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Mulheres estão cada vez mais independentes, objetivas e não precisam dos homens, a não ser que o candidato “valha a pena”. Essa é a avaliação do ginecologista e obstetra José Bento de Souza, conhecido por participações em programas de TV.
Em sua clínica nos Jardins, em São Paulo, e nos hospitais Albert Einstein e São Luiz, ele nota que as meninas estão se tornando mulheres mais cedo. Mudanças comportamentais, alimentadas pela mídia, interferem na questão biológica. “Isso é péssimo”, diz, pois a exposição mais prolongada ao estrogênio pode aumentar a incidência de problemas de saúde.
Férteis cada vez mais cedo, elas, no entanto, desejam ser mães mais tarde. Quando decidem pela maternidade, muitas vezes encontram dificuldade em engravidar. No futuro, elas não passarão por esse tipo de frustração, pois será possível produzir óvulos por meio da célula da polpa dos dentes. Por enquanto, os estudos são feitos apenas em animais. Talvez, lá na frente elas poderão ganhar tataranetos e filhos ao mesmo tempo.
Quando uma menina se transforma em mulher?
Elas estão se tornando adultas cada vez mais cedo, tanto do ponto de vista emocional como do biológico. Estão menstruando antes, por volta de 10, 11 anos de idade. Na época de nossas avós, ocorria aos 15, 16 anos.
Quais são os motivos?
Em primeiro lugar, má alimentação. Alimentos ricos em gordura, carboidrato e açúcar criam massa gorda. Também há falta de atividade física. O estímulo da luz solar, por exemplo, em países tropicais, é outra causa.
Quais são as consequências? Menstruar mais cedo é péssimo porque ela fica mais tempo sob influência do estrogênio, que é o hormônio feminino. Isso aumenta incidência de câncer de mama, aparecimento de miomas, de endometriose, além do que traz todas as implicações de limitar a infância, por uma menina ter de usar absorvente.
O aspecto emocional influencia no término precoce da infância?
A sociedade influencia por meio da mídia. Pais também, porque às vezes vestem as filhas como se fossem mulheres e as levam a programas de adultas, como cabeleireiro, costureira. Isso faz com que a menina estimule a produção de estrogênio. O emocional interfere no biológico porque somos comandados pelo hipotálamo, que fica na base do cérebro.
Mulheres estão incorporando padrão de comportamento que há alguns anos era dos homens, como chefiar equipes, ter carreiras estressantes. Agravante é o acúmulo de tarefas, como a de ser mãe. Quais são as consequências?
A mulher está pagando muito caro por isso. Tem mais infarto e estresse, sendo que este torna a TPM (Tensão Pré-Menstrual) cada vez mais forte.
Como será a mulher nas gerações futuras?
A natureza tem de se adaptar às mudanças da mulher, para fazer com que ela engravide mais tarde, para que não perca a fertilidade. Hoje, a partir dos 35 anos, ela começa a ter declínio da fertilidade muito rápido. Elas, geralmente têm se casado por volta dos 28 anos e engravidado a partir dos 32, 33 anos. Essa é uma característica forte em pacientes com nível socioeconômico mais elevado e em países desenvolvidos.
Qual é a idade ideal para engravidar?
Pela natureza, dos 18 aos 25 anos. Após os 35 anos, a mulher pode ter muita dificuldade.
O que a liberdade sexual mudou no padrão de comportamento da mulher?
Ela cuida muito mais da saúde. Está mais preocupada em se prevenir de doenças sexualmente transmissíveis. Faz contracepção segura. Se não houver como se proteger, veste a roupa e vai embora. Ela sabe se impor muito mais do que antigamente.
Ela está mais independente?
Sim. Sabe o que quer, está mais objetiva e percebendo que não precisa do homem para se completar. Se tiver uma carreira, uma família, não precisa de um homem como companheiro, a não ser que valha a pena. Caso contrário, ela fica muito bem sozinha. Tenho pacientes que engravidam com espermo-doação, de banco de esperma, por escolha. Há 30, 40 anos isso era uma heresia.
Os homens se assustam com a nova mulher?
Acho que não. O homem que não se enquadrar ao novo tipo de mulher vai ficar sozinho. Ele não vai mais se relacionar com uma dona de casa. Ela também vai ficar cansada no fim de semana, vai querer tomar cerveja.
Mulheres têm menos filhos atualmente. Quais são as consequências para o corpo e o comportamento?
O problema não é o número de filhos. O problema é que elas menstruam mais. Se quiserem engravidar em idade mais avançada, encontrarão dificuldade.
Pílula anticoncepcional foi um divisor de águas. Essa foi a maior revolução ou surgirá algo novo?
A pílula foi uma revolução. O próximo passo é ela não precisar de óvulos e ovário para engravidar. Estudos em animais utilizam óvulos feitos por meio da célula da polpa do dente. Então, qualquer mulher, de 60, 70 anos poderá engravidar. É o futuro.