Juliana Alves: ela é mais do que você pensa

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Raquel de Medeiros

Foto: Vera Jordan
Atriz bem-sucedida, ela conseguiu se livrar do rótulo de ex-BBB. Foto: Vera Jordan

Tem gente que pensa que ela começou no Big Brother Brasil, em 2003. Também tem quem acreditasse que era apenas mais uma interessada em fama, com gostosura de sobra, sem muito talento. Mas o que quase ninguém sabe é que tudo começou a partir de um baú de fantasias velhas da avó, de onde Juliana tirava objetos e montava personagens com a irmã, ainda na infância. Foi ali que surgiu o interesse pelas artes cênicas.

O Big Brother foi um trampolim para que se tornasse conhecida do público. Até aí, nenhuma novidade. Porém, Juliana é uma das poucas pessoas que conseguiram se tornar bem-sucedidas no mundo artístico depois de participar de um reality show na televisão. “Graças ao BBB consegui entrar para a minha primeira novela.”

A entrada no programa foi inusitada. Abordada por produtores do BBB durante um show, a atriz – que jurava de pés juntos que não participaria de um reality – mudou de ideia depois que a oportunidade praticamente lhe caiu no colo. “Tinha preconceito. Achava que as pessoas participavam só para aparecer e também não acreditava na possibilidade de ganhar o dinheiro. Mas mudei de ideia quando pensei que milhares de pessoas têm vontade de viver essa experiência e que isso tinha aparecido na minha vida de maneira inesperada.”

Juliana saiu do programa como mais uma participante. Não ganhou o polpudo prêmio de R$ 1 milhão  nem assinou contrato com a Rede Globo logo de cara, apesar de ter feito pequenas participações em atrações da emissora, como a novela Chocolate com Pimenta. “Saí do circuito e fiquei bom tempo sem trabalhar, sem dinheiro. Abri mão de coisas, como peças e eventos, as quais achava que não iriam me acrescentar. Foi um período bem difícil e só consegui fazer isso por causa do apoio da minha família. Fiquei estudando, fiz um pouco mais de Psicologia e respeitei meu tempo.” O período, porém, lhe rendeu espécie de crise existencial. “Passei algumas dificuldades, financeiras e psicológicas. Minha autoestima foi lá embaixo. Não tinha respostas que eu queria naquele momento.”

O retorno que ela tanto esperava surgiu dois anos depois, quando a Rede Record a convidou para uma novela. “Esse trabalho me rendeu proposta de contrato e, nesse mesmo período, a Globo me chamou para Amazônia. O papel era muito pequeno e foi difícil definir o que fazer, porque o personagem na Record era maior.” Dúvida de novo.
Juliana resolveu seguir conselhos de pessoas as quais confia e também ouvir o coração. Ficou na Globo. “Depois de Amazônia fiz teste para novela das seis, que eu não passei, mas eles me contrataram.”

O personagem que a consagrou de forma definitiva foi Gislaine, a espevitada periguete de Duas Caras. As boas-vindas vieram com direito a horário nobre. “Me deu reconhecimento. E foi uma novela das oito. Nessa época já estava mais consciente da atriz que eu era, sabia até onde podia ir.” O papel cresceu na trama e a atriz caiu nas graças do público com tiradas e bordões engraçados, como “tudo que é bonito é para se mostrar.” O resultado foi além das expectativas e Juliana ganhou o prêmio de atriz revelação em 2008. “Tudo foi incentivo para continuar.”


PRECONCEITO

Carregar o rótulo de ex-BBB não é tarefa fácil. A entrada da ex-participante para o elenco global causou certo incômodo em colegas –  o que ela diz que tirou de letra. “Percebia que tinha tratamento estranho por parte de alguns, uma ou outra pessoa apresentava desconfiança. Mas entendo perfeitamente. Nada que tenha me feito sofrer muito. Sabia que com o tempo seria superado, além disso, tinha tantas outras coisas mais importantes para sofrer e me preocupar naquele momento.”

A superação também ocorreu graças à confiança que Juliana adquiriu em si mesma e no próprio trabalho. “Se eu não estivesse sendo honesta comigo, se não acreditasse no meu trabalho como atriz, sofreria. Mas sabia que a verdade apareceria mais cedo ou mais tarde.”

A experiência e a passagem dos anos também são aliados da atriz, que se diz menos ingênua agora. “Eu era emoção, se tivesse uma relação com alguém acreditava em tudo que me dizia. Hoje pondero, a razão tem peso maior. Tenho mais disciplina também”, contabiliza.


Foto: Vera Jordan
“Minhas conquistas não são individuais, mas têm muito a ver com a relação que tenho com as pessoas.” Foto: Vera Jordan

ADMIRAÇÃO MÚTUA

Mãos amigas também surgiram no caminho de Juliana, como as do diretor Jorge Fernando e do ator Lázaro Ramos. “Minhas conquistas não são individuais, mas têm muito a ver com a relação que tenho com as pessoas.”

A atriz, que sempre gostou do trabalho de Lázaro Ramos, mesmo antes de entrar para a TV, ficou surpresa ao saber que faria papel de irmã dele em Duas Caras. “Sempre admirei o Lázaro, como pessoa e como profissional. Ele é sensacional, um ator grandioso. E ele foi ótimo, ajudou a minha personagem a ganhar visibilidade. Jogava a bola lá em cima para mim.” Também exalta a sintonia com Stênio Garcia em Caminho da Índias.

Já o diretor global Jorge Fernando foi quem lhe deu a confiança que faltava para que arriscasse a primeira participação logo depois do BBB3. “Jorge sempre foi maravilhoso. Ele olhou no meu olho e falou: “Sei que você está insegura, mas vejo talento e acredito em você”. A parceria continuou. “Ele me acompanhou. Quando viu a Gislaine (de Duas Caras), veio falar comigo, me deu toques sobre o tom das frases.”

Também atribui seu sucesso à  extensão do império global. “A fama que tenho está associada ao veículo. Não me acho por isso. Se trabalhasse em praça pública, a qualidade seria a mesma, mas o reconhecimento, não.”


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