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Sem fronteiras no esporte

domingo, 5 de setembro de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Raquel de Medeiros

Fotos: Andréa Iseki

A raiz dele está em Santo André, mas a atuação de José Carlos Brunoro vai muito além do Grande ABC. De jogador amador dos campinhos da Vila Bastos, chegou a técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, à Fórmula 1 e hoje administra a Brunoro Sport Business, que cuida da Confederação Brasileira de Basquete e do Centro de Treinamento do Palmeiras. Além disso, também acumula a função de diretor do futebol do Grupo Pão de Açúcar.

No Centro de Treinamento, 150 garotos recebem orientação. “Atendemos desde a equipe Sub-14 até profissional. Esse projeto é um sonho, foi idealizado há muito tempo com o Abílio Diniz. Temos um trabalho diferenciado com as crianças. A gente dá estudo, aulas de inglês e os que não conseguem ir para clube grande podem sair com diploma universitário. Já temos seis ou sete meninos na universidade”, afirma Brunoro, que para ficar mais perto desse projeto, mudou a sede de seu empreendimento para dentro do CT do Pão de Açúcar, em São Paulo.

Aprender a lidar com pessoas é seu maior desafio. “Lido com pessoas de todos os níveis e idades. Ao mesmo tempo em que acolhemos meninos carentes no Pão de Açúcar, na  outra ponta, atendemos diretores de grandes companhias e empresários.” Apesar de ter passado praticamente a vida administrando, Brunoro adora jogar. “A melhor coisa do esporte é ser atleta, a segunda, é ser técnico e a terceira, é ser dirigente.” Mas revela que raramente se aventura nas quadras. “Pratico caminhada, bicicleta e musculação no mínimo três vezes por semana. Há algumas semanas passei férias num hotel no Nordeste e me pus a jogar vôlei. Foi um espetáculo dantesco (risos). Havia 15 anos que não jogava. Ainda bem que ninguém filmou.” O que aprendeu na época de atleta não esquece. “Tenho saudade. Foi no vôlei onde tudo começou. E foi também o vôlei me ensinou a superar os desafios.”

Entre vôlei e futebol, Brunoro fica com a primeira opção. “O futebol tem muitas nuances que fogem do espírito esportivo, então, é preciso ser inteligente para lidar com aquilo e não
desistir em função dos bastidores. Tem muito interesse financeiro por trás. Ainda bem que dentro de campo o jogo continua emocionante.”

FAMÍLIA

A carreira no esporte fez com que deixasse a vida pessoal em segundo plano. Foi diretor de esportes da Parmalat de 1992 até 1997. Depois se aventurou sobre as rodas da Fórmula 1 , passando cinco anos viajando para todos os grandes prêmios. Com isso, acabou adiando o projeto de constituir família, só se casando aos 48 anos. “Talvez também por não ter
encontrado a pessoa certa. Aí me casei um pouco mais tarde. Um pouco não, bastante (risos).”

Brunoro viveu 48 anos em Santo André. Depois, mudou -se para a Capital. Hoje a rotina dele é divertida em dose dupla, tudo por conta do casal de filhos, Franco, 6 anos, e Laura, 4. “Eles têm uma dúvida, não sabem se sou pai ou avô”, brinca.

Entre os planos para o futuro, está o de aumentar a participação na Educação. “Criei há oito anos um curso de Gestão de Esporte e agora quero ver se crio outro projeto com alguma faculdade que tenha abrangência nacional, onde possa passar toda experiência que tive por aí. Gosto muito de dar aulas.” E foi justamente nas aulas de Educação Física na Escola Estadual Américo Brasiliense que foi apresentado ao esporte. “O primeiro jogo que participei oficialmente foi no Pinheiros. Quando vi aquele clube fiquei deslumbrado. Tinha 14 anos, nunca pensei que haveria um lugar tão bonito e achei que o esporte poderia me dar oportunidade de crescer.”

Fazer faculdade de Educação Física foi consequência natural. Quando percebeu que não chegaria à seleção como jogador, decidiu que o faria como técnico. Aos 19 anos, quando começou a dar aulas numa escolinha de esporte, nunca pensou que alcançaria, de fato, a Seleção Brasileira. “É um orgulho pra mim. A gente começa sonhando..”

E de sonho em sonho, Brunoro segue, faminto por voos ainda mais altos. “A palavra aposentar para mim é ofensa. Preciso estar muito em atividade para acompanhar meus filhos.
Necessito estar bem fisica, emocional e culturalmente e a motivação vem deles. Enquanto todo mundo estaria pensando em parar com 60 anos, eu penso em continuar.”


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