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| Rothenburg chama atenção pelas torres altas e janelas estreitas. Foto: Centro de Turismo Alemão / DZT / Divulgação |
Não é só Munique que tem data especial para festejar neste ano. Ainda na Baviera, a mais apaixonante das estradas completa 60 anos. Repletos de vilas medievais e castelos, os quase 400 quilômetros da Rota Romântica, que corta o Sul da Alemanha, têm o dom mágico de transportar o imaginário dos turistas a um autêntico mundo de conto de fadas, com direito a fortalezas, palácios, museus e ruelas da Idade Média que dão a impressão de que a qualquer momento o lendário rei Arthur poderá aparecer em uma esquina montado em seu cavalo. Para completar, a data está motivando a organização de uma série de exposições, passeios de trem a vapor e menus especiais em restaurantes. As festividades vão até o fim de outubro.
O ponto de partida da Rota Romântica é a cidade de Würzburg, à beira do Rio Meno, que goza da fama de possuir uma das noites mais agitadas da região devido à grande concentração de universidades. No fim da 2ª Guerra, os ingleses a bombardearam, mas sua restauração foi tão fidedigna que quem desconhece sua história não tem dúvidas de estar diante de obras autenticamente medievais, góticas e barrocas erguidas séculos atrás.
Muitas das 27 cidades que compõem o roteiro, aliás, foram bombardeadas durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945, e tiveram de investir pesado para reconstruir suas igrejas, palácios e casas nos mesmos moldes dos que foram destruídos.
Em seguida, chega-se à badalada Rothenburg ob der Tauber, que chama a atenção pelas suas torres altas, janelas estreitas e por um curioso museu: o do Crime, que expõe uma infinidade de objetos inusitados utilizados para castigar infratores no passado.
Apesar desse atrativo sombrio, o local é considerado por muitos como o mais charmoso de todo o percurso e quinta-essência do barroco romântico alemão. Um cenário de sonho com cheiro de chocolate no ar. Mais adiante, os principais pontos de parada da rota são Nördlingen e Augsburg, uma das cidades mais antigas da Alemanha, fundada pelo imperador romano Augusto em 15 a.C.
O ponto alto do passeio, no entanto, ainda está por vir: entre Schwangau e Füssen, o turista avista da própria estrada o lendário Schloss Neuschwanstein, que inspirou Walt Disney a idealizar o Castelo da Cinderela, símbolo do mundo de sonhos do parque. Perto dali, chega-se à Füssen propriamente dita, que marca o ponto final da rota e o início de muitas histórias para contar no retorno ao Brasil, acompanhadas, é claro, de muita salsicha e cerveja gelada.
TREM
De Munique, também é possível seguir de trem até Füssen. A viagem dura pouco mais de duas horas e permite vislumbrar da janela paisagens belíssimas aos pés dos Alpes. Na chegada, ainda dá para contemplar o complexo de castelos góticos de Hohes Schloss ou pegar um ônibus para visitar os emblemáticos castelos de Neuschwanstein e Hohenschwangau, situados a poucos quilômetros de distância.
LINDAU POR ÁGUA, TERRA OU DE ZEPELIM
Um dos contos infantis mais populares na Alemanha é a história de Rapunzel, que pendia da janela no topo de uma torre as suas gigantescas tranças, com laço de fita vermelho na ponta, para ajudar seu amado a chegar às alturas. Hoje, as formas de ficar mais próximo do céu são menos românticas, mas não deixam de ser inusitadas e um tanto quanto arcaicas. Na pequena Lindau - onde todas as sextas-feiras os turistas são convidados a sentar-se em almofadas ao redor da torre Mungturm, do século 13, para ouvir histórias da princesa -, a nostalgia chegou ao ponto de trazer de volta o centenário zepelim, extinto há mais de 60 anos depois de fazer sucesso nos céus do Sul alemão em meados do século passado.
A era dos dirigíveis entrou em decadência a partir de 1937, quando o zepelim alemão Hindenburg explodiu nos céus de Nova Jersey, nos Estados Unidos, levando 36 pessoas à morte. Na versão moderna, no entanto, o inflamável hidrogênio que preenchia os dirigíveis cedeu lugar ao gás hélio, que é inerte, ou seja, não corre o risco de entrar em combustão.
Relançado em 2001, o novo Zeppelin NT, com capacidade para 12 passageiros, realiza passeios de cerca de uma hora sobre as paisagens deslumbrantes do Lago Constance. Mas sua tecnologia está longe de reportar-se ao passado. Na versão atual, o ‘monstro'' dos ares conta com um computador de bordo que não deixa nada a perder para o dos modernos aviões de hoje em dia. A única desvantagem é que o preço também faz questão de chegar às alturas, girando em torno de US$ 300 por pessoa.
Quem não gosta de flutuar pelos ares como se estivesse em uma bolha de sabão também pode recorrer a passeios por terra ou água. O próprio Lago Constance que ilha Lindau - apenas duas vias de acesso ligam a cidade ao continente - serve de cenário para românticos passeios de barco a partir de seu píer, além de meio de transporte às populações de Bregenz, no lado austríaco.
Já em terra firme, o encanto e a nostalgia ficam por conta das caminhadas que podem ser feitas ao longo das ruas estreitas de Lindau, com suas construções tipicamente medievais, emolduradas pelos picos nevados que indicam a direção das fronteiras com a Áustria e a Suíça.
Uma das melhores vistas do lago e das montanhas de Lindau pode ser contemplada a partir do farol, de 33 m de altura, que substitui a Mangturm.
Outro monumento de destaque é a estátua do leão, de 1856, que simboliza o brasão bávaro a guardar o píer e a entrada da cidade, voltado à Áustria.
E na Praça Imperial encontram-se a Fonte Lindavia e a sede da antiga prefeitura, erguida entre 1422 e 1436. Embora seja raramente aberto ao público, o lado de fora do prédio exibe afrescos do século 19 restaurados na década de 1970, além de figuras mitológicas, frases emblemáticas e brasões de cidades vizinhas.