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Comprando o mundo

terça-feira, 13 de julho de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Cristie Buchdid

Foto: Divulgação
Psicólogo Alessandro Vianna. Foto: Divulgação

O ato de comprar traz imenso prazer, mas em excesso, e sem necessidade, pode indicar sintomas de oneomania, doença caracterizada pela compulsão por compras. De acordo com o psicólogo Alessandro Vianna, estima-se que no Brasil cerca de 3% da população tenha a patologia, em sua maioria mulheres de 20 a 40 anos, sendo que a cada quatro mulheres afetadas, um homem é acometido. Segundo Vianna, o distúrbio pode atingir qualquer pessoa, independentemente de classe social, formação intelectual ou religião. O limite para saber se o hábito tornou-se compulsivo é o aprisionamento. “A pessoa não consegue sair de casa e retornar sem ter comprado alguma coisa. Esse comportamento repetitivo é diário.

Quais são as causas da compulsão por compras?
São duas. A neurológica é promovida por alterações químicas após depressão ou ansiedade. A emocional normalmente é promovida por baixa autoestima, depressão ou traumas. Para curar é preciso medicamento e psicoterapia.

Compras proporcionam prazer?
Trazem sensação de alívio da depressão e frustração. A pessoa compra para suprir vazios emocionais. A sensação de bem-estar após adquirir o bem material dura algumas horas; no máximo, um dia. Daí a necessidade de comprar novamente. Cria-se um ritual.

Quais são os perigos?
Aumentar a angústia e reforçar o ciclo de compras. A pessoa pode se sentir incompetente por não controlar o impulso e ficará cada vez mais angustiada e ansiosa. Além disso, há prejuízo financeiro, mais grave quando o doente é o chefe da casa. Há casos em que toda a família se desestruturou.

O que o compulsivo sente se não comprar?

Ansiedade extrema e tristeza, que serão minimizadas na próxima compra. É como vício.

Por que mulheres são mais compulsivas?
Elas são mais propensas a ter baixa autoestima e geralmente são mais frágeis emocionalmente.

Quais produtos são mais procurados?
A compulsão não é por um tipo de produto ou por artigos elitizados. A pessoa pode comprar desde vestido de grife a brincos na Rua 25 de Março. É pelo prazer da compra.

A família pode ajudar o compulsivo?
Familiares às vezes tentam impedir, orientando o compulsivo. Isso pode deixá-lo com sensação de impotência, levando à desordem emocional mais intensa. É melhor acolher e buscar ajuda profissional.

Crianças e adolescentes estão mais consumistas?
Sim. Isso acontece, às vezes, pela ausência dos pais, que se sentem culpados e tentam compensar com presentes. É um risco porque o filho pode entender que a forma de demonstrar afeto é por meio de bens materiais. Aí pode desenvolver a compulsão. A grande quantidade de lançamentos gera competição entre os jovens, que estão em busca de aceitação social, mas os pais devem ensinar que eles serão amados e admirados independentemente de seus bens.

Quais são as dicas para não comprar compulsivamente?

Nunca compre quando estiver triste ou na TPM. Planeje antes. Saia com dinheiro contado para despesas necessárias. Evite comprar rapidamente. Ao invés de comprar, faça exercícios físicos, que diminuem a ansiedade. Valorize mais o ser do que o ter. Lembre-se que o produto não substituirá o vazio emocional.


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