 |
| Em uma das brigas, a aliança foi amassada. Foto: André Henriques |
Esse triângulo amoroso é eterno: homem, mulher e futebol. A preferência masculina pelo esporte – natural entre a maioria deles desde criança – ainda é uma das causas de conflitos no cotidiano de um casal, principalmente na época em que os jogos são sucessivos, como a Copa do Mundo de Futebol, que será em junho e julho, na África do Sul.
Mas há quem leve esse entrave na esportiva, como é o caso do site promocional Um Mês Sem Homem (www.ummessemhomem.com.br), que tem como garotas-propaganda as atrizes Ingrid Guimarães e Maria Clara Gueiros. O conteúdo do endereço eletrônico rende boas risadas.
Isso porque é possível postar dicas de como as mulheres devem ocupar o tempo à época da Copa. “Enquanto ele ficar fora devido à Copa euzinha ficaria com muita saudade, porém iria me acabar no shopping com o cartão de crédito dele, renovar minhas lingeries, roupas, sapatos, maquiagens...”, disse em um dos posts Danielle Jacqueline, do Rio de Janeiro.
Maria Clara, que junto com Ingrid fez vídeos que podem ser assistidos no site, diz que essa determinação de que a mulher tem de ficar colada no pé dos homens não existe mais. “Acho que todos têm de ver juntos a Copa. Se não gosta, vai fazer qualquer outra coisa que distraia, mas ninguém é obrigado a ficar grudado no outro”, diz, irreverente.
REALIDADE
Embora exista atualmente uma integração maior entre os direitos do homem e da mulher, coisa que não ocorria até a metade do século passado, a discrepância de opiniões masculina e feminina quando o assunto é futebol ainda é muito grande.
O domingo à tarde pode ser um martírio, pois ao invés de passear com a família, eles preferem ficar em frente à televisão para assistir a um jogo qualquer de futebol, mesmo que não seja o seu time do coração.
 |
| Cleber e Cristiane vivem um impasse: quando se conheceram ele disse que não gostava de futebol. Hoje os domingos à tarde são reservados para assistir jogos, que ela detesta. Foto: Caio Arruda |
É exatamente esse conflito que a dona de casa Cristiane Souza de Oliveira, 25, enfrenta com o marido Cleber Silva de Oliveira, 31, analista de sistemas, ambos de São Caetano. “Quando a gente se conheceu, ele dizia que não gostava de futebol. Bastou nós nos casarmos para ele passar todos os domingos assistindo aos jogos”, diz, acrescentando que tem verdadeiro horror pelo Corinthians, porque é o time de coração do marido.
Mas nestes quatro anos de casamento ele não demonstrou apenas essa paixão: também não perde a oportunidade de disputar uma partida de futebol no videogame, outra reclamação das mulheres. “E ele só não vai ao estádio porque sabe que vai escutar muito de mim, mas tentamos levar isso numa boa.”
Casados há 17 anos, Andréa Ceconello, 40, e Mário da Silva Júnior, 44, discordam em um ponto: a paixão pelo futebol. O contador, palmeirense fanático, não perde um jogo. Ela diz torcer para o Corinthians, para contrariá-lo. “Não entendo nada de futebol”, diz. Um dos maiores entraves aconteceu antes do casamento, quando ele mentiu para a noiva para ir a um jogo. Resultado: separaram-se por mais de uma semana. “Para dar certo, aprendi a administrar essa situação”, diz Mário, que vai ao estádio eventualmente e tenta levar as filhas com ele, mas sem sucesso. Assim como a mãe, detestam futebol.