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Interativos ao extremo

segunda-feira, 9 de agosto de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Miriam Gimenes

Antes eles obedeciam os limites da ficção. Apareciam apenas no horário determinado da novela da qual faziam parte e se despediam do público assim que o letreiro final mostrava que o capítulo do dia havia terminado. Com a chegada da internet, no entanto, os  personagens não deixam mais saudades aos telespectadores.

É que desde a novela Viver a Vida, da Rede Globo, quando a personagem Luciana (Alinne Moraes) resolveu fazer um blog com a ajuda da irmã Mia (Paloma Bernardi) para dividir suas dificuldades e conquistas quando ficou tetraplégica, o mundo da virtual invadiu os folhetins.

Agora, até o badaladíssimo estilista Jacques Leclair (Alexandre Borges) divide as coleções que cria para seus desfiles (veja croqui ao lado). Além dele, Melina (Mayana Moura), de Passione, também fala de seu trabalho como estilista e das peças que cria. É claro que não são os próprios Alexandre ou Mayana que sentam na frente do computador e escrevem os posts, mas sim uma equipe de web do folhetim. Mas cada vez mais este tipo de artifício está sendo usado pela emissora.

Segundo o especialista em telenovela Claudino Mayer, esse tipo de iniciativa foi tomada para reaver a audiência das telenovelas. “Cada vez mais as pessoas têm deixado a televisão de lado e migrado para a internet. Chamar a atenção dos internautas para os personagens é uma forma de fazer com que essa pessoa volte a acompanhar novamente o folhetim”, explica.

E não apenas esta ferramenta é utilizada. Jacques Leclair agora – diferentemente da primeira versão da novela, em 1985 – tem até Twitter e já conta com 2.033 seguidores.


ALGUM PROBLEMA?

Mayer não vê problema em o internauta interagir com os personagens. No blog de Luciana, por exemplo, havia muitas mensagens para que a personagem tivesse força para superar seus problemas. “Mas é bom ter em mente que trata-se de uma história fictícia, para que isso não se torne uma dependência e nem se tenha a ideia errada de que pode mudar o  destino do personagem.” Quem decide isso,ele ressalta, é o autor e estas ferramentas da internet são apenas uma forma de aproximar o público da ficção.


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