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| Península de Maraú e arredores, no Litoral Sul da Bahia, oferecem passeios inesquecíveis tanto para quem quer sossego no rústico vilarejo de BarraGrande quanto para os que almejam doses extras de adrenalina em meio às trilhas, ondas e baladas de Itacaré. Em comum, os dois destinos esbanjam charme e belezas naturais. Foto: Heloisa Cestari |
Esqueça as paisagens típicas do Litoral Sul da Bahia, com praias extensas cercadas por falésias ou coqueiros a perder de vista. Descoberta há poucos anos pelo turismo em meio ao inesgotável mar de destinos baianos ainda pouco explorados, a sossegada península de Maraú surpreende o visitante com um dos poucos trechos de Mata Atlântica do Estado. E tem assistido nos últimos anos a uma invasão de turistas ávidos por viver dias de Tarzan nas rústicas Itacaré e Barra Grande. Mas apesar das belezas naturais em comum, uma é bem diferente da outra.
A geografia de Itacaré contribui para a formação das melhores ondas do Estado, atraindo os aficionados por surfe e todo burburinho decorrente do esporte, como público jovem, luaus e baladas que adentram a noite ao som de reggae e forró. O toque baiano fica por conta das rodas de capoeira.
Já Barra Grande, distrito de Maraú, é um sossego só. O vilarejo de pescadores até chega a ter certo agito na alta temporada, mas, no geral, o que se vê são hippies vendendo artesanato pela praça, pequenas lojas e casais apaixonados deliciando-se como a comida caseira dos restaurantes.
A natureza, no entanto, é quem dita o tom dos passeios tanto em Itacaré quanto em Barra Grande. Na primeira, o segredo é acessar a estrada para Ilhéus, que concentra as melhores praias e os mais luxuosos estabelecimentos de hospedagem num raio que vai de seis e 20 quilômetros do Centro. Na segunda, os destaques ficam por conta das piscinas naturais da praia de Taipus de Fora, do banho relaxante na Lagoa do Cassange e do passeio de escuna ou lancha pelos mangues e ilhas da península de Maraú.
Uma semana chega a ser pouco para desvendar todas as belezas do trecho litorâneo compreendido entre a badalada Itacaré e a ainda rústica Barra Grande. Não só devido ao imenso leque de opções de passeios que a região oferece como também pela precariedade do percurso, que abrange várias partes de estrada de terra onde o velocímetro dos motoristas mais ousados sequer alcança os 15 quilômetros por hora. Quem se importa? Afinal não há nada melhor para forçar o viajante a engrenar no ritmo baiano.
Mas se você quiser experimentar de tudo um pouco do que a região oferece, é importante não perder tempo diante do farto menu de passeios para todos os gostos. Para os que buscam sossego com toques de requinte e nada mais, Barra Grande é o ponto de pouso ideal. Já quem prefere aliar praias selvagens a esportes radicais e doses moderadas de agito noturno para sair da pasmaceira não deve deixar de dar um pulinho até a charmosa Itacaré, outra jóia descoberta há pouco tempo, mas já bastante lapidada pela indústria do turismo.
Para percorrer todos os recantos mais encantadores da península de Maraú e arredores, é indispensável recorrer aos passeios oferecidos pelas operadoras locais. Apesar da variação de preços, esses roteiros são a única forma de conhecer praticamente todas as maravilhas terrestres, marinhas e subaquáticas da região em três ou quatro dias.
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| Praia de Taipus de Fora, em Barra Grande. Foto: Heloisa Cestari |
Nas proximidades de Barra Grande, o tour de jipe - ou em outros veículos 4x4 - exige que se incorpore certo espírito de aventura para sacolejar na interminável sequência de buracos das trilhas locais. O incômodo é recompensado pelas paisagens que se sucedem. Em geral, a brincadeira passa pelos principais atrativos em terra: o Morro do Farol, a Lagoa Azul, o Morro do Celular, a Trilha das Bromélias e a Praia de Taipus de Fora (ou Taipu, como preferem alguns nativos).
É improvável que aconteça, mas, caso esta última não esteja incluída no roteiro, bata o pé. Exija que a praia faça parte do programa, de preferência na maré baixa, quando descortinam-se os corais que formam deliciosas piscinas naturais. Snorkel e máscara a postos, hora de se divertir com o desfile de peixinhos coloridos que nadam despreocupados. Uma beleza de momento.
No segundo dia, a pedida é percorrer a baía de Camamu no passeio marítimo que visita ilhas e praias desertas, com parada para almoço. Há algumas variações entre operadoras, mas os programas contemplam especialmente as comunidades das ilhas de Campinho e do Sapinho (imperdíveis pela atmosfera pesqueira); a Ilha do Goió (ótima para banho); a ilha da Pedra Furada (que recebeu este nome devido à ação de moluscos que perfuraram as rochas); e a Coroa Vermelha, um enorme banco de areia que alberga dezenas de estrelas-do-mar.
Caso o passeio contemple a cachoeira do Tremembé, o valor fica mais caro. Mas, como o comercial do cartão de crédito diz, há coisas que não têm preço. A queda d'água derrama as águas doces diretamente no mar e é possível banhar-se sem sequer sair do barco. Merece ou não o sutil desprezo pela conta bancária?
O roteiro também costuma incluir a Vila de Cajaíba, onde a fabricação artesanal de embarcações é a atração principal. Ali é possível apreciar as várias etapas de produção, tão interessante para engenheiros quanto para leigos totais no assunto.
Para finalizar, outro passeio pode ser rumo às maravilhas do fundo do mar, indicado não só aos que são habilitados como àqueles que nunca mergulharam na vida e têm ali uma boa oportunidade de fazer o batismo, orientados por instrutores. Depois desses dias, é possível dizer que se conheceu quase tudo o que a península de Maraú tem a oferecer: por terra, mar e debaixo d'água. Mesmo assim, a vontade de ficar por lá mais alguns dias é inevitável. Bem como a de retornar à região o quanto antes. Antes que multidões descubram aquele pedacinho da Bahia, tão isolado quanto deslumbrante, e ele deixe de ser "só nosso", como um dia Porto Seguro, Trancoso e Morro de São Paulo foram. O jeito é arrumar as malas, definir o roteiro e embarcar na aventura à la Cabral de redescobrir o Sul baiano enquanto é tempo.