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Embora tenha apresentado boas propostas...

domingo, 4 de outubro de 2009 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Pasquale Cipro Neto

O ENEM está chegando. Um dos itens do programa da prova se refere à capacidade de estruturar o texto de modo que se torne claro e transmita a ideia desejada. Em algumas provas de português de  concursos públicos, tem-se exigido dos candidatos o domínio da equivalência entre dois ou mais modos de relacionar ideias. Quando se diz, por exemplo, que, embora apresentasse boas propostas, o partido X perdeu a eleição, emprega-se a conjunção “embora” para que se estabeleça entre os fatos o nexo de concessão, que o Houaiss define como “fato subordinado e contrário ao da ação principal de uma oração, mas incapaz de impedir que tal ação venha a ocorrer.” Tradução: as boas propostas do partido X não lhe bastaram para impedir a derrota. Há relação de concessão entre “apresentar
boas propostas” e “perder”. Esse nexo é fixado pela conjunção “embora”.

De que outra forma seria possível estabelecer esse nexo? Sem mudar a relação de subordinação que existe entre as orações, poder-se-ia substituir “embora” por “ainda que”, “se bem que”, “apesar de que”, “conquanto” etc. O último conectivo citado (“conquanto”) talvez mereça comentário particular, já que seu uso é raro ou inexistente na língua oral e pouco comum na escrita moderna. Usa-se “conquanto” como se usa “embora”: “Conquanto tivesse apresentado boas propostas, o partido X perdeu a eleição.”

Não se deve confundir “conquanto” (que, como acabamos de ver, tem valor concessivo) com “porquanto”, que expressa nexo de causa e equivale a “porque”: “Não foi premiado porquanto a isso não fez jus” (exemplo do Aurélio).

Ainda sobre o nexo de concessão, convém lembrar que expressões como “apesar de” e “apesar de que” estabelecem o mesmo tipo de relação, mas exigem procedimentos diferentes. Veja estes exemplos: “Não foi eleito, apesar de ter apresentado boas propostas”; “Não foi eleito, apesar de que tenha apresentado boas propostas”. Percebeu? A locução “apesar de” leva o verbo para o infinitivo (“apesar de ter...”), enquanto “apesar de que” exige o mesmo procedimento que se adota com “embora” ou “conquanto” (“apesar de  que/conquanto/embora tenha apresentado”), ou seja, exige que o verbo seja conjugado no subjuntivo.

Também vale a pena citar a locução “sem que”, uma das que podem estabelecer nexo de concessão, como se constata neste exemplo, do professor Evanildo Bechara: “Ele é o responsável, sem que o saiba, por todas essas coisas erradas.”

Até domingo. Um forte abraço.

Pasquale Cipro Neto é professor do Singular/Anglo Vestibulares, idealizador e apresentador do programa Nossa Língua Portuguesa, da Cultura. E-mail: [email protected]


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