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| Presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, Hécliton Santini. Foto: Gregory Grigoragi / Divulgação |
Que atire a primeira pedra quem nunca escutou: “Os diamantes são eternos”. Sim. Eles até podem ser eternizados, mas isso não significa que sejam os mais caros. O marketing criado em cima deles foi o que os fizeram únicos. A explicação é do presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos, Hécliton Santini. Ele destaca na coluna de hoje curiosidades e explica como está o mercado para quem trabalha com as preciosidades no País.
Santini também conta que, apesar de os homens estarem comprando mais, as mulheres ainda são as responsáveis por 90% do consumo de joias. E mais: metade das vezes que elas vão à joalheria é para presentear a si próprias. E quem pensa que o Brasil está longe de ditar moda no setor, engana-se. O País tem incentivado a criação de lapidações diferenciadas para que peças únicas sejam criadas.
Há alguma pedra encontrada apenas no Brasil?
O topázio imperial só dá em Ouro Preto. E, até recentemente, a turmalina paraíba só era encontrada aqui, mas, há cerca de cinco anos, foi achada também na África. No entanto, ela não tem a mesma qualidade que a nossa, tanto que vale, em média, 50% a menos.
Elas são exportadas?
Não muito, pois são raras. Mas, a turmalina paraíba, por exemplo, quando encontrada, vai para o Japão. O povo de lá é fascinado pela pedra. Mas o que exportamos bastante
são os quartzos.
Qual é o país que mais consome joias?
Em primeiro lugar está a Índia. A seguir, vem os Estados Unidos, mas acredito que até o final deste ano a China ocupe o segundo lugar no ranking.
O Brasil fica em qual lugar?
Hoje,ocupa a 13ª posição no consumo e a 17ª em fabricação.
Qual é o Estado brasileiro que mais produz pedras e metais preciosos?
Entre os maiores estão Minas Gerais, Pará, Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Quantos empregos são gerados nesse ramo no Brasil?
Se levar em consideração toda cadeia produtiva, que inclui mineração, indústria e comércio, cerca de 310 mil pessoas são empregadas na área.
Como está o mercado para quem trabalha com joias?
Estamos nos recuperando. O mercado está mudando muito. Nos últimos anos teve uma transformação nos canais de comercialização e fabricação. Antigamente, existia a pessoa que produzia, a que importava e a que vendia. Hoje, as lojas passaram a fazer tudo. Com as empresas enxutas, o mercado ficou mais competitivo. Então, classifico esse período como de adaptação.
As pedras sintéticas acabam interferindo na venda das originais?
Apesar de os materiais sintéticos atingirem outro público, sempre há interferência.
E as bijuterias mais finas?
O bom é que tanto quem as produz quanto quem trabalha com folheados têm incorporado as pedras naturais como forma de diferencial.
As pessoas têm utilizado mais pedras?
Sim. É tendência mundial. Como o preço do ouro subiu muito nos últimos dez anos, as pessoas começaram a recorrer mais à prata, fazendo com que as pedras fossem incorporadas para causar maior impacto visual. As pedras, hoje, são consideradas as rainhas das joias.
Antigamente, as peças preciosas eram mais valorizadas?
O que acontecia é que, antes, as pessoas marcavam os ritos de passagem – como aniversário de 15 anos, bodas, Natal, casamento –, presenteando com joias. Hoje, elas concorrem com os eletrônicos.
Qual é o tipo de ouro que está em voga?
Depois da explosão do ouro rosa, agora estão fazendo o ouro verde, no entanto, o amarelo e o branco são os mais vendidos. Mas é válido lembrar que a prata tem crescido muito por causa do banho de ródio, que deu qualidade à prata.
Toda pedra preciosa é gema?
Sim. Toda pedra preciosa é uma gema, mas nem toda gema é uma pedra. Por exemplo, são gemas o âmbar, a pérola.
O que define se a pedra é preciosa ou semipreciosa?
O termo semiprecioso não é mais usado, apesar de existir. Ele foi criado para valorizar o que existia na época; gemas como rubi, safira, esmeralda e diamantes. Agora, o que define a preciosidade são outros atributos. São eles: raridade, cor, tamanho e lapidação.