Psicólogas transformam experiências sobre luto em livro

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Marcela Munhoz

 “Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte”. Sigmund Freud, médico neurologista criador da psicanálise, vivia falando de um assunto que a maioria das pessoas, simplesmente, tenta jogar para debaixo do tapete, para dentro do armário, até que, um dia, o tapete é enrolado e a porta se abre. A morte é inevitável, o luto também. Para tentar explicar um pouco sobre o processo, grupo de seis psicólogas da região resolveu reunir em um livro as experiências, histórias e conhecimentos sobre o assunto. Amanhã, em São Bernardo, será lançado o Conversando Sobre Luto com Adultos e Crianças – A Ciranda do Viver/Morrer (Appris Holística, 106 págs., preço sob consulta) na Livraria Psico Cultural (Rua Julio Tome, 159), no Rudge Ramos.

“A morte faz parte do desenvolvimento humano, é inesperada, imprevisível. Quando a gente não quer falar sobre ela, fica mistificada de uma maneira que se torna mais assustadora”, explica Aparecida Andriatte, uma das organizadoras da obra. E um luto mal vivido e elaborado pode trazer consequências. “A morte precisa ser conversada. Um luto considerado normal vai até um ano após o fato, depois pode virar melancolia. Com o tempo, vai se transformando em saudade. Quem não consegue, precisa de ajuda. Mas isso não quer dizer que toda tristeza é depressão. Ficar triste também é importante”, emenda.

Um dos grandes percalços é que a sociedade, cada vez mais, tem encurtado todo o processo. “As pessoas abreviam demais o assunto, os rituais fúnebres. Não se dá um tempo para falar, chorar e compartilhar com o outro a dor, a saudade e as memórias”, observa outra organizadora, Gisele Gressler. As redes sociais têm ajudado nisso. “Além de ser forma de informar sobre o ocorrido, lembrar dos bons momentos vividos com a pessoa é muito saudável”, diz. Para a psicóloga Maryrose Bolgar, vai além. “É importante para que a família tome consciência de todo o legado que o parente deixou, de como era querido e de receber a solidariedade dos outros.”

Falar sobre a morte com as crianças é outro ponto bastante abordado no livro. A ideia, segundo elas, é que os adultos leiam as histórias – que vão desde a perda dos avós, pais e filhos até animais de estimação e separações – e repassem para os mais novos. “É importante falar a verdade de forma clara e simples. Se tiver a curiosidade de ir ao velório e ao enterro, acompanhe. A infância e adolescência são as épocas em que mais contamos com o apoio da família e é essencial que nada seja omitido”, ensina Gisele.

“A pessoa que perde alguém tão próximo nunca mais será a mesma, mas a morte também é transformação. Se conseguir passar pela triste, fica mais forte”, conclui Aparecida. Também assinam o livro Alaide Penaquio, Leda Gomes e Maria Emília Miranda. As ilustrações são de Denise de Alencar.




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