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| Aos 55 anos, sozinha e cheia de planos, Patrycia Travassos diz estar realizada. Foto: Rodrigo Lopes |
Patrycia Travassos – que interpreta a viúva Cloris na novela Ribeirão do Tempo, da Rede Record – vive período de intensa transformação na vida pessoal. Tempo de liberdade e descobertas. A boa fase reflete no físico da atriz, que não precisa ser perfeito para ser cheio de luz e impressionar. No estúdio onde as fotos para a capa foram feitas, no Rio de Janeiro, o comentário era um só: “Patrycia está no auge, na melhor fase“. A frase foi repetida durante o dia, de formas diversas, mas com a mesma intenção, por fotógrafo, produtora, maquiadora, assistentes etc. Não era mentira.
Separada há cinco anos, está se sentindo livre, leve e solta, dona do próprio nariz. Medo de ficar sozinha não tem, pelo contrário, até gosta. “Meu filho está com 20 anos, foi morar na Austrália e agora vive só. Estou tendo a experiência maravilhosa de morar pela primeira vez só. Primeiro, tinha a família, sete irmãs, um monte de gente. Depois, comunidade, três casamentos fortes, filho. Estou achando a experiência maravilhosa.“ No silêncio da casa vazia recupera o corpo e o astral depois de um dia cheio de trabalho. É lá que ela para, ouve música e pratica exercícios. “Preciso estar sozinha.“
Assim como o início de um ciclo, a atriz está cheia de ideias novas. “Acho que penso como uma adolescente, repleta de planos. Tenho fantasia de ser uma velhinha e estar numa casa linda, escrevendo. Ainda acho que tudo é possível e, de repente, fico pensando que talvez pudesse não renovar meu contrato e passar um tempo em Nova York, ou Paris, ou num centro espiritual no Uruguai. Fico viajando nas possibilidades (risos).“
ABRAM AS CORTINAS
Patrycia se considera apenas atriz, mas tem habilidade para muito mais. Compôs canções e dirigiu espetáculos da banda Blitz nos anos 1980, criou e ajudou a escrever as séries globais TV Pirata e Armação Ilimitada, escreveu livros e crônicas como colaboradora de uma revista feminina e atualmente apresenta o programa Alternativa Saúde, no canal GNT. Com esse currículo extenso e muita versatilidade, a atriz diz que leva as várias facetas da profissão de forma bem natural. “Sou atriz. O resto é consequência. Comecei com o grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone e ali criava figurino, produção, cenário, escrevia os textos, tinha essas aptidões. Acho que é tudo farinha do mesmo saco. Se posso improvisar numa cena falando um texto, posso sentar e escrever. É muito natural para mim”, explica.
A vontade de ser atriz sempre se expressou espontaneamente quando era criança. “Queria desde pequena, mas não percebia. Fazia desenhos de teatro, com palco e espectadores, aos 7 anos. Mas não tinha referências, nem sabia que ser atriz era uma escolha possível.”
Sem artistas na família, demorou um pouco para que Patrycia percebesse que queria a dramaturgia para a vida profissional. “Fiz vestibular para Geologia, Meteorologia e Astronomia, que eu achava tão chique. Não passei, fui viajar e depois fiz Ciências Sociais. Daí tranquei e viajei de novo. Sempre fiz cursos de teatro, como hobby. Fui amadurecendo e me identificando. Quando decidi que queria aquilo profissionalmente, foi impressionante como tudo aconteceu rápido. Em meses estava no melhor grupo de teatro do Brasil daquela época, com Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Evandro Mesquita.”
Do relacionamento amoroso de Patrycia com Evandro surgiu um ‘filho’: a banda Blitz, na qual ajudava com figurinos e letras de música. “Na época me chamavam muito para dirigir outros shows, mas não queria, porque só sabia dirigir a Blitz por já conhecer o Evandro há 15 anos, saber como ele se comportava no palco. Seria muito diferente dirigir outra pessoa.”
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| A atriz admite que envelhecer não é tarefa fácil e afirma que fazê-lo é uma arte. Foto: Rodrigo Lopes |
SAÚDE NA PONTA DA LÍNGUA
Em 1998, Patrycia foi convidada para apresentar o programa Alternativa Saúde, do GNT, e não saiu mais. Era só para ficar seis meses, mas deu tão certo que ela comanda a apresentação do programa até hoje. E foi ali que percebeu que tinha muito conhecimento sobre saúde, até mais do que imaginava. “Me chamaram para apresentar mais uma temporada e foi quando me toquei que sabia muito do assunto, mais que a média. Para mim é natural falar de saúde. Hoje muitos que vão ao programa tornam-se meus médicos.”
Patrycia tem alimentação diferente, não gosta de comer carne. Aos 7 anos, virou vegetariana total e só voltou a comer peixe há alguns anos. “Não queria comer bicho de jeito nenhum. Achava horrível e conheci um casal amigo dos meus pais que era vegetariano e quis ser como eles. Minhas irmãs ficavam passando o bife na minha frente, falando ‘come, come’. Tinha uma mistura de nojo, asco, pena, não conseguia engolir. Tem bichos que nunca comi. Lagosta, por exemplo.”
Por trabalhar com a imagem, toma cuidado para não engordar, cuida bem da pele, dos cabelos, dos dentes. Mas afirma que não é preocupada com a aparência ao exagero. “Faço exercício, musculação, aeróbico, nado.
Vejo o que meu corpo pede. Não sou nada escrava. Não posso fazer o Alternativa Saúde com uma espinha verde no meio da minha cara. Mas procuro não ser neurótica.”
MUDANÇA DE IDENTIDADE
“Mudei meu nome por culpa do programa.” Depois de receber a visita de um numerólogo no Alternativa Saúde, Patrycia resolveu se aventurar numa sessão de numerologia. “Achava cafonérrimo, mas fui. Na sessão ele começou a descrever traços meus e da minha família, coisas de que não gostava e sem eu contar nada. Fiquei surpresa. Ele disse que poderia mudar vários problemas trocando apenas um detalhe no meu nome: trocar o ‘i’ pelo ‘y’.” Patrycia fez uma experiência e alterou a letra. A vida modificou-se, ela só não sabe o que veio antes, o ovo ou a galinha. “Não sei se eu estava pronta para uma mudança interna e alterar o nome simbolizou essa mudança ou se troquei o nome para a mudança acontecer. Tinha uma série de questões internas, estava me separando. Foi um ritual de passagem, uma transformação.”
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| "Estou feliz, numa fase que não penso em nada. Estou me sentindo totalmente livre!" Foto: Rodrigo Lopes |
A FAVOR DO TEMPO
A atriz admite que envelhecer não é tarefa fácil e afirma que fazê-lo é uma arte. “Quando chegamos numa certa idade, pensamos: nossa, estou me sentindo muito melhor do que aos 20 anos, mas fisicamente é obvio que você mudou e isso é um susto. Ou você aprende ou surta.”
Para ela, só depende de cada um querer aprender com a vida. “A gente tem uma certeza de que vai morrer, mas sempre achamos que não vai ser agora, que vai acontecer daqui a 120 anos. A vida nos ensina a passar por isso, como acontece na gravidez. Só que você tem de fazer seus ‘deveres de casa’: quando tiver que mudar, mude; quando tiver que pensar, pense etc.”
Apesar de ser a favor de cirurgia plástica, Patrycia não a considera solução contra a passagem do tempo e muito menos passaporte para obter mais trabalho. Ela já se submeteu ao procedimento, mas afirma que não pensa nisso agora. Considera horrível pessoas que ficam sem expressão natural em decorrência de operações malfeitas. “Uma vez a Fernanda Montenegro falou que em determinados filmes não poderia ter feito o papel se tivesse plástica, porque era para ser pobre, detonada e velha mesmo. E cada vez ela pega mais papéis porque não tem ninguém com essa cara.”
Patrycia afirma que plástica nenhuma garante vida melhor, se não estiver aliada com mudança interior. Para ela, o segredo é alterar a atitude, começar a se transformar antes. “A gente não é só corpo, mas tudo integrado, a maneira que agimos, pensamos e comemos. Acho legal coroar o movimento com uma plástica, mas não se a pessoa está supermal, acabou de se separar, está se sentindo rejeitada e vai fazer uma plástica para se sentir melhor. Não dá certo.”
Numa fase em que as rugas de preocupação não ganham espaço no rosto de Patrycia, a única coisa que ela quer é ser feliz. E ponto. “Estou me sentindo igual a quando a gente tem 20 anos e sai da casa dos pais, que se sente adulto e pode fazer o que quiser, sabe? Estou feliz, numa fase que não penso em nada, não estou preocupada com nada. Estou me sentindo totalmente livre!”
E se o corpo trabalha de forma integrada, Patrycia comprova nas fotos que ilustram a reportagem que está mais do que bem resolvida.