Vamos continuar nossa conversa sobre questões enviadas pelos leitores. A primeira delas se refere a algumas flexões do verbo “adequar”.
Como é a primeira pessoa do singular do presente do indicativo desse verbo? É “adéquo” ou “adequo” (com força no “u”)? E a terceira? É “adéqua” ou “adequa” (com força no “u”)? É provável que você já tenha ouvido as duas pronúncias. Essa instabilidade talvez decorra da falta de registro histórico do uso dessas formas.
Na tradição da língua, o verbo “adequar” é defectivo, ou seja, não apresenta conjugação completa. No presente do indicativo, ocorrem apenas a primeira e a segunda pessoa do plural: “nós adequamos, vós adequais”. No presente do subjuntivo, nenhuma forma é conjugada.
Nos dicionários e nas gramáticas,esse verbo normalmenteé dado como defectivo. Na versão eletrônica do “Dicionário Houaiss” (edição de 2001, pré-reforma), o verbo aparece conjugado completamente (com acento agudo em “adéquo”, “adéquas”, “adéqua” e “adéquam”). No entanto, no verbete em que trata da terminação “-equar”, o mesmo dicionário diz que os verbos que têm essa terminação são tidos como defectivos e que, modernamente, apresentam conjugação completa, com dois padrões (“adéquo/adequo”,
“adéqua/adequa” etc.). Como se vê, o dicionário é um tanto contraditório nesse caso. A última edição do “Aurélio” (pósreforma) é taxativa e mantém o que dizia nas anteriores:
“adequar” é defectivo.
Se você prefere seguir a tradição da língua, deixe para lá “adéquo” e “adequo”, “adéqua” e “adequa”, “adéquam” e “adequam” etc. Substitua essas formas pelas de verbos sinônimos, como “adaptar”. Se você acha que na língua culta a quantidade de registros do emprego de formas como “adéqua” e “adequa” já é suficiente para dar-lhes “legitimidade”, não se acanhe; escolha a sua e vá em frente.
A segunda questão de hoje é relativa à forma verbal “fora”. Um leitor fez uma aposta com o cunhado: “Quem ganhou?”, pergunta o leitor, que votou em “fôra”. O cunhado ganhou. A forma verbal “fora” foi escrita com acento circunflexo até 1971, quando entrou em vigor a lei 5.765, que eliminou o acento que diferenciava o timbre de palavras como o substantivo “gosto” (escreviase “gôsto”) e a forma verbal “gosto”, ou como o verbo “colher” (era “colhêr”) e o substantivo “colher”.
Era nesse caso que se encaixava o acento empregado na forma verbal “fora” (escreviase “fôra”). O acento diferenciava o verbo do advérbio “fora” (antônimo de “dentro”).
Até domingo. Um forte abraço.