 |
O serviço de telefonia celular vivenciou crescimento exponencial na última década. Apesar de todos os benefícios que trouxe, uma questão nos incomoda: os celulares são seguros? Muitos grupos de pesquisa no mundo trabalham nesta incógnita. Sabemos que o aparelho emite radiação para enviar mensagens de texto e voz. Alguns estudos em usuários sugerem que essa radiação pode aumentar o risco de câncer (principalmente cerebral) e de proporcionar outros problemas de saúde.
No final dos anos 1990, a IARC (Agência Internacionalde Pesquisa em Câncer) iniciou em 13 nações uma das maiores pesquisas nesse segmento, o Interphone Study, para avaliar a segurança dos aparelhos e a relação com a doença. A análise envolveu cerca de 14 mil participantes (usuários que sobreviveram a tumores cerebrais e sobreviventes desses tumores mas que nunca usaram esse recurso). Os cientistas retardaram os resultados por três anos por questionarem os métodos de análise e por possíveis conflitos de interesse. Uma ressalva: o estudo foi parcialmente patrocinado por empresas de telefonia celular.
Os resultados demonstraram que, apesar do uso da telefonia não ter aumentado – claramente –, os riscos de glioma ou meningioma (dois tipos de tumores cerebrais), houve sugestão de que o glioma tenha incidência maior naqueles que gastaram mais de 1.640 horas em seus celulares. Independentemente de quanto tempo foi gasto para atingir essa quantia, os grandes usuários tiveram risco 40% maior para glioma e 15% para meningioma.
Jack Siemiatycki, professor da Universidade de Montreal e um dos maiores epidemiologistas na coordenação do estudo, disse que os usuários não devem entrar em pânico. Ressaltou que se há riscos, são pequenos. O que todos devemos fazer é usar formas para reduzir a exposição à radiofrequência (ver abaixo).
Outras linhas de pesquisa têm examinado outros problemas dos sistemas nervoso central e corporais, que não apenas o câncer. Quadros de dor de cabeça, tonturas, doença de Alzheimer, infertilidade e alterações comportamentais em crianças têm sido correlacionados ao uso de telefonia.
Resultados diferentes e conflitantes fazem parte da ciência, mas o fato preocupante é o de observarmos possível incidência de tumor nos grandes usuários da telefonia celular, sabendo que esse hábito tem sido amplamente utilizado apenas na última década e que alguns tipos de câncer levam de 15 a 20 anos para se desenvolver. O que virá daqui para frente? Devemos aguardar atentos os próximos estudos e tomar as devidas precauções.
8 dicas seguras para limitar a radiação
* Compre um aparelho com baixa radiação (pergunte à operadora)
* Use o viva-voz ou headphone (menos radiação)
* Escute mais, fale menos (menos radiação)
* Mantenha o aparelho longe do corpo (menos radiação)
* Melhor mandar mensagens de texto do que falar (menos radiação)
* Sinal ruim? Fique longe do telefone (sinal ruim = mais radiação)
* Limite o uso pelas crianças
* Evite o uso de produtos que se dizem escudos de radiação (forçam o telefone a emitir mais radiação)