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O paraíso do tudo incluído

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Dérek Bittencourt

Foto: Divulgação
Região da República Dominicana concentra praias paradisíacas, baladas memoráveis, campos de golfe e uma infinidade de resorts de luxo que operam em sistema all-inclusive. Foto: Divulgação

Sabe aquela vida que você sempre pediu a Deus? Se Ele pudesse indicar um local, a resposta seria: ‘Vá a Punta Cana'. Não bastasse a paisagem exuberante, você pode desfrutar dias de marajá, com tudo ao seu alcance, graças ao sistema all-inclusive oferecido nos mais de 50 resorts desta região na República Dominicana. Não existe outro lugar no mundo com nada parecido em números tão exagerados, e é justamente por isso que o local atrai cada vez mais e mais turistas de todo o mundo. Não à toa, o Aeroporto Internacional de Punta Cana inaugurou em dezembro sua segunda pista e recebe voos de todas as partes do planeta - principalmente Estados Unidos -, inclusive os da Gol, que chegam três vezes por semana (às terças, quartas e sábados), saindo de Guarulhos.

Por lá, o drama daquele check out demorado na saída do hotel, no qual é necessário verificar item por item consumido para não pagar por aquilo que não bebeu, comeu ou aproveitou, não existe. Camarão, champanhe, snacks e outros itens de um bon-vivant estão a um telefonema para a recepção, a um pedido para os simpáticos garçons e garçonetes ou até mesmo dentro do frigobar do quarto - diariamente reabastecido. É tanta regalia que é necessário tomar certo cuidado para não voltar mal-acostumado.

O primeiro passo é colocar uma pulseira assim que se faz o check in no hotel. Este será seu ‘passaporte' para determinadas áreas do resort exclusivas - como o Serviço Real do Meliã Caribe Tropical, com vila, piscina, área de café da manhã e até praia. O segundo passo é pegar um mapa daquele que será seu novo condomínio pelos próximos dias. E não é exagero levá-lo sempre no bolso, afinal são tantos caminhos e coisas para fazer que o melhor é não perder tempo ficando perdido. Carrinhos de golfe e trenzinhos são boas opções de deslocamento.

Com o passar do tempo, vai-se descobrindo todas as ofertas de lazer dos resorts. A variedade é tanta que mesmo em pacotes de oito dias não se faz tudo. No Hard Rock Hotel & Casino (ex-Moon Palace), na praia de Macao, por exemplo, há nada mais nada menos que 15 piscinas para se aproveitar. Um tour de trenzinho já deixa qualquer um boquiaberto com a estrutura. Se somados os 11 restaurantes e os 15 bares, são 41 locais diferentes para se curtir. Isso sem contar o grandioso cassino de 4.000 metros quadrados (o segundo maior do Caribe), a praia exuberante, 48 quartos de spa, campos de golfe e minigolfe, e uma discoteca. Os 1.787 quartos até parecem mero detalhe.

A temática do rock está presente por todo lado, tanto que por lá estão a limusine utilizada por Madonna no clipe Music e um piano colorido de Elton John, sem contar as inúmeras peças de roupas e instrumentos de bandas como Metallica, Whitesnake, Kiss e até da cantora Shakira.

Esse é apenas um exemplo de quão grandiosas são as estruturas dos resorts de Punta Cana. É a consolidação do American Way of Life, que prega aderir aos princípios da vida, à liberdade e à procura da felicidade. E, de fato, os norte-americanos têm grande influência naquilo tudo, não só com sua filosofia mas como principal mercado consumidor do turismo local.

Aliás, foi da Terra do Tio Sam que saiu o empresário nova-iorquino Theodore Kheel, que junto do dominicano Frank Ranieri fundou, no fim dos anos 1960, o Punta Cana Club, primeiro hotel da região e com capacidade para apenas 40 hóspedes. Considerando os 50 atuais, percebe-se que eles estavam certos em apostar naquele paraíso, que hoje recebe mais de 2 milhões de turistas por ano.


INVASÃO BRASILEIRA


Nada melhor do que números para demonstrar a realidade cada vez mais imponente: os turistas brasileiros estão, literalmente, descobrindo e invadindo Punta Cana. As agências tupiniquins já previam no início do ano tal procura e a Secretaria de Turismo da República Dominicana confirmou com dados a previsão, contabilizando crescimento constante dos nossos por lá.

Em 2010 foram 37,5 mil, enquanto que em 2011 a conta fechou em 62,5 mil (apesar de as estimativas ultrapassarem os 80 mil). Para 2012, a aposta é alcançar 150 mil brazucas só em Punta Cana.

A maioria esmagadora dos turistas é norte-americana, mas o número de russos tem aumentado em grande proporção - inclusive há voos diretos de Moscou, o que contribui para que fujam do frio e do gelo. Por isso, muitas das placas nas ruas estão escritas em espanhol (língua dominicana), inglês e, surpreendentemente para nós, em cirílico (alfabeto da Rússia). Nos hotéis, canais russos estão incluídos na TV a cabo. Já para sintonizar um futebolzinho brasileiro que seja, não é tarefa fácil.


 

Foto: Dérek Bittencourt
Praias de areia branca e mar cristalino são marca registrada da região. Foto: Dérek Bittencourt

Palco perfeito para casamentos


Planejar um casamento não é tarefa fácil. Escolher igreja, bufê, decoração, local para a lua de mel... Mas e se tudo isso pudesse ser feito em um só lugar e com a possibilidade de evitar o constrangimento de esquecer alguém da lista de convidados? Seria perfeito! E Punta Cana pode oferecer o cenário ideal para realizar esse sonho dos noivos, com milhares de quilômetros e um visual paradisíaco como justificativa para algo bem íntimo e romântico.

Todos os resorts e hotéis da região têm locais para realização da cerimônia. Alguns oferecem gazebo com o mar de fundo, como é o caso do Meliã Caribe Tropical. Nada impede que seja na própria faixa de areia, com pés descalços em contato direto com a natureza. Mas tudo tem de ser bem planejado e com antecedência, afinal a concorrência é grande e só há um juiz civil na região.

No Hard Rock Hotel & Casino, por exemplo, há dias em que são realizadas até sete cerimônias, com pessoas de todas as partes do mundo - presenciei a união de um belga com uma dominicana.

No Barceló Punta Cana Premium, o pacote com cerimônia, juiz civil, decoração, assessora e músicos com canções caribenhas sai por US$ 675. Preço tanto quanto convidativo considerando que os noivos já estão em local privilegiado e sob sistema all-inclusive. Serviços de fotografia e vídeo podem ser contratados com antecedência. Geralmente os hotéis indicam profissionais. No Meliã Caribe Tropical, o valor para combinação semelhante fica em US$ 600.

Os casais mais endinheirados chegam a reservar parte dos resorts para seus convidados e fazem grande festa. Outros preferem apenas pais e padrinhos, enquanto alguns se limitam a realizar o enlace a dois e depois aproveitam para curtir a lua de mel em um dos lugares mais belos do planeta, sem precisar perder horas entre aeroporto e avião.

Os documentos necessários para a realização do casamento são certidão de nascimento traduzida para espanhol e autenticada pela embaixada ou consulado dominicano, documento comprovando-se que é solteiro (que também se consegue na embaixada ou consulado), além das cópias dos passaportes dos noivos e das testemunhas.

Também há outros serviços disponíveis para noivos e casais, como bodas de ouro ou renovação dos votos matrimoniais. O Barceló Punta Cana oferece esta última por preço que pode variar entre US$ 200 e US$ 500 - incluindo 55 minutos de spa com massagem relaxante e sauna para o casal.

Mesmo que os pombinhos vão a Punta Cana apenas para curtir a lua de mel após festança ou festinha simples no Brasil, é aconselhável sempre informar o hotel sobre a finalidade da viagem. Alguns oferecem CF51upgrade/CF gratuito de quarto. Outros lançam mão de outras regalias (afora as já habituais), como dormitório com vista para o mar, garrafa de vinho, cena romântica com lagosta à beira da praia, passeio a cavalo ao entardecer e mais, desde que se desembolse até US$ 350. Diante dos atuais valores cobrados por igrejas, bufês e decoradores brasileiros, é mesmo uma pechincha.


DATAS ESPECIAIS


Seja para comemorar uma data especial a dois ou para curtir com a família, Punta Cana vale o investimento. Comparado a outros destinos caribenhos, o local foge à badalação de Cancún, mas não é tão tranquilo quanto St. Maarten. É uma mistura de paisagens perfeitas com povo alegre e música que faz mexer o esqueleto.

A administradora de empresas são-bernardense Denise Candido de Souza Santos, 28 anos, e o marido engenheiro mecânico Alexi Luiz Dias dos Santos, 36, hospedaram-se no Hard Rock Hotel & Casino para celebrar o aniversário de casamento. "É um lugar espetacular. Cancún é mais para festas, tem mais agito do que aqui. Punta Cana é para todo mundo: casais e famílias", disse Denise enquanto admirava a limusine de Madonna estacionada próxima ao rol do gigantesco resort.


QUARTOS DE TIRAR O FÔLEGO

Se chegar aos resorts e ver o quão grandes são as estruturas já impressiona à primeira vista, espere só até entrar nos quartos. Muitos deles têm área maior à de bons apartamentos em bairros de classe média do Grande ABC, com sala, cozinha, quarto, banheiro (com jacuzzi ou banheira) e sacada, beirando os 50 metros quadrados. É quase um choque de realidade que, por outro lado, faz o hóspede parecer criança novamente, fuçando em tudo e querendo aproveitar todos os detalhes.

O exemplo citado refere-se ao dormitório do Serviço Real do Meliã Caribe Tropical, que sai por US$ 350 a diária na alta temporada. São 1.128 opções de quartos no hotel e o preço mínimo é R$ 150 (na alta estação). Já para um dos 500 apartamentos do Paradisus Palma Real, o turista desembolsa entre US$ 190 e US$ 380 por pessoa.

Enquanto isso, o Barceló Punta Cana Premium é opção com valor mais convidativo: a partir de US$ 66 no mais modesto dos 788 dormitórios, distribuídos em sete prédios. Quem pensa que por esse valor encontrará um resort mais simples logo muda de ideia ao ver as opções de restaurante, piscinas, a variedade de shows noturnos, o cassino, a discoteca e até mesmo um trapézio logo ao lado da faixa de areia.

Para quem tem a possibilidade de investir mais grana, a suíte presidencial do Barceló Bávaro Palace Deluxe é um espetáculo. Com suporte para seis pessoas, já recebeu algumas personalidades, principalmente esportistas, como o espanhol campeão da MotoGP Jorge Lorenzo. A diária custa US$ 1.800 na supersuíte, que tem três dormitórios, piscina infinita (de frente para o mar), salas e cozinha muito espaçosas e uma varanda fantástica. Além do sistema all-inclusive, claro.

Ainda na base das altas cifras, as vilas do megacondomínio residencial e hoteleiro Cap Cana, em Juanillo, não deixam nada a desejar. Com capacidade para até oito pessoas, os chalés têm preços que variam entre US$ 1.190 e US$ 4.500 por dia, com vista para o mar e para o campo de golfe, mas com um detalhe curioso que os difere da filosofia local: não estão sob sistema all-inclusive.


Foto: Divulgação
A vida ganha um novo sentido depois de relaxar em Punta Cana. Foto: Divulgação

A vida fora dos resorts


Não sei se é possível cansar de desfrutar da comodidade e da calmaria dos resorts de Punta Cana. Mas, para quem quer aproveitar programas diferentes, diversos outros passeios e serviços são oferecidos, a maioria deles relacionada com água. Sem dúvida, o principal deles é nadar com golfinhos, prática bastante caribenha. E na Dolphin Island, a cinco minutos de lancha da praia de Bávaro, o sonho vira realidade. Tubarões-lixa e arraias tornam o momento ainda mais especial - para não dizer emocionante - em estrutura montada no meio do mar.

O passeio começa ainda em terra. Depois de assinar um termo de responsabilidade se comprometendo a atender todas as exigências, os turistas assistem a um filme com indicações do que se pode ou não fazer na interação com os animais. Procure não ir paramentado de muitos anéis, brincos, piercings, chuquinhas de cabelo e afins, pois tudo é vetado e necessita ser retirado. O próximo passo é colocar uma espécie de cinto salva-vidas e embarcar rumo ao encontro com a vida marinha.

Devidamente munido de máscara e snorkel, o primeiro encontro é com os tubarões-lixa e as arraias, que dividem o mesmo tanque. A sensação ao colocar o primeiro pé na água é de que você pode virar notícia como vítima do tubarão (e o filme homônimo de 1975 contribui muito para isso), mas ao vê-lo passar próximo da perna e pouco se importar com a sua presença, traz certa tranquilidade. Relaxar é relativo: muitos turistas mal saem da plataforma, mas quem aproveita se diverte.

Depois de alguns minutos daquele mix de tensão, adrenalina e felicidade, chega o momento tão esperado com os golfinhos. Obviamente os turistas não podem subir neles e fazer como os instrutores do Sea Park, em Orlando. Os animais respondem a apitos e gestos dos treinadores com diversos truques. Saltam, rodopiam, batem palma, cantam, nadam de cabeça para baixo e até dão beijo. Fazem valer os US$ 140 (R$ 247) pagos pelo passeio. Se o turista optar por nadar com leões-marinhos, o custo cai para US$ 75 (R$ 132).

Tudo é registrado pelo fotógrafo exclusivo do local, já que é proibido usar câmeras. Ao fim do passeio, pode-se adquirir um DVD com todo o material por US$ 40 (R$ 70).

Já o Manatí Park mistura o contato com animais a apresentações tanto dos bichos quanto da cultura local. Algo como um zoológico temático que entusiasma pelo número de atrações. Os shows dos leões-marinhos (que dão beijo no público e dançam até tango) e golfinhos são imperdíveis. Tanto que acontecem três vezes por dia. Há ainda araras e papagaios que pedalam carrinhos, cavalos que saltam, atores fantasiados de índios nativos com danças locais e diversos outros atrativos.

Com transporte a partir dos hotéis, paga-se US$ 30 (R$ 53) por adulto e US$ 15 (R$ 26) por criança para entrar no parque, que também permite a natação com os golfinhos a US$ 110 (R$ 194), mas em um tanque. Mas não se iluda com o nome pensando que vai ver ao vivo um enorme Manatí. Na República Dominicana, essa é a denominação para diversos animais.


ESPORTES RADICAIS


Com tanto mar para todo lado, turistas cheios de energia podem optar por passeios mais agitados do que o contato com os animais. E a prática de alguns esportes radicais é vendida pela orla. Desde o tradicional banana boat até kitesurfe, wakeboard e windsurfe, passando pelo parasailing (paraquedas puxado por uma lancha) ou pelo parapente, é possível se divertir desfrutando de paisagem incrível.

O snorkeling também é bastante recomendado em águas tão cristalinas para contato único com o ecossistema marinho.


BALADA DAS CAVERNAS


Após tanto contato com bichos durante o dia, por que não ver pessoas do mundo todo e também dominicanos reunidos em um só lugar, fazendo festa à noite? De fato, não se trata de construção muito peculiar. Pelo contrário. Utilizou-se estrutura esculpida pela natureza e pelo tempo. Mas a Imagine, balada que acontece no interior de uma caverna, é ponto de parada obrigatório para quem gosta de música, dança e novidades.

Tanto os ritmos locais - como merengue, bachata (salsa dominicana) e reggaeton - quanto os internacionais dance, techno e psy rolam no ambiente sombrio e cercado por estalactites. Trata-se de experiência única que, com o jogo de luzes e a acústica que o local propicia, torna-se inesquecível.

Russas e norte-americanas mostram-se desinibidas. Já as japonesas tentam deixar a vergonha de lado para requebrar um pouco. Com o passar do tempo, a integração é inevitável e balançar o corpo passa de condição a status consequente. Afinal, as dançarinas e os dançarinos da casa - com trajes mínimos - buscam a todo instante deixar os turistas o mais à vontade possível.

O preço para entrar na Imagine varia de acordo com as festas, que acontecem aos fins de semana. Os ônibus passam pelos hotéis para buscar e levar os festeiros em horários determinados, ou seja, é necessário ficar atento ao relógio para não ter de recorrer a um táxi.


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