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Tammy: a queridinha da vez

quinta-feira, 9 de setembro de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Eliane de Souza

Quem aos 20 anos de idade teria coragem de se despedir diante dos olhos críticos do polêmico cineasta Arnaldo Jabor? A bela e angelical Tammy Di Calafiori encarnou a personagem de Demi More em Strip Tease e tirou a roupa para viver um dos papéis mais importantes de sua vida: uma striper intocável no filme A Suprema Felicidade, longa que marca a volta de Arnaldo Jabor ao cinema depois de 23 anos de jejum.

A gravações já começaram e Tammy inicia sua participação neste mês ao lado de Jayminho Monjardim, o Paulinho, seu par romântico na telona. A Marylin de A Suprema Felicidade deve definitivamente deixar para trás o papel da doce Virgínia, que protagonizou em Ciranda de Pedra, última novela global das seis. “Eu sou praticamente de época por conta de tantos personagens assim que já fiz. Poder interpretar uma mulher sensual é um presente para mim, é a idealização de qualquer atriz”, revela a jovem, dona de imensos olhos verdes.

Bastidores
Os cabelos curtos a la Amélie Poulain, o sorriso gratuito, os imensos olhos verdes e o vestido azul em tudo lembravam uma boneca que tinha acabado de sair da embalagem. À primeira vista, é difícil imaginar que Tammy Di Calafiori é a escolhida de Arnaldo Jabor para viver a dançarina sensual no melhor estilo Marilyn Monroe no cinema.A menina pede perdão pelo atraso de pouco mais de 40 minutos. Estava na aula de espanhol. Uma jovem tão educada e angelical seria capaz de aceitar o desafio da reportagem e falar com desenvoltura sobre sexo, fidelidade, prostituição e detalhes sobre o teste para o filme? A conversa com a reportagem da Dia-a-Dia Revista ocorreu durante a maquiagem. Cílios curvados, olhos definidos, boca avermelhada e pele de pêssego. Era como se a transformação também a deixasse mais à vontade para consolidar seu alter ego de mulher fatal, capaz de fazê-la responder todas as perguntas e surgir bela no editorial que ilustra as próximas páginas.

O teste
Tammy Di Calafiori iniciou os testes para o filme no final do ano passado, pouco depois de concluir a novela Ciranda de Pedra. Foi selecionada em duas leituras de texto e o teste definitivo foi realizado diretamente com o cineasta: um strip tease. “Para mim foi constrangedor. A vergonha é inevitável, mas a gente vai se soltando. A personagem é tão desafiadora para mim... E não sou eu nua, é a personagem que está ali. No final da cena sim. Aí eu sou Tammy, morrendo de vergonha, ficando roxa, amarela...”, revela com uma gargalhada que não a deixa mentir.

Ela revela que um dos principais motivos para ter lutado pelo papel foi sua identificação com a personagem.“Eu tenho muita coisa dela e ao mesmo tempo muitas diferenças também. Isso é um grande desafio. Compartilhamos a mesma meiguice, mas ela é mais sensual. Ela sabe usar o corpo dela porque trabalha com isso”, conta a atriz, que provou também ser capaz de usar a sedução a seu favor. 

A personagem é uma dançarina de 16 anos que dubla Marylin Monroe num cabaré dos anos 1950. Ela é virgem e ninguém toca nela, uma espécie de garota-fetiche do bordel que mostra tudo, mas não está disponível para programas. Tudo muda quando ela encontra Paulinho, o primeiro cliente de sua faixa etária. A partir daí os dois se apaixonam e têm sua primeira noite de amor.

 O protagonista é interpretado por Jayminho Monjardim, que deu vida ao próprio pai na fase adulta – o diretor Jayme Monjardim – na minissérie Maysa. “Tivemos muita afinidade de cara. Conseguimos essa afinidade tendo muito respeito um pelo outro. Ele me deixa a vontade, porque nossas cenas são fortes. Apesar da pouca experiência, ele tem um feeling muito bom. Tem sido ótimo trabalhar com ele”, revela. A Suprema Felicidade é o segundo longa-metragem de Tammy. Ela participou de Meu Nome não é Johnny na pele de Laura.

Laboratório
Para entrar no clima de fetiche, ela e a produção frequentaram diversas casas noturnas e conversou com muitas garotas de programa. “Eu tinha uma versão meio burguesa desse mundo. Há meninas que fazem faculdade e estão ali apenas pelo dinheiro. Algumas ganham entre R$ 10 e 15 mil por mês. É uma grana considerável”, afirma impressionada com o valor dos salários. “Muitas ali nunca teriam como ganhar esse dinheiro de outra forma”.

Ela reconhece que o contato maior com este universo a fez rever muito dos seus conceitos. “Não é só aquela coisa esdrúxula, da puta. Tem muitas putas super doces e queridas, e que estão ali por diversas situações. Acabei humanizando mais elas, não pregulgando. Muitas vêm de longe em busca de uma oportunidade que não deu certo e encontraram alternativa nesse caminho. É um pouco comparável com o tráfico. É uma oportunidade de o cara ter o dinheiro dele para comprar o tênis que ele quer. Vai trabalhar com o quê? Ser moto boy para ganhar R$ 300 por mês?”, afirma. 

Infidelidade
No longa, o cabaré dos anos 50 é o cenário da iniciação sexual de Paulinho. Porém é impossível não relacionar frequentadores de casas noturnas a maridos infiéis. Tammy não concorda que uma striper possa rotulada como uma destruidora de lares, já que os homens procuram diversão por livre arbítrio.“Conversei com uma prostituta, ela disse que eles fantasiam sobre fetiches que não podem fazer com a esposa. Pedem para que a garota finja que é casada, porque adoram transar com mulheres compromissadas”, conta.

Embora ainda seja muito jovem, Tammy acredita que um relacionamento com diálogo pode impedir, por exemplo, que alguém procure satisfação sexual fora de casa. “Às vezes esses homens não têm uma relação aberta com a mulher. Tem desejos que a mulher não satisfaz. É difícil dizer isso, mas santo ele também não é”, alfineta.

Como sua personagem no filme, Tammy também encontrou garotas de programa que se apaixonaram por seus clientes. O amor pode até ser vir de conforto em profissão em que fingir orgasmos faz parte da rotina. “E muitas conseguem unir o útil ao agradável”, brinca.

Carreira
O rosto de Tammy é aparentemente novo na TV. Aos sete anos fez comerciais, parou a carreira e voltou aos 11 fazendo teatro no colégio. Chegou na Rede Globo por meio de contatos de produtores e participação em testes. Participou das três novelas de época Começar de Novo, Alma Gêmea e a já citada Ciranda de Pedra, nesta última como a protagonista Virginia. Foi apontada como nova aposta da emissora, mas agora está sem contrato. “O que não é ruim, de outra forma eu não conseguiria fazer o filme”, pondera.

A mãe não queria que ela fosse atriz por causa da instabilidade da profissão. Se tivesse seguido os conselhos maternos, hoje seria veterinária em Minas Gerais. Quanto mais se tornar a bonequinha de desejo nos cinemas. “Ela ficou apreensiva no início, mas sabe que o Jabor é uma pessoa respeitada, que não vai me prejudicar. E se eu estou topando ela tem mais é que aceitar”. E o namorado, gostou? Nesse momento faltam palavras à entrevistada, ri desconcertada, desvia o olhar, gagueja e, com a insistência da repórter, finalmente responde: “Ele (o ator João Gabriel Vasconcelos) sempre apoiou minhas decisões. Entendo que não deve ser muito fácil ver a namorada fazendo strip tease”, conta.

Mas em breve quem terá de ter nervos de aço é a própria Tammy. Pois o namorado irá protagonizar o polêmico filme Do Começo ao Fim, de Aluizo Abranches, que será apimentado por relação homossexual e incestuosa

A Suprema Felicidade
O longa-metragem marca a volta de Arnado Jabor aos sets de filmagem. O último filme do currículo foi Eu Sei que Vou te Amar, de 1986. A Suprema Felicidade se passa no Rio de Janeiro do final da década de 50, tendo como base algumas de suas crônicas publicadas nos jornais inspiradas em memória afetiva, descobertas políticas, sexualidade e sonhos. Mesmo tendo a cidade como pano de fundo, a película trata de pessoas com referências do próprio Jabor, mesmo as inventadas.

A narração é de uma família tentando ser feliz, em torno de um garoto, Paulo, e sua história de formação entre os 10 e 18 anos. O contexto carioca era de uma cidade que oscilava entre a tristeza da classe média moralista e uma imensa alegria e liberdade sexual e musical que se expressava no samba.

O pai, um aviador da aeronáutica, e a mãe, uma linda e romântica mulher, se amam, porém não conseguem ser felizes. O avô, um músico do jazz brasileiro (choro), protagoniza o contraponto à tristeza, apresentando ao garoto a beleza da alegria. O elenco conta com a participação Marco Nanini, Dan Stulbach, Elke Maravilha, Mariana Lima, Maria Flor, João Miguel, Ary Fontoura, Maria Luisa Mendonça e Jayme Matarazzo. A previsão é de que a película seja lançada em circuito nacional no início de 2010.

 


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