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| Cerca de 5,7 milhões de pessoas entronam o caneco durante a Oktoberfest, seja nos pavilhoes ou nos bares ao ar livre. Foto: Centro de Turismo Alemão (DZT) Divulgação |
Os coloridos jogos dos Gay Games ainda nem encerraram na cidade de Colônia e os alemães já começam a se preparar para entornar o caneco em outro grande evento do calendário germânico: a Oktoberfest de Munique, que em 2010 completa 200 anos de diversão e músicas típicas regadas a muita, mas muita cerveja. Para brindar os dois séculos de farra etílica, o governo da cidade organizou uma série de atrações especiais, além dos já tradicionais desfiles de carros alegóricos, concertos ao ar livre e brincadeiras com direito a montanha-russa e uma infinidade de opções gastronômicas.
Durante a famigerada celebração, que neste ano será realizada entre 18 de setembro e 4 de outubro, pavilhões abrigarão uma exposição comemorativa com objetos, espetáculos e pratos típicos que retratam a evolução da Oktoberfest ao longo dos anos.
O museu Münchner Stadtmuseum também abriu em julho a exposição Oktoberfest 1810 - 2010, que prossegue até 31 de outubro com objetos que fazem parte da história da festa, roupas, pinturas, fotografias e filmes. A mostra pode ser visitada de terça a domingo, das 10h às 18h.
Mas a principal atração promete continuar sendo a velha e indispensável cervejinha, que faz muito alemão falar alto, bater a caneca na mesa e dançar sem inibição alguma, apesar do vermelho das bochechas após algumas rodadas de chope.
Seguindo o costume mantido desde 1950, o prefeito abre o primeiro barril de cerveja com a frase O''zapft is! (O barril está aberto) e dá início à festa - que, apesar do nome, só pega o primeiro sábado de outubro. O motivo são as condições climáticas de setembro, mais propícias a eventos ao ar livre se comparadas à chuvinha gelada que tanto caracteriza o mês seguinte. E haja chope para esquentar o início de outono. Não à toa, a Baviera se gaba de abrigar um sexto das cervejarias de todo o planeta - as principais marcas alemãs são a Löwenbräu, a Paulaner e a Hofbräuhaus - e de ter consumo per capta de 300 litros da bebida ao ano, o dobro do registrado em todo o restante do país.
Outros números confirmam a preferência nacional: no ano passado, só nos 15 dias de festa, os 5,7 milhões de visitantes tomaram 6,5 milhões de litros de cerveja, além de 488 frangos, e 111 bois assados inteiros. Ufa!
Para acompanhar a cervejinha, também não faltam comidas típicas como o onipresente bratwurst (salsichão assado), o chucrute com carne suína (em 2009 foram consumidos 51,5 mil joelhos de porco) e os deliciosos lebkuchenherzen - biscoito de chocolate em formato de coração que traz mensagens do tipo ich liebe dich (eu te amo) escritas com merengue. Alguns são enormes, e ajudam a regular o nível de glicose do organismo quando a entrega aos prazeres etílicos supera o bom senso.
Com tanta gente, comida e álcool, não é de se estranhar que outros 4.100 objetos tenham sido perdidos - entre 420 carteiras, 770 documentos, 320 celulares, 75 câmeras fotográficas e 1.250 peças de roupa.
Prejuízo de alguns, lucro dos organizadores da festa, que movimenta nada menos que 950 milhões de euros (cerca de R$ 2,2 bilhões). Embora tenha sido realizada pela primeira vez há 200 anos, a Oktoberfest teve de ser cancelada em algumas ocasiões, devido a guerras ou epidemias, razão pela qual esta é, na realidade, a 177ª edição do evento. Tim-tim!
HISTÓRIA
A primeira Oktoberfest data de 1810, quando Munique tornou-se palco de uma série de comemorações em homenagem ao casamento do festeiro príncipe Ludwig I, da Bavária, com a princesa Therese von Sachsen-Hildburghausen, da Saxônia. O evento fez tanto sucesso que a população resolveu celebrar outubro todos os anos, garantindo à Bavária a fama de ser a região mais festiva e que mais consome cerveja em toda a Alemanha.
Estabelecimentos, aliás, não faltam para estimular a cultura etílica: ao todo, a cidade possui mais de 400 bierkellers (pubs fechados) e biergartens (bares ao ar livre). E as celebrações regadas a chope estão longe de se restringir a outubro.
Na verdade, a impressão que se tem é de que Munique vive numa eterna festa. Haja vista a praça Marienplatz, que lota de turistas às 11h, 12h, 17h e 21h, horários em que os sinos do carrilhão Neue Rathaus soam anunciando a apresentação de divertidas coreografias de bonecos embaladas por músicas tão animadas quanto o povo da Bavária.
Agitos à parte, Munique também oferece um vasto patrimônio cultural, comércio fervilhante e muitas histórias esportivas para contar. No Centro Histórico, o monumental Residenz, antiga residência dos reis da Bavária, é ponto imperdível. O local abriga um museu com valiosíssimo acervo espalhado por 130 salas. Também vale visitar o Deutsches Museum, cuja coleção apresenta algumas das maiores descobertas tecnológicas dos últimos dois séculos.
Já para os amantes do esporte, a dica é fazer uma visita guiada pelo Estádio Olímpico, palco dos Jogos de 1972, assistir a um jogo do Bayern ou conhecer o gramado que sediou o jogo de estreia da Copa do Mundo de 2006. Quem sabe, por uma coincidência do destino, você não dá de cara com o andreense Cacau, da seleção alemã, dando sopa - e autógrafos - por ali.