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Há coisas que o dinheiro não compra. Uma delas é a presença paterna. Os meninos são os que mais sofrem com a ausência do pai, que deveria servir de modelo para eles. Alguns homens se tornam distantes simplesmente por não se sentirem preparados para a função de educar. Quando tentam preencher essa lacuna oferecendo bens materiais, podem agravar o problema. A psicóloga especializada em família Jane Alcântara Bitencourt, de Santo André, resolveu tirar a questão do divã e partiu para a prática. Passou dois anos pesquisando dados e o comportamento dos garotos. O resultado é o livro Papai Financia, que lançará na quinta-feira em livraria de shopping da cidade. Ela adiantou o assunto à coluna.
Pais ausentes geralmente presenteiam os filhos em excesso para suprir a falta de dedicação?
Com certeza, o pai ausente é o que mais ‘financia’. Geralmente, é alheio e se exime da responsabilidade de educar. Esse pai cria fuga, que é o comportamento de distanciamento
e financiamento.
Quando começa o processo?
Na maioria dos casos, antes do nascimento do bebê, pois muitos homens não estão preparados para serem pais e criam barreiras, não permitindo uma relação afetiva. Esses pais oferecerão bens materiais para se manterem longe do crescimento da criança. Como desculpa, dizem que estão trabalhando demais e não têm tempo.
Pais presentes mimam?
O pai presente não dá de tudo. Ele tem atenção com a criança, sabe da responsabilidade com a criação e não se exime dela. Ele diz ‘não’, é participativo e ensinará o filho que ‘ser’ é mais importante do que ‘ter’. O pai presente também ensina o valor do dinheiro e que é saudável não ter tudo. Filhos de pais presentes confiam mais na família e em si mesmos.
Crianças conseguem entender esses ensinamentos?
Sim. O pai precisa deixar o filho em contato com a frustração, pois isso faz com que a criança entenda que nem sempre alcançará as coisas. A medida é impor limites.
Por que a figura paterna influencia mais os filhos homens?
Porque é o pai quem vai servir de modelo para o menino. Sua presença na criação
e no desenvolvimento da criança é imprescindível. Distante do pai, o menino fica sem equilíbrio na função social.
E a figura materna?
É fundamental porque há unidade entre a mãe e o bebê. Ela ficará mais tempo com o filho. Aí entra o pai, que romperá tal unidade e mostrará para o menino que ele é o modelo.
Quais são as conseqüências da ausência do pai para os meninos?
Meninos com pais ausentes ou indiferentes tendem a ter distúrbios de aprendizagem,
hiperatividade e se tornar violentos. Enquanto alguns podem ficar confusos quanto
sua identidade masculina, outros podem desenvolver machismo defensivo.
Quando é perceptível que o filho está sendo prejudicado pela ausência do pai?
A maior parte dos pais percebe na adolescência, quando o menino colocará em prática tudo que lhe foi ensinado. Aí muitos não se identificam com a família e procuram afinidade em grupos. A busca por tribos é necessidade de estar com pessoas semelhantes.
Esse problema emocional que pode acometer meninos contribui para que as meninas
se destaquem?
Alguns meninos se tornam menos produtivos se houver a ausência paterna, abrindo espaço para que elas se destaquem.