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| Documentário musical sobre Tom Jobim estreia nas salas de cinema de São Paulo. Foto: Divulgação |
“Palavras são erros”, já cantava Renato Russo na música Eu Sei. E o diretor de cinema Nelson Pereira dos Santos definitivamente não comete esse erro no filme A Música Segundo Tom Jobim, que entrou em cartaz ontem. Até as legendas para identificar os intérpretes das músicas do maestro soberano foram banidas do documentário para que o espectador possa entregar-se de ouvido e alma ao maior legado de Jobim: a música.
"A presença de qualquer coisa na tela pode atrapalhar a experiência sonora e visual do filme, que provoca em cada pessoa um sentimento, uma emoção ou uma memória diferente”, justifica Santos, aproveitando para dar dica aos mais jovens, que dificilmente identificarão Jeans Sablon, Pierre Barouh ou Birgit Brüel em meio à constelação de intérpretes: “Se a sua necessidade de ouvir está associada a saber quem canta, curta o prazer de ouvir e veja os créditos no final”.
Para concretizar essa viagem sensorial entre notas e imagens, Santos contou com a ajuda de ninguém menos que Miucha Buarque de Holanda, que fez as vezes de roteirista, e da neta do maestro, Dora Jobim, já conhecida no meio pelos lançamentos da Samba Filmes, produtora de DVDs musicais que coleciona nomes do quilate de Marisa Monte e Ney Matogrosso.
Ficou com Dora o trabalho de fuçar álbuns de fotos da família e pesquisar arquivos com músicas para contar, sem palavras, todas as fases da trajetória do avô, considerado um dos maiores expoentes da música brasileira.
O resultado é quase uma hora e meia de puro deleite auditivo, que mescla imagens conhecidas do grande público – como os duetos de Jobim com Elis Regina em Águas de Março e com Frank Sinatra em Garota de Ipanema – até raridades garimpadas por Dora no YouTube, a exemplo da passagem de Judy Garland cantando a versão em inglês de Insensatez.
Para recontar a trajetória do maestro, as cenas dos shows são pontuadas por imagens de importantes momentos da carreira de Jobim. Está tudo lá: a parceria com Vinicius de Moraes; as turnês em Portugal e no Japão; o sucesso nos Estados Unidos; a relação com a natureza e até as vaias do público ao vencer o 3º Festival Internacional da Canção, no fim dos anos 1960, com a música Sabiá, fruto de parceria com Chico Buarque. Impossível não sair da sala de cinema mais leve, assobiando alguma das muitas canções que bem fazem jus ao célebre verso de Orfeu: “Se todos fossem iguais a você...”.