 |
Suas trajetórias de vida cumpriram caminhos inversos. Enquanto o músico Frank Aguiar, atual viceprefeito de São Bernardo, precisou deixar o Piauí para firmar-se como Cãozinho dos Teclados e dar o pontapé à carreira política no Grande ABC, o ator Gustavo Leão – que nasceu em São Bernardo, morou em Ribeirão Pires até os 9 anos e tem avós em Mauá – só atraiu os holofotes depois que deixou a região e venceu o concurso de beleza Mister Praia Grande, na Baixada Santista. Agora, seus destinos se cruzam para mostrar nas telas de cinema todos os sonhos de um sonhador.
Com estreia prevista para o fim do ano, o longa-metragem sobre a vida de Frank Aguiar revela um Gustavo Leão bem diferente daquele que interpretou Mateus em Paraíso Tropical ou Felipe em Beleza Pura, novelas que o projetaram ao restrito hall de galãs da Rede Globo após debutar em duas temporadas de Floribella, na Bandeirantes.
A Dia-a-Dia Revista conferiu a transformação do ator no astro do forró durante madrugada de filmagens em São Bernardo. Em 20 minutos, o mocinho de 23 anos, que tanto arranca suspiros de adolescentes em desfiles e bailes de aniversário, ganhou apliques no cabelo, maquiagem, chapéu e, depois de boa escova, saiu do camarim improvisado em um estacionamento da Rua Marechal Deodoro, no Centro, pronto para fotografar com fãs na versão Frank Aguiar.
Até a fisionomia ficou mais centrada diante da responsabilidade de encarnar o protagonista logo no primeiro trabalho cinematográfico. Ar sério demais para o rapaz despojado, viciado em futebol e videogames, que começou a andar de skate aos 10 anos, aprendeu a surfar aos 12 e aos 15 já ganhava uns trocados entregando marmitas a domicílio e fazendo bijuterias para vender na feira de artesanato da cidade. Mas condizente com a maturidade que revela quando fala da carreira de ator. Nessas horas, o gatinho das festas de debutante vira leão. “Fui escolhido para fazer Floribella entre 5.000 inscritos. No primeiro ano, fui mal. Não tinha certeza se era aquilo que queria fazer por conta da minha péssima atuação. Depois, entendi que, se eu quisesse melhorar, teria de estudar e me empenhar. Fiz aulas de teatro e acabou que fui presenteado com um teste para a novela das oito da Globo.”
E a vontade de aprimorar-se nas técnicas de interpretação persiste. “A Globo criou um programa de desenvolvimento de habilidades técnicas para aumentar a cultura dos atores, e eu estou adorando. Estou aprendendo sobre poetas, grandes escritores, arte... dando uma reciclada geral.”
A fama não subiu à cabeça nem depois que assistiu ao milagre da multiplicação de autógrafos após estrelar duas novelas globais. “O que valorizo numa amizade e no namoro é a pessoa não me olhar como o Gustavo que faz TV, que é ator, que trabalha na Globo, e sim como o Gustavo pessoa.”
Entre os ídolos, cultiva a admiração pelo avô de Ribeirão Pires (Hugo Luís Leão, 77), pelo ator Tony Ramos e pelo humorista Chico Anysio – com quem contracenaria minutos depois. “Um exemplo de atuação e de comportamento dentro da empresa é o Tony Ramos. Além de ser extremamente educado, ele é muito generoso com quem está começando. Quando eu for mais velho e estiver no patamar que ele está, quero ser igual: receber bem as pessoas, dar conselhos, dicas.”
Da adolescência no Litoral, guarda o orgulho dos amigos que hoje se destacam no surfe e a paixão pelo Santos. “Sou santista doente, adoro o Robinho. Já ganhei uma camisa dele”, conta, como quem fala de uma relíquia. Para o futuro, leva a lição de que vale a pena correr atrás dos sonhos. “Quem deixa de sonhar, para de viver. Estou sempre em busca de sonhos. Acho que é por isso que estou fazendo um filme chamado Sonhos de um Sonhador”, brinca. E talvez seja essa característica que tenha levado o protagonista da vida real, Frank Aguiar, a escolher o ator a dedo. “Platão já dizia que uma longa caminhada se inicia com o primeiro passo. E eu sempre dei o primeiro passo, nunca desisti. A mensagem do filme é essa: um menino que veio da roça, com mochila nas costas, que acreditou nos sonhos, veio para a cidade grande, lutou, ralou e aconteceu”, resume o músico, que vê em Gustavo um espelho de si mesmo. “Ele está dando um show de interpretação. Tem horas que me surpreendo com o seu jeito de falar, de se comportar, igual ao meu.”