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Humoristicamente (in)correto

domingo, 4 de julho de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Eliane de Souza

Foto: Celso Luiz
Mion no estúdio da Rede Record. Foto: Celso Luiz

Marcos Mion mudou. Ele não é mais o garoto de 20 anos que fazia rir ao apresentar os Piores Clipes do Mundo na MTV e muito menos o mesmo que arremessava anões no Descontrole, em 2002. Os dez anos de carreira fizeram dele um apresentador maduro e que caiu nas graças da Rede Record. À frente do Legendários, programa humorístico que ocupa as noites de sábado, o paulistano de 31 anos debuta na direção de equipe de 50 pessoas e tem o desafio de levar humor sem usar a baixaria como principal artifício. A empreitada cercada de críticas leva a pecha de água com açúcar. “Não preciso humilhar meus colegas de trabalho para fazer rir”, é como se defende. O técnico Dunga que o diga. O líder da Seleção Brasileira acordou com um buzinaço promovido pelo Legendários em frente à sua casa cobrando a convocação de Ganso e Neymar para a Copa da África. A história só terminou quando a polícia foi acionada.


LEGENDÁRIOS

Mion fala do programa como um apaixonado, com entusiasmo e brilho nos olhos. Tamanho envolvimento com o projeto faz com que caiam por terra alguns mitos que se cultivava em relação ao apresentador, como o de ser mal-humorado e arrogante. Nada disso. Ele é engraçado de verdade e se intimida com elogios, embora a TV e as páginas de revista o retratem com excesso de autoconfiança.

Esta não é a primeira vez que Mion se mete na criação de uma atração. “Nunca fui só apresentador, é assim com o Legendários e também com o Quinta Categoria, da MTV, que agora segue sem mim.” (Quinta Categoria é um game com representantes do teatro de improviso que encenam esquetes com temas sugeridos pela plateia.)

Não era de hoje que a Record queria um projeto de humor jovem, ousado e questionador. O apresentador acredita que sua trajetória na MTV e a credibilidade com o público jovem tenham atraído a atenção dos executivos da emissora. Com a benção deles, Mion atraiu para o Legendários o ex-VJ João Gordo, os humoristas da trupe Hermes e Renato, além de roteiristas do CQC. A fórmula da atração foi mantida em segredo até a estreia, em abril.

Comparações sobre o programa o incomodam. Para Mion, se for paracomparar, o Legendários está mais próximo do Fantástico do que do Pânico, CQC ou Zorra Total, por tratar de diversos assuntos sempre com humor. Já fez denúncias sobre trabalho escravo, brigou por projeto de lei que obrigue o SUS (Sistema Único de Saúde) a distribuir filtro solar e foi ver de perto a mancha de petróleo no Golfo do México. “Esta última, inclusive, foi usada para dar aula em muitas escolas”, gaba-se.

Se diz muito mais do que satisfeito com a audiência – está em segundo lugar no Ibope com picos de dez pontos –, apesar de toda a torcida contra.

Pergunto se já teve medo de ser cerceado na Record, uma emissora paulista comandada por bispos da Igreja Universal do Reino de Deus. Eis a resposta: “Vim sabendo o que queriam de mim, onde estava entrando. Nunca tive veto ou censura. Tudo na vida tem a sua fase, hoje me sinto preparado para estar aqui exatamente porque não tenho mais motivação para falar atrocidades.”

Prova disso é que programa estreou com esquete que parodiava o Fala Que Eu te Escuto  (exibido pela emissora), com Mion caracterizado de pastor e travando diálogo estúpido com uma telespectadora fictícia. “Tenho muito orgulho disso. Imagina o que não foi aqui para aceitarem isso? Eles perceberem que era bom momento para começar a quebrar paradigmas. E poder brincar assim é um grande passo.” Pelo visto, o fato de o canal ser ligado a uma doutrina religiosa não interfere em sua rotina.


EM MEIO A PROCESSOS

A nova fase não lembra em nada a passagem de Mion pela Bandeirantes como apresentador do Descontrole. Entre as atrações anteriores estavam arremesso de anão, trotes telefônicos e teste de fidelidade. “Tinha 20 anos, o que a gente não faz nessa idade? Fui o cara mais novo a ter um programa diário em horário nobre. Fiz o que me pediram”, justifica.

Ele recorda que o briefing da emissora era mudar a imagem cinza, de rede paulistana que só falava sobre esportes. “Para quem assistiu foi marcante. Um programa diário, com essa pegada nunca mais aconteceu. Teve um momento em que a gente parou, porque ou tudo mundo morreria ou seria preso.” Para a cadeia não foi, mas foi muito processado – as brigas judiciais acabaram há pouquíssimo tempo, o mais longo foi movido pela MTV.

Quando ele saiu de lá pela primeira vez em 2002, deixando o Piores Clipes do Mundo, o canal o processou alegando que havia ‘levado’ alguns quadros. Mesmo após seu retorno, os processos seguiram. “Cheguei a pedir aumento para pagar honorários dos meus advogados”. Finalmente, o problema foi resolvido no ano passado.


A POLÊMICA MUDANÇA


A afirmação de Mion de que faria um programa ‘do bem’ gerou alfinetadas de outros humoristas, que ganharam ressonância via Twitter. O repórter do CQC Danilo Gentili passou a classificar-se como humor do mal. “Ele quis falar que era mais legal, ok. Parabéns para ele. Só que entre ficar numa classificação ou outra, se é para escolher time, prefiro o humor do bem. Acho que a televisão precisa disso. Me identifico muito mais com essa turma do que com qualquer outra.”

A reconciliação com humoristas virou tema de esquete no Legendários. O humorista SuperTição acampou na porta da Rede Bandeirantes para tentar fazer as pazes com o apresentador Marcelo Tas, que comanda a bancada do CQC. A brincadeira rendeu mais ironias via Twitter. “Nunca assisti ao programa de Mion na íntegra. Não posso ajudá-los com falta de audiência”, publicou Tas.


FÃS


Ele não é mais visto pelas fãs como sex simbol. E passou a conviver com isso depois do baque inicial. “Para minha tristeza, porque ainda malho todo dia”, brinca. Deixou a fama de conquistador para trás. É casado há cinco anos com a socialite Suzana Gullo e tem três filhos, Romeo, 4 anos, Donatella, 1 ano, e Stefano, nascido em 30 de março. Com o casamento decidiu que não falaria mais sobre vida pessoal para preservar a família.

De dois anos para cá, começou a sentir mudança no perfil das fãs nos e-mails e cartas. Nada mais de elogios como lindo, gostoso e perfeito, as meninas agora escrevem dizendo que queriam o apresentador como pai. “Num primeiro momento isso me deu um choque, porque só tenho 31. Mas agora aprendi a ver responsabilidade e beleza nestas declarações”,  conforma-se.

 

Foto: Celso Luiz
Marcos Mion deixa para trás o humor trash e, em nova fase, se define como do bem. Foto: Celso Luiz

HOMEM DE NEGÓCIOS

Como se a rotina de diretor e apresentador na Record já não consumissem tempo suficiente, Mion também toca outros negócios: é sócio de uma grife masculina, de um restaurante japonês, de uma casa noturna e de uma pizzaria. Os negócios surgiram quando ingressou na TV aberta e passou a ter contato com grandes empresários. A carreira de empreendedor consolidou-se quando permaneceu um ano longe das telas, em 2004. “Comecei a ver o lado de poder trabalhar com entretenimento em outra esfera, sem ser artística e de maneira mais comercial”, define.

Em tempos de São Paulo Fashion Week, dá mais atenção à sua grife. Também comanda festa quinzenal na boate e convida bandas para tocar. O restaurante anda sozinho. Ele acredita que o grande sucesso é ter bons sócios porque não está presente no dia a dia.

Na arte de interpretar, gostaria de atuar nos palcos, mas está proibido pela mulher de entrar em cartaz, justamente pela falta de tempo. A relação com o palco começou depois de uma tragédia familiar: o irmão mais velho morreu ao cair do vão livre do Masp quando comemorava o resultado do vestibular. Deprimido, Mion engordou 20 quilos e passou a usar drogas. O teatro serviu de terapia para vencer essa fase ruim.

Apesar de ter facilidade com humor, os diretores com quem atuou dizem que ele se sai melhor no drama. “Sempre quis os papéis mais pesados, só que hoje seria muito difícil convencer num papel dramático. As pessoas me olham como um cara engraçado. Só faria
comédia. Ter hora marcada para subir no palco para sofrer está completamente fora. Já trabalho demais para ter que padecer de quinta a domingo”, conclui.


Comentários

Eu
08/07/2010
Como assim "levando humor sem usar a baixaria", então o que foi aquele monte de mulheres mostrando os seios a cada gol do Brasil sendo q tinha uma criança naquele mesmo ambiente? E pq pedir paz pro Marcelo Tas se ele mesmo nunca faltou com o respeito contra o programa? É cada uma viu

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