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Gol de craque

domingo, 6 de junho de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Christiane Ferreira

Foto: Beto Riginik
A apresentadora Renata Fan mostra aos marmanjos que futebol é coisa de mulher. Foto: Beto Riginik

Ao chegar num campo onde a marcação masculina ainda é preponderante e não gosta de abrir brechas, eis que surge Renata Fan, 31 anos. Se fosse possível comparar a recepção que ela teve por parte de alguns colegas de profissão a um esquema tático futebolístico, diríamos que ela foi recebida em um 3-5-2 (três zagueiros, dois alas – daqueles que pouco apoiam o ataque –, dois volantes, um meia e dois atacantes), cuja marcação é mais do que cerrada.

Porém, a bela não chegou de mansinho. E nem poderia. O furacão loiro de quase 1,80 m (tem exatamente 1,79 m) não tem medo de discussão, principalmente se o tema da conversa girar em torno de futebol, sua paixão e que, convenhamos, entende muito bem. “Percebi que algumas pessoas antigas na mídia esportiva, que já tinham papel definido, se  incomodaram.

De repente eu era diferente de tudo, uma inovação e um choque. Um choque cor-de-rosa, loiro, alto, imagina.“ Se tivessem apostado num bolão que sua presença seria transitória na televisão, mediando mesa-redonda formada somente por homens, certamente teriam perdido de lavada. “Fui criando minhas raízes, estabelecendo meu horário, meu público. Hoje tenho admiradores e, obviamente, audiência“, assegura Renata.

A jornalista apresenta o programa Jogo Aberto, de segunda a sexta, das 11h15 às 13h30, que conta com os comentaristas Neto, Osmar de Oliveira e Ulisses Costa. Também apresenta o Apito Final, ambos na TV Bandeirantes.

Como boa canceriana de personalidade forte – faz aniversário em 5 de julho –, Renata sabe muito bem administrar os discursos inflamados no programa. “Também defendo minhas ideias até a morte quando acho que estou certa: sou enfática, não tenho medo de discutir. Debate não me assusta, me atrai. Então, ao mesmo tempo em que tenho de trabalhar com pessoas de personalidades complicadas e diferentes, cabe a mim entender e gerenciar tudo isso.”

Ela relembra o episódio com o jogador Lincoln, do Palmeiras, que certa vez achou que Renata disse algo que não falou. Depois de ir ao programa, o jogador se rendeu aos seus encantos. “Ele disse que não imaginava que eu fosse inteligente.“

 Em vez de dar bola aos que duvidaram do seu talento, a bela prefere agradecer aos que a ajudaram na carreira. Um deles é o apresentador Milton Neves, com quem trilhou seus primeiros passos na TV em 2003, quando passou a apresentar Terceiro Tempo e Debate Bola, na Rede Record. “Milton é um excelente profissional, tem senso de improviso maravilhoso. É um cara que sabe usar o bom humor, a ironia, não tem medo de falar. Hoje não trabalhamos juntos porque ele tem um estilo e eu, outro. Mas Milton foi fundamental. Tenho carinho e gratidão por ele, pois me ensinou o que devo ou não fazer como jornalista esportiva. Foi uma grande escola ter começado ao lado dele“, diz Renata. E por sinal, falar não é problema para ela, o que faz qualquer jornalista vibrar, afinal entrevistados monossilábicos são a pedra no sapato de qualquer profissional.


 

Foto: Beto Riginik
"Se quiser falar eu te amo para alguém não espero". Foto: Beto Riginik

PASSAPORTE PARA A COPA DO MUNDO

A jornalista está pela segunda vez na África do Sul. A primeira visita ao país sede da Copa do Mundo foi em dezembro, durante o sorteio dos grupos da competição. Ancoragem e mesa redonda estão entre as funções de Renata na nação de Nelson Mandela. Porém, ela afirma que a equipe será grande “porque é impossível uma pessoa fazer isso sozinha, não tem como”.

Na semana da realização desta entrevista, o técnico Dunga havia divulgado a lista de convocados da Seleção Brasileira. Inevitável não falar com Renata sobre o assunto, pois, além de tudo, o treinador é um dos seus ídolos desde a época em que jogava no  Internacional. Outra curiosidade é que Renata tem um collie com o nome de Dunga e um yorkshire com o de Figueroa, grande zagueiro chileno que jogou pelo Internacional na década de 1970.

A paixão pelo Colorado que nutre desde a infância faz os olhos de Renata brilharem mais, mesmo quando está aos cuidados do cabeleireiro André e da maquiadora Malba, fiéis escudeiros que cuidam de sua beleza.

E para os que duvidam se sabe mesmo sobre futebol ou só decora, aí vai a resposta: ela entende do riscado. E nesse momento, discorre individualmente com detalhes sobre todos os jogadores convocados, suas posições, suas conquistas e os clubes pelos quais já  passaram, tanto nacionais quanto do Exterior.

“Quem acompanha meu trabalho há muito tempo sabe que sempre defendi o Dunga. Ele veio não só trazer disciplina, mas um relacionamento mais estreito entre técnicos e jogadores. O jogador brasileiro tem talento por natureza e duvidar disso é um suicídio.” E continua: “O Dunga escolheu atletas com o perfil que ele espera na Seleção e uma palavra que usa muito é comprometimento. Ele apostou em jogadores que em situações de vitória, como na Copa América, Copa das Confederações e nas eliminatórias, demonstraram algo a mais, se comprometeram, deram o sangue. O Dunga fez um grupo talentoso. É lógico que outros prodígios ficaram de fora e isso ninguém discute”, diz a colorada fervorosa.

Na hora que o lado torcedora fala mais forte, Renata dispara: “Mas eu quero ver a Seleção jogando bem, vou torcer independentemente de se é do meu jeito ou não. Não sou  treinadora da Seleção”,  afirma ela, que aposta na final entre Brasil e Alemanha, sem esquecer de outros fortes adversários, como Itália e Holanda.

 

Foto: Beto Riginik
"As relações que tenho com amigos, profissional e afetivo, são coisas que consolidei". Foto: Beto Riginik

LINDA, MISS E ADVOGADA

Do mestre Milton Neves ela ouviu o célebre conselho: “Eu sou um velho, se eu falar de 4-4-2, o povo muda de canal. Agora uma mulher linda, com a voz bonita, que começa a falar de tática, o cara fica doido, vidrado. Então, use isso a seu favor“.

Renata pode ter ou não seguido o conselho à risca. Mas a verdade é que a gaúcha, nascida na pequena Santo Ângelo, Região das Missões, no Rio Grande do Sul, sabe desde criança que é ser admirada por conta de sua beleza. De bebê lindo a uma “adolescente desengonçada“, superou os traumas da fase teen para se consagrar como a mulher mais bonita do País.

No ano de 1999, ela abocanhou os títulos de Miss Santo Ângelo, Miss Rio Grande do Sul e Miss Brasil. Em seguida embarcou para Trinidad e Tobago, no Caribe, para disputar o Miss Universo. Ficou em 12º lugar, competindo com 99 participantes. No ano seguinte venceu o Miss Universitária Mundial na Coréia do Sul.

Apesar de todos os títulos, Renata afirma que a beleza não é preponderante. “Não me domina, é um acessório. Me ajuda em alguns aspectos, promove o fato de eu ser admirada pelas pessoas, mas não é a atriz principal da minha vida.“ Mas, como toda mulher vaidosa, ela faz questão de ver qual a sua melhor foto, assim que aparecem no laptop do fotógrafo.

Apesar da carreira bem-sucedida, Renata afirma que nada foi programado. Porém, ela não deixou escapar as oportunidades. Dos tempos em que atuava como locutora em uma rádio de Santo Ângelo, também fez faculdade de Direito. Mas abandonou a carreira jurídica e cursou Jornalismo, concluído em 2005.


FAMÍLIA E AMOR

Renata sabe que é motivo de orgulho dos pais, Paulo e Ana. “Eles adoram contar que eu desfilava em carros de bombeiros em Santo Ângelo por causa dos concursos, que já fui locutora, que recebi a chave da cidade, honraria máxima. Falam para as pessoas o que eu digo na televisão, são meus melhores marqueteiros“, conta, com sorriso maroto.

Para administrar a saudade, os pais vêm a São Paulo a cada três meses. “Mas a gente se fala pelo telefone quase todos os dias.“ Já o único irmão, Rafael, trabalha como seu empresário. “Ele é a pessoa que mais cuida da minha carreira. É importante ter alguém da família me ajudando no lado profissional.“

Tanto na aparência física quanto na personalidade, Renata puxou ao pai. E com o patriarca da família 90% do papo gira em torno do futebol. Porém, seu Paulo não é o único felizardo em dividir uma prosa sobre a bola.

Renata também tem o costume de conversar com o porteiro do seu prédio. Sobre o que falaram da última vez? A eliminação do Corinthians na Libertadores. “Estava torcendo para o Corinthians, que é um ótimo produto para quem trabalha com mesa esportiva em São Paulo. Além de ter uma torcida incrível, com uma devoção enorme, rende muita audiência porque transita entre o bem e o mal de uma forma que nunca vi.“

Se tivesse que se definir em uma única palavra, ela diria intensa. E é com esta intensidade, desta vez com a voz menos empostada e semblante mais sereno e feliz, que ela conta sobre seu namoro de um ano e oito meses com o piloto de Stock Car Átila Abreu.  “Consegui achar um amor que entende o meu amor. Então, tá casando bem.“

Sobre futuro e casamento, ela desconversa. “Lastimo quem só se preocupa com o futuro e não entende que o presente tá aí.“

Com uma carreira que foi acontecendo sem muito planejamento, porém com muito discernimento e dedicação, a jornalista diz que nada poderia ser mais perfeito. “Cheguei a trabalhar sete dias por semana na Record e seis dias na Band. Sempre penso em me  aperfeiçoar e ser uma pessoa constante, de opiniões pontuais. Agora que consegui aliar um assunto que eu amo e mexe comigo emocionalmente, nada poderia ter simbiose tão bacana e penso que sou alguém de sorte.“

Sim, Renata, sorte e talento, atributos que fazem os marmanjões acatarem a opinião de uma
mulher num campo onde achavam que eram imbatíveis.


Comentários

Anjo
07/06/2010
Renata Fan, indiscutivelmente Bela, Inteligente e Competente no que faz. Mudou o jeito machista de se falar de esporte. Sucesso sempre e um futuro ainda mais brilhante do que já é teu presente. Te assisto todos os dias e te admiro cada vez mais. Parabéns e uma boa Copa "pra ti guria"!!!!

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