais fria vai de novembro a abril e mais quente, de maio a outubro.
FUSO
Uma hora a menos que o horário de Brasília e duas a menos se comparado ao horário de verão brasileiro.
IDIOMA
Espanhol
CÂMBIO
R$ 1 equivale a 20,7 pesos dominicanos (cotação de 9 de outubro), mas a maior parte dos hotéis e estabelecimentos comerciais aceita pagamentos em dólar.
VOLTAGEM
110 Volts/60 Hertz
GORJETA
Dar gorjeta é prática comum na República Dominicana. Ainda que os restaurantes cobrem 10% de taxa de serviço, é costume dar uma caixinha, de até 10% do valor. O mesmo vale para taxistas, porteiros e pessoas que trabalham nos hotéis, mesmo nos que operam em sistema all-inclusive.
TELEFONES ÚTEIS
Emergências médicas ou de segurança: 911
Politur: (809) 200-3500
INFORMAÇÕES
Escritório da República Dominicana no Brasil – Avenida São Luís, 50, 9º andar, conjunto 91E, São Paulo. Tel.: 2189-2403. Sites: www.republicadominicana.tur.br e www.godominicanrepublic.com.
Associação de Hotéis de Santo Domingo – (809) 227-0306. Site: www.ahsd.com.do.
CCB (Centro Cultural Brasil – República Dominicana) - (809) 682-1128. Endereço: Rua Hermanos Deligne, nº 52, Gazcue, Santo Domingo. Site: http://dominico-brasilero.blogspot.com/2008/12/o-centro-cultural-brasil-repblica.html.