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Um perfeccionista no canteiro de obras

domingo, 5 de setembro de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Eliane de Souza

Dedicação e atenção aos detalhes são os pilares de Rui Dalla para prosperar no mercado imobiliário do Grande ABC

Fotos: Andréa Izeki

Pela primeira vez é maior a oferta de imóveis na região metropolitana do que na Capital. O Grande ABC leva fatia considerável deste mercado. Pesquisa do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais) com a AcigABC mostra que no primeiro semestre houve oferta de imóveis 106% maior em relação ao mesmo período de 2009. Mesmo com a chegada de novos empreendimentos oferecidos por incorporadoras forasteiras, os endinheirados da região não compram imóvel sem previamente consultar o arquiteto Rui Dalla. “O Grande ABC se desenvolveu, mas ainda mantém algumas características interioranas, como a de fazer negócios com  conhecidos“, explica o empreendedor. Assim, a carteira de clientes cresce à base de indicações, além de somar clientes cujos pais já adquiriram imóveis na Dalla.

Ele está no mercado há cerca de 30 anos, e há 10 lidera a Dalla Construtora. O foco da empresa é construção a preço de custo, tanto para residências quanto para edificações comerciais. A nomenclatura pode assustar os mais leigos, mas a modalidade é comum no meio imobiliário. O imóvel a preço de custo é caracterizado pela venda antes de iniciada ou mesmo durante a fase de construção da obra. Outras modalidades são construção a preço fechado ou com financiamento. Não à toa o empreendimento é vendido totalmente na  primeira semana.

Rui Dalla descobriu-se arquiteto bem antes de cursar a faculdade, pois trabalhava desde os 13 anos na construtora do irmão Rubens Dalla, a Ortega, Dalla e Hazoff, em Santo André. Começou como office-boy, depois desenhista e decidiu abrir a própria empresa quando concluiu o curso de arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Brás Cubas, em Mogi das Cruzes.

Para Rui Dalla, não adianta só gostar de arquitetura. É necessário ter amor pelas pranchetas e pelas vendas também. Ele leva ao pé da letra o ditado que diz que é o olho do dono que engorda o rebanho. Não por acaso, todos os edifícios projetados por ele têm vendas esgotadas. Ele faz questão de acompanhar a visita de possíveis compradores ao imóvel e não se dá por satisfeito enquanto não fechar negócio. E esse tino para o comércio é o que as duas filhas também querem herdar do pai.

A primeira obra foi uma casa para um primo no Bairro Jardim, onde reside há 30 anos. O primeiro briefing não tinha nenhuma exigência, então construiu algo grande para o casal que tem quatro filhos. Uma edificação ao estilo contemporâneo para a época, bem antes de o mercado imobiliário oferecer tantos atrativos em projetos residenciais. A construção já denotava uma das principais características de Rui: conforto. “Sou a favor de construir todos os quartos com suítes. É muito mais agradável porque respeita a individualidade de cada um dos moradores“, acredita.

PROJETOS

A agenda concorrida não permite que o arquiteto se dedique a projetos residenciais. O foco agora são lançamentos de edifícios que a própria construtora desenvolve. “A casa me toma muito tempo para absorver esta demanda de trabalho“, justifica. A empresa atualmente trabalha com cinco grandes projetos, um deles com as vendas esgotadas.

A construtora compra o terreno em grupos, quase todos nos bairros Jardim e Campestre, em Santo André. Desenvolve o projeto, chama os sócios do terreno, abre a venda, fecha as cotas e inicia a construção. Agora estão entregando o Absoluto, na Rua das Figueiras, um prédio comercial com 340 metros de laje, arrojado em segurança, com fechaduras  acessadas por meio de códigos, três elevadores de alta performance, incluindo um de maca. Lá já estão instalados um consultório médico e um centro cirúrgico.

Na Rua das Paineiras há prédio residencial de 150 metros quadrados totalmente vendido, que deverá começar a ser construído entre novembro e dezembro. São 30 apartamentos com duas coberturas dúplex de 300 metros quadrados. Na Rua das Caneleiras também há um residencial com apartamentos de 230 metros quadrados, com 22 andares, quatro vagas de garagem e quatro suítes, mais escritório, sala de TV, ar-condicionado. Foi lançado outro na Rua João Ribeiro, com apartamentos de 180 metros quadrados, dois por andar, com duas ou três suítes, com terraço gourmet, 16 andares, também com duas coberturas dúplex de 300 metros quadrados.

Aguarda a aprovação da Prefeitura para outro empreendimento na Rua dos Coqueiros, com apartamentos de 75 metros quadrados. Outro em fase de análise é o projeto comercial da Rua Francisco Alves com salas de 180 metros quadrados. E por aí vai. “Este ainda está sem nome, costumo defini-los com a minha família, com todo mundo dando palpites“, diverte-se. “Este também já está praticamente vendido, antes mesmo da abertura de vendas“.

Nem só de condomínios de alto padrão vive a Dalla Construtora, que acabou de lançar um condomínio popular de 18 casas térreas em Taubaté.

Com as vendas que acontecem de forma relâmpago, o construtor atribui o sucesso à credibilidade adquirida em 30 anos de mercado. “Quem vê os prédios já entregues e a qualidade do acabamento, o projeto, o local, e os materiais empregados atesta a qualidade dos nossos empreendimentos. As vendas sobem a cada novo prédio“.Cada imóvel tem um preço de custo médio de R$ 500 mil.

Com tantos empreendimentos com vendas já consolidadas antes mesmo da construção, Rui Dalla se queixa que não há como comprar mais terrenos na região por conta dos altos preços. “A legislação municipal faz com que hoje a construtora aproveite menor área do terreno em relação ao que se podia construir anteriormente. Antes era possível construir quatro a cinco vezes a área do terreno, hoje não passa de duas vezes e meia. Pode até ultrapassar o limite, mas o pagamento da outorga não é barato e inviabiliza a edificação da obra porque encarece muito o imóvel ao consumidor final.“

Para ele, o diferencial está na preocupação com todos os detalhes, desde alvenaria, hidráulica, elétrica, fechaduras, metais, louças, azulejos, mármore, granito. “Temos o cuidado
de escolher tudo“, ressalta.

TENDÊNCIAS

O perfil dos clientes é variado. Nestes 30 anos à frente de negócios imobiliários, Rui Dalla percebeu que o boom de apartamentos e condomínios fechados não acompanhou um forte desejo dos consumidores, que ainda é o de morar em casas. “Eles partem para estas moradias porque perceberam, que com a segurança precária que temos hoje, é impossível viver em casa. Não que o apartamento seja muito mais seguro, mesmo assim é preciso se munir de câmeras, segurança na portaria. O medo muitas vezes prioriza o conforto na hora de escolher um novo lar“, relata. A aposta de Rui Dalla seria construir um grande condomínio com casas, o que atualmente é inviável por falta de oferta de terrenos. E quando tem, o custo-benefício não compensa para edificação de uma obra. “Isso acontece também porque Santo André é uma cidade agradável. Oferece de tudo, temos bons imóveis, profissionais,
hospitais, médicos, restaurantes e uma estrutura urbana bem organizada que compete igualmente com São Paulo. Tem muita gente que vem da Capital para morar aqui em busca de
qualidade de vida a um custo bem mais barato“, analisa Rui Dalla.

O trânsito é um dos problemas paulistanos que está se tornando comum também no Grande ABC. Mas o empresário é otimista em relação a esse problema. “Percebo que a Prefeitura tem trabalhado essa questão. Noto isso a cada vez que vou aprovar um novo projeto e me deparo com a legislação buscando soluções para este entrave“, certifica. Ele acrescenta que a região precisa de estudo viário aprofundado para identificar onde é possível melhorar o trânsito da região e que as vias principais já não dão conta do intensotráfego do Grande ABC.

ROTINA

Rui Dalla, 59 anos, é daqueles empresários acelerados que não têm tempo de almoçar e que só sai de um telefone quando o outro toca. E isso até mesmo nos fins de semana. O
pacote de bolachas em cima da mesa denuncia que aquela é a sua principal refeição do dia. Pede desculpa pela bagunça e solicita que a secretária providencie rápida limpeza. Enquanto fala ao telefone, aponta para a funcionária quais pontos ainda não foram lustrados. O gesto denota que perfeccionismo faz parte da rotina do arquiteto.

O cuidado também é extremo no canteiro de obras, lugar onde Rui dá expediente todos os dias. Faz os projetos, coordena as vendas, vê os contratos, executa as obras, compra os materiais, determinada fachadas, documentação e ainda leva os clientes para visitarem os imóveis prontos. Tudo passa pelo empresário. Entra nas obras às 7h e não tem hora para sair, estendendo a jornada até por volta das 21h. Às vezes se permite sair às 18h30 para visitar o neto. “Não vou para a praia desde o Carnaval“, isto porque a família conta com uma
belíssima casa em Ilhabela, litoral Norte de São Paulo.

A família é suporte também nos negócios. A mulher Ivani e as duas filhas, Marília e Camile, trabalham com ele. Uma cuida da administração e outra é decoradora. A rotina de trabalho
não é das mais fáceis, ele diz que há dias que as filhas saem chorando do escritório. Exigência faz parte e a cobrança não é amenizada nem quando vem do pai. “Elas me entendem“,
justifica. Embora não tenha tempo para hobby, o arquiteto viaja com a família pelo menos duas vezes ao ano em férias que não duram mais de uma semana. Já foram para Cancun, Paris, Argentina e Estados Unidos.

A modéstia é uma característica marcante de Rui. Questionado sobre o sucesso da liderança, responde que não se considera um líder e fica na dúvida se é realmente um profissional
capacitado. “Acho que tenho muitas falhas as quais preciso corrigir, da parte administrativa, do comando, estou sempre procurando melhorar. Mas o tempo está tão curto que não consigo parar para me aprimorar, o que não é correto. A minha sorte é que estou cercado de pessoas que me admiram e considero meu ambiente de trabalho uma grande família“, derrete-se. Ele confessa que tem dificuldades como qualquer outra estrutura empresarial teria, com brigas e dias em que a mulher não lhe dirige a palavra em casa. “Mas a nossa família é muito unida, tudo gira em torno da construtora e os clientes. Nós não conseguirmos agradar a todos, porém a nossa maior preocupação é fazer o melhor e tentar direcionar o apartamento que a pessoa vai comprar de forma a deixar nossos clientes satisfeitos. E por isso eu cobro e muito. A equipe briga, chora, mas no fim, acertamos todos os ponteiros“.

Casado há 34 anos, pondera que casamentos são feitos por momentos bons e ruins, temperados principalmente por seu gênio forte. Característica que ele confessa que mudou depois de uma fatalidade, o acidente de moto no Guarujá que vitimou o filho Gabriel, de 16 anos, em 2002. Impossível para este pai falar disso sem se emocionar. “É uma ferida que não apaga de jeito nenhum. E até faço questão que não se apague mesmo, quero que sempre ele fique aí para ser lembrado“, diz apontando para o porta-retratos em clique que o  adolescente aparece sorrindo ao lado da mãe. “Tenho minhas filhas, meus netos e tenho que tocar a bola pra frente“, afirma orgulhoso este construtor que faz da família o alicerce
de sua vida. 


Comentários

JOSÉ MESTRE REBELLO
10/01/2012
COMO ENGENHEIRO ADIMIRO MUITO AS OBRAS BEM CONCEBIDAS, PLANEJADAS E EXECUTADAS PELA DALLA CONSTRUTORA QUE TEM A SUA FRENTE O MEU AMIGO E ARQUITETO RUI DALLA. PARABÉNS PELA MATÉRIA ABRANGENTE...
ANA LUCIA NUNES
05/10/2011
E mesmo um vencedor, uma pessoa vencedora e que tem uma familia maravilhosa! Parabens pelo sucesso muito merecido.
ROBERTO RODRIGUES
18/09/2010
parabens pela entrevista com esse vencedor, o abc precisa de homens com o Rui , que investe aqui mesmo.a ferida qual o rui se refere, ele falou a verdade um pai quando perde um filho a ferida nunca se fecha pelo contario ela fica exposta para lembrarmos que somos mortais e dependemos da ajuda de Deus para amenizar a dor pela perda.

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