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Ao tempo de Flávia

domingo, 4 de setembro de 2011 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

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Raquel de Medeiros

Foto: Nino Andrés
A jornalista Flávia Freire quer informar a  sociedade sobre a preservação do meio ambiente e contribuir com as futuras gerações. Foto: Nino Andres

Na redação e fora dela, a primeira pergunta de quem sabia que havíamos entrevistado Flávia Freire, 37 anos, era: “Ela é tão bonita quanto na TV?” Sim, ela é. Loira, com rosto delicado, corpo curvilíneo, chama atenção por onde passa. Só para se ter ideia, no dia da entrevista o estúdio panorâmico onde é apresentado o SPTV – e também onde as nossas fotos foram feitas – estava ocupado por empresários em visita. Os olhos deles estavam fixos na grande janela que dá vista para a ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira e para a Marginal do Rio Pinheiros quando Flávia chegou. A partir de então, todos olhares se voltaram para ela. Queriam ao menos uma foto para ter aquele momento registrado. Mesmo pega de surpresa – e um pouco tímida –, Flávia cedeu aos pedidos.

Apesar da imagem de repórter e apresentadora ainda estar mais atrelada à beleza do que ao jornalismo – experimente jogar o nome dela no Google –, a preocupação da apresentadora está totalmente voltada ao trabalho. Coordenadora do projeto Respirar Rede Globo e amiga pessoal de Flávia, Cristiana Randow, comprova a tese. “Das apresentadoras que conheço e com as quais trabalhei, ela é das mais tranquilas. Talvez porque não precise muito se preocupar, já que é naturalmente bonita”, diz Cristiana.

Do que a apresentadora se gaba mesmo é de ter conseguido vingar o projeto, que fez sucesso dentro da programação do SPTV e foi finalizado no mês passado. Flávia concentrou-se no meio ambiente e se apaixonou. Com a ânsia de querer levar a mensagem adiante, mergulhou em histórias e entrevistas que procuram desvendar e esclarecer formas de tornar São Paulo cidade melhor para se viver. “A ideia foi minha e da Cristiana, não caiu de paraquedas. Queríamos abordar a poluição de maneira diferente, como nunca ninguém fez, com muita seriedade. Apresentamos para a Globo e ela abraçou”, explica. Assim, Flávia iniciou formato em prol do ambiente que deve se repetir nos próximos anos.

Com os olhos escuros e brilhantes, com aquela energia contagiante de quem acaba de ter uma epifania, é que ela descreve incansavelmente o quanto é importante dar o primeiro passo. “A gente não vai estar preparado nunca, mas é trabalho de formiguinha, tem de começar.”


ELA QUEM DÁ AS CARTAS AGORA

Depois do sim da emissora para o Respirar, a jornalista questionou-se como iniciaria o caminho. Decidiu começar com reportagem em uma cidade que tivesse semelhanças com São Paulo e que também tivesse tido sucesso no combate à poluição. Trazer mais perto aquela sensação distante de que transformar só depende de nós. “Vimos que a que mais se parecia era a Cidade do México. Lá não é o melhor exemplo do mundo, mas acabou de sair do ranking das mais poluídas. Fiquei impressionada de ver como lidam com esse assunto, a participação política, a clareza da população.”

Flávia não tira da cabeça o que viu por lá. Encantou-se com a substituição de frota de ônibus e táxis velhos, subsidiada pelo governo. “Carro velho não tem catalisador e polui mais. Então, o governo dá incentivo financeiro para que o dono do veículo possa trocá-lo por um mais novo.” A apresentadora ressalta a inspeção veicular – já incorporada na Capital – que acontece na Cidade do México duas vezes ao ano.

“Não sei até que ponto tudo isso é muito político, mas aqui você incentiva quem tem carro velho, como por exemplo com a isenção de IPVA. Não sou contra carro antigo, tem muito carro velho bem cuidado e regulado que não tem problema de estar na rua”, explica.

Flávia dedicou-se tanto ao assunto que cada pergunta ela aproveita para embasar com informações que foi colhendo durante todo este tempo em que está completamente focada no projeto. “O metrô começou a ser construído na Cidade do México na mesma época que o nosso. Hoje eles têm 201 quilômetros. A gente tem 70. Há os corredores de ônibus rápidos, sinais inteligentes que abrem com aproximação do ônibus e é a primeira cidade da América Latina que tem aluguel de bicicletas. É fantástico! Por que a gente não pode ter esse sistema aqui se existe na Europa toda?”, questiona.

 
EXEMPLO PRA DAR


Para a jornalista, sistema de transporte público eficiente é uma das principais formas de melhorar o ar: “Cerca de 90% da poluição de São Paulo vem dos veículos”, diz. E Flávia não fica só no papo. No dia a dia, ela costuma deixar o carro – e a preguiça – de lado para pedalar. “Quando vou à padaria ou à locadora, por exemplo, eu pego a bicicleta. Outro dia fui a um shopping perto de casa de bicicleta.”

O novo hábito também gerou em Flávia nova forma de enxergar o mundo. Hoje ela se considera uma motorista mais consciente. “Você passa a respeitar muito mais o pedestre, o carro e o ciclista. Quando estou de carro, por exemplo, dou passagem. Não há dúvidas de que criei mais consciência.”

Engajada, procura passar o aprendizado para os que estão à sua volta. Nessa entram, principalmente, a família e os amigos. “Eu acabo contagiando todo mundo que está perto de mim.” Difícil é falar de meio ambiente sem parecer monótono. Infelizmente, a consciência da maioria dos brasileiros ainda é superficial no que se refere ao tema. Talvez porque pareça que nunca vai faltar nada. Talvez porque ninguém sentiu na pele a consequência do abuso dos recursos naturais. A maneira de viver de Flávia nem sempre é bem interpretada. Ela acha graça. “Eu não sou ecochata, não”, defende-se.

Para ela, a culpa dessa limitação é o mundo frenético, que impede os lampejos de consciência. “Você tem mil coisas para fazer no seu dia, eu tenho mil coisas para fazer no meu, então, com certeza, os que estão mais ligados ao meio ambiente são chamados de ecochatos porque vivem e se preocupam realmente com isso.”

Em auto-avaliação, ela admite que não foi sempre assim. A consciência surgiu conforme consumia a informação. “Tenho minha fase antes e depois do Respirar. Não era a mesma preocupação de hoje. Quando você começa a conhecer mais o tema, aprofunda, passa a saber mais. Agora que eu sei, por que não vou contribuir?” E é esse o questionamento que ela tenta passar para quem a assiste do outro lado da telinha.

 

Foto: Nino Andrés
“Fico tentando pensar porque escolhi jornalismo”. Foto: Nino Andrés

A GAROTA DO TEMPO

“Fico tentando pensar porque escolhi jornalismo”, diz. O talento que parece nato para quem a vê pela televisão não era algo claro para a apresentadora que ficou em dúvida entre jornalismo e medicina. Prestou vestibular para as duas áreas e passou, nas duas. “Achava interessante, adorava escrever. E aí acabei escolhendo jornalismo. Na época, a minha avó ligou pra minha mãe e disse que eu era louca, que devia ter escolhido medicina. Hoje eu olho e penso: ainda bem que escolhi o jornalismo, né ?”

Flávia começou a carreira na Globo em 1998, como repórter em Brasília. A rotina foi essa até ser convidada para ser a garota do tempo. “Previsão do tempo é tão fascinante. Não sei se você concorda comigo, mas o clima chama atenção das pessoas, exerce fascínio sobre elas.” E foi por causa desse interesse todo das pessoas pela temperatura, para saber se vai fazer sol ou chover, qual roupa usar no dia seguinte, que a imagem e o trabalho dela ganharam repercussão. A abordagem nas ruas passou a ser mais acirrada. Flávia passou a ser reconhecida.

Outro ponto positivo da jornalista é que empre está pronta para aprender. “Sabe ouvir críticas, tem a compreensão de que são para melhorar a performance dela mesma e das reportagens que levamos ao telespectador. Se não fosse ousada, com certeza não teria chegado aonde chegou”, elogia a amiga Cristiana Randow.

A vida, no entanto, não é só reconhecimento. O jornalismo exige, em troca, horas e horas de trabalho a fio, muitas vezes sem feriado, fim de semana ou momentos com a família. “Nossa, eu não sei nem te dizer. Várias vezes abri mão de coisas pessoais pelo trabalho. Falam que vida de médico é difícil, concordo, mas de jornalismo também não é fácil.”

De vez em quando até o almoço fica para segundo plano. “Nessas viagens, como a do México, se mata de trabalhar. Você sabe que é longe, que não vai voltar, então, tem de fazer tudo o que der, às vezes mal tem tempo para comer entre uma entrevista e outra.” Mas ela não reclama de nada. “Vale muito a pena, eu amo o que faço.”


VIDA PESSOAL

Flávia nasceu em Serra do Navio,  no Amapá, que é banhada pelo Rio Amapari e fica numa região com densas florestas e inúmeras espécies da biodiversidade amazônica.  Dali não se lembra muito, já que morou na cidade somente até os 4 anos. Mas talvez algo daquela época tenha ficado nela,  que carrega dentro de si o carinho pelo meio ambiente e a vontade de não ser tolerante, mas fazer mudar.

Flávia morou em Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro, onde residem os pais e as três irmãs. Sempre que pode corre lá para matar a saudade. “Vou para o Rio com o maior prazer”, assume ela, que já foi clicada algumas vezes circulando pelas orlas cariocas.

Avessa a falar da vida pessoal, Flávia reluta em dar detalhes sobre o cotidiano, mas admite ter trocado alianças com o jornalista César Tralli em dezembro do ano passado. Ela diz que é mais fácil se relacionar com alguém da mesma área, porque há menos conflito. “No trabalho de jornalista, você se entrega e se dedica muito. Se é uma pessoa que entende como o sistema funciona, acho que dá mais certo sim, facilita.”

A vontade de ter filhos é certa. Mas não tem data para acontecer. “Claro que tenho vontade de ter filhos, com certeza. Em relação a quando, prefiro não falar.”
Entre trânsito, notícias, poluição, meio ambiente, outro pensamento que passa entre as preocupações da jornalista é o mundo que vai deixar para os filhos e netos. Enquanto eles não chegam, vai fazendo a parte dela. É trabalho de formiguinha, sim. É jogo de quebra-cabeça, peça por peça. Aos poucos, ela acredita que uma imagem de esperança deve começar a aparecer. “Por isso que eu acho que temos de fazer esse trabalho de conscientização agora, para a gente colher resultados o quanto antes, para que dê tempo de mudar, melhorar.”


Comentários

marcello Dibiase
24/07/2012
Realmente ela é uma mulher bonita e produzida como muitas na telinha, mas loira não é mesmo. Mas gosto do seu trabalho como moça do tempo no Jornal Nacional.
willians alves de sousa
21/09/2011
você é muito linda gosto muito de jornalismo a roupa e educação que é excelente,mas só formado em recursos humanos. felicidades
willians alves de sousa
21/09/2011
você é muito linda gosto muito de jornalismo a roupa e educação que é excelente,mas só formado em recursos humanos. felicidades
willians alves de sousa
21/09/2011
você é muito linda gosto muito de jornalismo a roupa e educação que é excelente,mas só formado em recursos humanos. felicidades
willians alves de sousa
21/09/2011
você é muito linda gosto muito de jornalismo a roupa e educação que é excelente,mas só formado em recursos humanos. felicidades

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