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| Peça mostra o que as heranças culturais fizeram para ambos os sexos. Foto: Mário Fontes / Divulgação |
Diz a Bíblia que Adão e Eva formaram o casal criado por Deus para dar origem à humanidade. Segundo o Livro Sagrado, ela, influenciada por uma serpente, desobedeceu as ordens de Deus e entendeu que ambos deveriam comer o fruto proibido para saírem do Jardim do Éden – o Paraíso – e ingressarem ao mundo inferior. Com toda sua lábia, Eva convenceu Adão e assim ambos foram punidos e tornaram-se mortais.
Independentemente da história, o fato é que desde o início dos tempos a distinção de características entre o homem e a mulher é notável, principalmente as comportamentais. Elas, acreditam especialistas, têm mais facilidade em usar a comunicação para influenciar. Já a ala masculina, assim como Adão, escuta mais do que fala, embora queiram sempre estar à frente das decisões e grupos.
Tais dados foram mostrados em recente pesquisa feita pela empresa Thomas Brasil com um grupo de 500 pessoas (250 homens e 250 mulheres). Segundo o vice-presidente da empresa, Edson Rodriguez, 60% das mulheres ouvidas têm facilidade em expor suas ideias e apenas 50% dos homens contam com tal habilidade.
Eles levam vantagem de 5% na questão da competitividade nos negócios, por serem mais agressivos e pioneiros. “Homens normalmente são mais focados em resultados enquanto as mulheres estão mais ligadas em pessoas, em comunicação, emoções”, explica o especialista, acrescentando que assim como Adão, eles são mais maleáveis e elas, estáveis.
HERANÇA
Para o psicanalista José Ângelo Gaiarsa, essas características são herança dos ancestrais que habitaram a Terra há 2 milhões de anos. “Assim como no início da civilização, os corpos masculinos são retilíneos, angulosos e muito dirigidos. O homem olha e o corpo se prepara para ataque e fuga. A mulher é muito mais ondulante, curvilínea e isso permite que ela sinta com mais delicadeza. Por isso, ela é panorâmica e ele, concentrado. O homem foi feito para briga, a mulher para envolver.”
A exemplo da definição de Gaiarsa estará em cartaz até o dia 27 de junho a peça O Homem das Cavernas, no Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo. A comédia, que é um monólogo, já foi vista por milhões de pessoas em 35 países e interpretada por Norival Rizzo. Mostra as peculiaridades entre homens e mulheres desde o tempo em que eles eram apenas caçadores e elas, colhedoras. “Enquanto o homem caçava não falava. Já a mulher ficava colhendo e conversando. Daí vem esta habilidade na fala, comprovada cientificamente”, brinca o ator.
Para ele, são essas e outras diferenças que aproximam os casais e entendê-las é a melhor forma de manter a harmonia na relação. “A gente procura no outro algo que nos falta. Compreender isso e cultivar o amor é o segredo da harmonia entre os casais”, finaliza.
NOVELA
É impossível analisar as diferenças entre homens e mulheres sem lembrar da novela Guerra dos Sexos (1983). De maneira bem-humorada, a trama retratava – algumas vezes de forma exagerada – o que pequenas características distintas podem causar entre pessoas de sexos opostos. A todo momento, um tenta mostrar ao outro sua superioridade, principalmente os protagonistas Charlô (Fernanda Montenegro) e Otávio (Paulo Autran), que namoraram na adolescência e utilizam de suas peculiaridades comportamentais para levar vantagem na disputa por uma herança de família. A cena em que os dois brigam em uma mesa de café da manhã é uma das mais antológicas da televisão brasileira.