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| Olhar atento às passarelas da São Paulo Fashion Week chama atenção para modelos magérrimas. Foto: Tiago Silva |
Na TV, mulheres apelidadas como frutas se destacam por corpos exageradamente definidos. Na vida real, a procura por cirurgia plástica cresceu 100% entre elas. São muitos padrões, sendo que a busca por qualquer um deles pode levar à obsessão. O cirurgião plástico Rogério de Oliveira Ruiz, de São Caetano, alerta sobre o perigo dos exageros.
Há padrão feminino de beleza?
Padronizar algo tão individual massifica o conceito de beleza. Beleza é o que agrada aos olhos. Com a influência da mídia, principalmente da TV, idealizou-se o padrão.
Qual é o padrão no Brasil?
É a ‘mulher violão’. Aqui, curvas são mais aceitas do que padrões retos. Pede-se harmonia perfeita, com nada exagerado e nem aquém, como a atriz Juliana Paes.
Mulheres vivem em uma ditadura da beleza?
Sim, tanto elas, como eles. São exigidas beleza e juventude, inclusive no mercado de trabalho, que absorve mais pessoas com aparência jovem do que com aspecto envelhecido, principalmente quando se lida com público.
O processo leva ao consumo?
Sim. Por isso há grande boom de cosméticos para rejuvenescimento e técnicas para atingir tais padrões.
A procura por cirurgia plástica também aumentou?
Sim, nos últimos cinco anos, aumentou em 100% o número de mulheres que procuraram
no País, seguindo a tendência mundial. Entre os homens, cresceu de 30% a 40%.
Quais são os motivos?
Não é possível saber se a procura aumentou por influência social ou porque há mais informações sobre as técnicas. Atualmente também se vê resultados mais naturais. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica atualiza os profissionais para que façam trabalho
harmônico e não prometam absurdos.
Quais são as consequências psicológicas e físicas de viver em busca da perfeição?
Quando se idealiza um objetivo que não é atingido, pode causar insatisfação. A pessoa
pode ter obsessão por beleza e não viver. Baixa estima leva à obsessão, que piora a estima, virando um ciclo. Também pode causar irritabilidade e lapsos de memória. O mais comum, tanto por má alimentação (regimes), como por estado emocional, é ter queda de cabelo, acne e depressão de baixo grau, levando à insônia.
Existem consequências graves para a obsessão por beleza?
Anorexia, bulimia, entrega do corpo para técnicas não indicadas e que podem levar à
desarmonia por causa de exageros. Pode provocar depressão, estresse prolongado levando à queda de imunidade ou a alguma doença autoimune (quando o sistema imunológico ataca o próprio organismo fazendo com que ele fique fragilizado), como lúpus. Em graus avançados é possível ter distúrbio menstrual e esterilidade.
Como a medicina avalia o padrão magérrimo de modelos?
É irreal. Não é bom para a saúde. Existem casos fatais de anorexia. Elas ingerem quantidade calórica abaixo do necessário, o que pode levar à desnutrição, com problemas
como distúrbio ginecológico, envelhecimento precoce, queda de imunidade, doenças
crônicas, anemia e em casos extremos, morte.
E as mulheres ‘frutas’, que fazem sucesso por serem exageradamente definidas? Como
elas conseguem ter corpos enormes?
Com muita malhação, alimentação voltada para aumento da massa muscular, silicone,
implante de lábios. Tudo junto para alcançar uma situação de corpo que chame atenção pelo excesso e não pela harmonia. Implantes mais comuns para elas são os de mama, glúteo, panturrilha, lateral de perna, interno de coxa e bíceps. Homens pedem silicone para peitoral e queixo, para obter rosto mais quadrado.
Quais são as tendências em cirurgia plástica?
Acabei de ver no Congresso Ibero-latino-americano de Cirurgia Plástica, no Panamá,
procedimentos a laser para ajudar na cicatrização das cirurgias. O pós-operatório é mais rápido e menos dolorido. A aparelhagem vai chegar ao Brasil neste ano.