Os desertos, os sítios arqueológicos e os templos milenares esculpidos em rocha na Jordânia vão invadir a sala dos telespectadores a partir deste mês. Para não ficar atrás de Glória Perez, que levou os costumes da Índia às telinhas, o autor Manoel Carlos promete incrementar o horário nobre da Rede Globo mostrando os encantos do Oriente Médio nos capítulos iniciais da próxima novela das nove, Viver a Vida.
Depois de breve passagem por Jerusalém, os protagonistas Bruno e Felipe – interpretados por Thiago Lacerda e Rodrigo Hilbert – veem seus caminhos se cruzarem com os de Luciana (Alinne Moraes) e Helena (Taís Araújo) em meio à aridez jordaniana. De pano de fundo, lugares fascinantes do país, como Wadi Rum, o teatro de Jerash, as ruas da capital Amã e a cidade perdida de Petra.
Para os atores, que nunca tinham estado no Oriente Médio, foi tudo surpresa. Enquanto Thiago Lacerda usava a câmera para registrar os magníficos cenários, Alinne Moraes aproveitava sua experiência na prática de ioga para meditar.
Mas nem tudo foram flores. A equipe precisou literalmente suar a camisa para gravar sob calor de 45°C e ainda cumprir percursos a pé. Em uma das tomadas, os atores tiveram de subir quase 1.000 degraus com o equipamento sendo levado por mulas. “Foram deslocamentos muito longos. Não tínhamos acesso às locações com
carros. Precisamos usar carroças, mulas e camelos para carregar o equipamento. O deserto de Wadi Rum é uma das produções mais difíceis que já tive de fazer, porque não existe estrutura perto”, conta Cláudia Braga, gerente de produção da novela.
Não à toa, o folhetim tem a superação como tema principal. Mas não se deixe levar pelas aparências e dificuldades de acesso. Desde a assinatura do acordo de paz com Israel, nos anos 1990, a Jordânia é considerada um dos países mais ocidentalizados do Oriente Médio. E ainda guarda relíquias de inestimável valor histórico. A principal delas é o sítio arqueológico de Petra, que estrela na seleta lista das novas Sete Maravilhas do Mundo.
Durante séculos, seus monumentos – escavados pelo povo nabateu em rochas de um imenso cânion – permaneceram longe das vistas humanas. Até que, em 1812, o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt descobriu as ruínas da cidade perdida. Só há cerca de quatro anos é que o acesso a turistas e pesquisadores tornou-se viável graças à construção de auto-estrada a partir da capital Amã, situada a pouco mais de duas horas de carro.
De lá para cá, Petra virou a queridinha de historiadores, arqueólogos e caçadores de aventuras. Algumas operadoras no Brasil, como a Latitudes e a Raidho, já oferecem pacotes para lá. E Manoel Carlos não é o primeiro a descobrir o perfil cinematográfico de suas paisagens. Os fãs de Indiana Jones hão de lembrar as cenas derradeiras do filme A Última Cruzada (Steven Spielberg, EUA, 1989), em que Harrison Ford cavalga triunfante após recuperar o Santo Graal, deixando para trás um belo templo cravado em ravinas íngremes. O lugar é Petra, e o templo é o primeiro de uma série de monumentos colossais que se espalham por área equivalente a vários estádios de futebol, onde o visitante pode se perder por dias e ver cenário único.
Construída no século 5 a.C., Petra foi a capital de um império comercial que antecedeu a chegada dos romanos. A localização de difícil acesso em meio a formações rochosas quase inatingíveis foi proposital: servia para proteger suas riquezas da cobiça dos invasores.
Dois pontos imperdíveis na cidade são o anfiteatro nabateu e uma longa avenida, ladeada por colunas, que leva ao pequeno museu arqueológico. Se paisagens rústicas fizerem parte do programa, outra boa pedida é visitar o deserto de Wadi Rum. Lá é possível passar algumas horas rodando de jipe pelas areias da Arábia, em meio a rochedos e formações arenosas que dão à área um aspecto decididamente lunar.
O monumento mais importante de Petra, no entanto, é o imponente templo El-Khazneh (O Tesouro), cuja fachada, talhada na face de um penhasco de 40 metros de altura, chama a atenção não só pelo tamanho como pelas representações de mulheres, cavalos e soldados.
Junto dele, o monastério El-Deir, o local de sacrifícios e os túmulos reais constituem um dos mais impressionantes exemplos da cultura do Oriente Médio, até então escondidos entre fendas de rochas no meio do deserto. E um detalhe curioso: O Tesouro, entre outros monumentos, remete ao Helenismo. Pelo menos desta vez, o nome da protagonista idealizada por Manoel Carlos terá o cenário como boa justificativa.