São letras negras no papel branco, mas há um tsunami de imagens, cores, cheiros e sons nas poesias de Arnaldo Antunes, como tudo o que ele faz. Há também a simplicidade que se assemelha à pureza das crianças, que só os geniais ousam buscar, sem medo, pelo prazer de errar, ou brincar de errar. Duvida? Deixemos o autor responder: “O preço da dúvida é a (em si também) descrença/ não desprezo por, mas inveja de quem tem certeza”. Essa é uma das poesias do último volume da coleção Melhores Poemas dedicada à obra de Antunes (Editora Global, 224 páginas, R$ 34). A tarefa de organizar a antologia ficou a cargo da escritora e crítica de literatura Noemi Jaffe, que provoca: “(...) A poesia de Arnaldo não fica isenta de coragem ou de princípios. Ao contrário. É agora, no instante da tal verdade,
que se testa a fibra das criaturas. É a hora do vamos ver”.