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Aos pés dos Alpes

quinta-feira, 5 de agosto de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Heloisa Cestari

Foto: Centro de Turismo Alemão (DZT) Divulgação
Spa com fonte de água medicinal é atrativo da fascinante Rota Alpina. Foto: Centro de Turismo Alemão (DZT) Divulgação

Além de permitir caminhadas, passeios de barco e até de zepelim, a cidade de Lindau serve de ponto de partida para uma das mais tradicionais rodovias turísticas da Alemanha: a Rota Alpina, que corta o Sul da Baviera até a cidade de Berchtesgaden.

Bem-sinalizada e com impecável estado de conservação, a rota - criada na década de 1920 como alternativa ao transporte em navios - ganhou fama entre os turistas devido à imensa concentração de atrativos que podem ser contemplados ao longo dos seus 450 quilômetros de estrada, que reúnem nada menos que 25 fortalezas e castelos, 21 lagos ao pé de montanhas e uma infinidade de spas e resorts.

A partir de Lindau, a paisagem passa a ser dominada pelos picos eternamente nevados da Alemanha, da Áustria e da Suíça, até chegar à balneária Oberstaufen, cujas águas apresentam propriedades medicinais indicadas a uma série de doenças.

Banho tomado e alma lavada, segue-se, então, a Füssen, que também sinaliza o fim da Rota Romântica, e o início da série de ‘palavras'' impronunciáveis que nomeiam a maior parte dos castelos da região. A começar pelas imponentes construções de Neuschwanstein e Hohenschwangau, erguidas no século 19 para o deleite do rei Ludwig II (1845-1886), o Louco, famoso por sua vida sentimental agitada e seus rompantes de romantismo.

A paixão pela prima Sissi, imperatriz da Áustria, e a amizade com o compositor Wagner eram os casos mais comentados do chamado "rei dos contos de fada da Baviera".

Hoje, encenações musicais sobre a trajetória de ‘loucuras'' do monarca Ludwig II podem ser conferidas à beira do Lago Forggem, situado em frente ao Neuschwanstein.

De volta à estrada, outros dois pontos de parada imperdíveis são as eletrizantes cidades de Garmisch-Partenkirchen e Bad Tölz, que oferecem irrecusáveis convites à prática de esportes de aventura, especialmente o rafting, antes de se chegar à última etapa da Rota Alpina, na histórica Berchtesgaden, situada aos pés do monte Watzmann.


GARMISCH-PARTENKIRCHEN

O nome, pra variar, pode parecer estranho, mas a vocação natural da cidade é bem familiar dos aficionados por turismo de aventura. Conhecida como a capital alemã dos esportes ao ar livre, o município bem que tenta exaltar ares de frieza germânica com a neve que encobre os 2.964 metros de altitude do pico Zugspitze, a mais alta montanha do país, procurada por esquiadores e snowboarders de toda a Europa durante o inverno.

Mas basta aproximarem-se os meses mais quentes do ano para que o gelo derreta e os encantos da neve cedam lugar ao colorido dos paragliders e à adrenalina acalorada de atividades como alpinismo, mountain bike, golfe, balonismo e trekking ao longo de seus mais de 100 quilômetros de trilhas.

Desde quando foram eleitas sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1936, as antigamente separadas Garmisch e Partenkirchen passaram a compartilhar de uma única prefeitura. Mas a unidade administrativa estava longe de refletir-se entre seus habitantes que, até bem pouco tempo atrás, ainda viam com maus olhos o matrimônio entre homens de uma cidade e mulheres de outra.

Como Garmisch sempre esteve nas mãos dos alemães enquanto Partenkirchen manteve-se por um bom tempo sob o domínio romano, as diferenças entre os dois lados são visíveis até em alguns detalhes da arquitetura, que trazem comum apenas as sacadas floridas e paredes pintadas com motivos religiosos.

Mas, apesar das disparidades, não há como negar: pelo menos no que diz respeito a aventura, o casamento entre Garmisch e Partenkirchen deu certo e, hoje, a única coisa que as separa é mesmo o hífen.


BAD-TÖLZ

Na vizinha Bad-Tölz, também pertencente à Rota Alpina, a adrenalina prossegue por trilhas e locais para rafting. Seu maior destaque, no entanto, não fica por conta dos esportes, e sim das estações de água medicinal que garantiram fama aos spas da região, cortada pelo rio Isar.

De um lado encontram-se as fontes de água mineral. Do outro, as construções da Cidade Antiga, com seus afrescos coloridos e monumentos arquitetônicos que vão do barroco ao gótico tardio. Um verdadeiro banho de história.

Paixão em Oberammergau
Enquanto os beberrões celebram os 200 anos de Oktoberfest em Munique, cristãos de toda a Europa voltam seus holofotes para outra localidade da Baviera: Oberammergau, que tem servido de palco, desde maio, para a versão germânica do espetáculo da Paixão de Cristo.

A encenação - considerada o evento religioso e cultural mais importante do país - ocorre a cada dez anos e chega à 41ª edição com várias novidades. Cerca de 480 mil espectadores são esperados durante a maratona de 102 apresentações, que prossegue até 3 de outubro.

A famosa performance tem origem na promessa feita em 1633 pelos cidadãos que sofriam com os efeitos da Guerra dos Trinta Anos (1618 -1648) e tinham sua população dizimada pela peste negra.

O povo se comprometeu a encenar, a cada dez anos, o espetáculo contanto que não houvesse mais vítimas da epidemia. Desde então, ninguém mais morreu da peste no povoado, e já no ano seguinte a promessa foi cumprida. HC


COMO CHEGAR


A Lufthansa possui passagens para Munique iu Frankfurt com preços a partir de US$ 1.127 (cerca de R$ 2.000) . Tel.: 3048-5800. Site: www.lufthansa.com.

Pela TAM, as passagens de ida e volta custam a partir de R$ 2.560.

* As tarifas acima não incluem taxa e embarque e podem variar conforme a disponibilidade de assentos.


TRANSPORTE


Carro - Uma das melhores opções para conhecer a Alemanha é alugar um veículo. As estradas são tão bem conservadas quanto sinalizadas e a maioria dos carros conta com GPS. Se esse não for o seu caso, acesse o site www.germany-tourism.de, que oferece o mapa do trajeto e um planejador de rotas onde é possível calcular o tempo e a distância a ser percorrida. O motorista que parte de Berlim com destino a Munique deve dirigir 584 quilômetros pela Autobahn 9, no sentido de Leipzig. Após passar por Nuremberg, entre na saída 76 para chegar à capital da Bavária. Também é possível percorrer esse mesmo trajeto de trem. A viagem dura cerca de sete horas.

Trem - O passe German Railpass, que garante acesso à malha ferroviária alemã, custa entre 175 euros (R$ 407), por três dias em um mês, na segunda classe) e 430 euros (R$ 1.000), para dez dias em um mês, na primeira classe), sendo que crianças com menos de 6 anos viajam de graça e jovens de até 25 anos têm desconto no valor dos bilhetes.


PACOTES

Turistas brasileiros já podem visitar a Alemanha e a República Tcheca em uma mesma viagem. Os dois países firmaram parceria em abril e lançaram um pool com seis operadoras para vender os destinos integrados até o fim do ano. São elas: Designer (www.designertours.com.br), Flot (www.flot.com.br), New Age (www.newage.tur.br), Marsans (www.marsans.com.br), MGM (www.mgmoperadora.com.br) e TT Operadora (www.lufthansacc.com). O objetivo é aproveitar a proximidade para ampliar em 20% o fluxo de turistas brasileiros, especialmente para as capitais Berlim e Praga, além de contemplar as cidades de Karlov Vary, Cesky Krumlov e Pilsen, na República Tcheca, e as alemãs Dresden, Leipzig e Weimar.


ONDE FICAR

Bayerischer Hof (Munique) - A hospedagem sai a partir de 235 euros (R$ 547) por dia, com café da manhã. Tem ótimo clube de jazz e fica ao lado do burburinho da Marienplatz. Endereço: Promenadeplatz, 2-6. Site: www.bayerischerhof.de.

Schlicker (Munique) - As diárias partem de 93 euros (R$ 216) e continuam em conta mesmo durante a Oktoberfest. Fica na Tal, 8. Site: www.hotel-schlicker.de.

DSJ Hostel - Jugendherberge Strub (Berchtesgaden) - É uma das opções de estadia mais baratas da região dos Alpes. A diária custa 19,10 euros (R$ 44,50) no sistema Bed & Breakfast; 23,30 (R$ 55) com meia pensão e 26,50 euros (R$ 62) com pensão completa. Fica na Gebirgsjägerstrasse, 52. Site: www.jugendherberge.de/jh/strub.

Gasthof Alpenrose (Mittenwald) - O hotel, construído em prédio do século 18 numa das cidades mais charmosas dos Alpes, chama a atenção pelos jantares animados por bandas folclóricas da Bavária e pratos da culinária típica germânica servidos em seu restaurante. Endereço: Obermarkt, 1, 927-00. A diária sai a partir de 66 euros (R$ 154).


CLIMA

A maior parte da Alemanha está localizada dentro de uma zona climática temperada e marítima. Grandes oscilações de temperatura são raras. Há chuvas no decorrer do ano inteiro. A temperatura média no inverno é de 2°C, nas planícies do Norte da Alemanha, e de 6°C negativos nas montanhas. Em julho (verão), os termômetros variam de 18°C nas planícies do Norte a 20°C nos vales do Sul.


FUSO

O fuso horário alemão é de cinco horas a mais em relação ao Brasil.


INFORMAÇÕES

DZT (Centro de Turismo Alemão) - Rua Verbo Divino, 1.488, 3° andar, São Paulo. Tel.: 5181-2310. E-mail: [email protected]


NA INTERNET


www.visitealemanha.com
www.germany-tourism.de (inglês)
www.alemania-turismo.com (inglês e espanhol)


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