Marcos de Oliveira, presidente da Ford, e a carreira em busca do sucesso
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| Marcos na entrada da fábrica |
O presidente da Ford do Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, é notadamente daquelas pessoas determinadas, que sabem o que querem. O todo-poderoso da montadora que ocupa a quarta posição em vendas de carros de passeio no País – terceira colocada quando consideramos as fatias de mercado referentes aos segmentos de comerciais leves e de caminhões – já sabia que queria ser engenheiro aos 12 anos de idade. Nascido em São Paulo, teve boa parte de sua história ligada ao Grande ABC. Morou em São Bernardo em dois períodos: de 1975 a 1983 e de 1992 a 1994 .
Oliveira começou a trabalhar aos 16 anos como auxiliar de escritório em uma empresa de estruturas metálicas e cofres na Avenida Industrial, em Santo André, ao lado de onde hoje está instalado o ABC Plaza Shopping. Engenheiro elétrico formado na FEI, de São Bernardo, chegou a dar aula em colégios técnicos para os ensinos Médio e Profissionalizante em escolas andreenses.
Em entrevista à Dia-a-Dia Revista, o presidente fala da família, da carreira e da experiência de morar fora do Brasil. Sua rotina começa por volta das 7h. Na primeira hora, ele aproveita para se organizar, ler e-mails e preparar- se para as reuniões de trabalho, com os setores de vendas, produção, planejamento de produto, marketing e todos os assuntos relacionados à empresa. Normalmente, fica no escritório até 19h30, mas nem sempre isso significa o fim do expediente. É comum sua participação em eventos com distribuidores ou fornecedores.
As viagens também são muito corriqueiras na vida do presidente. Ele revela que fica a maior parte do tempo em São Bernardo, mas fazendo viagens curtas dentro do País. “Uma semana por mês nós estamos em Camaçari para reuniões específicas de produtos, de produção, de estratégias. Viagens esporádicas a Brasília ou a outros Estados para visitar distribuidores e fornecedores são bastante comuns; uma vez a cada seis ou oito semanas nós estamos também na Argentina; uma vez a cada três ou quatro meses no Chile. Há outras viagens também dentro da região”, relaciona Oliveira. As idas para os Estados Unidos variam muito em função dos negócios que estão sendo feitos. “Recentemente, em um período de seis semanas, estive quatro semanas fora, sendo duas na Europa. Não é sempre, mas têm períodos em que acontece isso.”
Mesmo com a rotina pesada, Oliveira tenta equilibrar o tempo entre trabalho, cuidados com a saúde e o corpo e a família. “Eu gosto de correr, na esteira principalmente, e procuro fazer isso pelo menos duas vezes por semana; no
fim de semana quase sempre dá certo, na semana é mais complicado.”
Casado e com dois filhos, ele procura, sempre que pode, ficar em casa à noite. “Na medida do possível, eu gosto de proteger o meu fim de semana, passar a maior parte do sábado e do domingo com a família. Mesmo que eu precise trabalhar em alguma coisa, prefiro levar para casa; acordo sábado de manhã ou uso o horário em que a família esteja fazendo outras coisas.”
17 ANOS NO EXTERIOR
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Marcos apresenta tecnologia flex fuel para Lula e George Bush em 2007
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Os filhos de Marcos – um rapaz de 19 anos e uma moça de 22 – fazem faculdade nos Estados Unidos. Nenhum deles quis seguir os passos do pai e dedicar-se à engenharia. A garota estudou inglês e Comunicação, e o rapaz faz Política Social e Economia. No entanto, foram fortemente influenciados pela carreira de Oliveira. Em 25 anos de Ford, Oliveira passou 17 fora do Brasil, sempre acompanhado pela família. Sua filha nasceu no México e o filho, nos Estados Unidos. Eles moraram também na Espanha e na África do Sul. “O único período em que ficamos separados foi por seis meses, quando minha família ficou no México, por causa da escola, e eu estava nos Estados Unidos.”
Antes de chegar à sede da empresa, em Dearborn, Michigan (EUA), Oliveira foi presidente e CEO da Ford do México, cargo que ocupou por três anos e meio. Para assumir a presidência da Ford no Brasil e Mercosul, em dezembro de 2006, ele deixou a posição de diretor executivo da unidade de plataformas monobloco, na área de desenvolvimento de produto da América do Norte. Dois anos antes de seu retorno ao Brasil, foi responsável pelos processos de planejamento, desenvolvimento e lançamento de série de modelos nos Estados Unidos, entre eles Fusion e Edge.
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Como engenheiro, Marcos com os companheiros de trabalho em 1985
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Para ele, viver fora da terra natal tem vantagens e desvantagens. “A família fica bastante unida; o negativo é que você fica longe de pais, irmãos e primos. Mas, em termos de desenvolvimento pessoal, de crescimento profissional, é muito gratificante.”
Para garantir boa educação aos filhos, Oliveira procurou manter um sistema constante. Eles sempre foram a escolas americanas, desde o Ensino Fundamental até a universidade, pois essas escolas existem no mundo
inteiro. “Isso ajudou na consistência da educação, mas, naturalmente, eles tinham de fazer novos amigos, conhecer novos professores, novas culturas”, pontua.
O inglês acabou sendo a língua principal deles. “Em casa, minha mulher é brasileira, então a gente sempre falou português. Eles aprenderam o português muito bem, mas falam e escrevem melhor em inglês, depois em espanhol, porque também moramos bastante tempo no México e na Espanha, então a educação deles na escola era fundamentalmente em inglês e, complementarmente, em espanhol.”
Segundo Oliveira, essa vivência os tornou bastante sensíveis a diferentes culturas, ensinando-os a respeitar as várias maneiras de viver. Ele classifica a experiência de ter vivido de 2000 a 2002 na África do Sul como uma das mais ricas culturalmente para toda a família. “Lá é muito diferente, pois é a combinação das culturas africana, inglesa e holandesa.”
Aquela foi uma fase de transição depois do apartheid e, segundo Oliveira, o governo sul-africano estava trabalhando muito para gerar crescimento e desenvolvimento para os negros. “Foi um período de transição para o país também, onde a maior parte da população não era branca, mas o poder econômico estava concentrado nas mãos dos brancos por gerações. O trabalho governamental era fazer essa transição de forma ordenada, positiva, criando oportunidades para quase 90% da população que era negra, basicamente, mas que não tinha socialmente o mesmo controle econômico do país.”
DE ESTAGIÁRIO A PRESIDENTE
Oliveira começou a trabalhar na Ford como estagiário em 1984, na divisão de componentes automotivos, que hoje é outra empresa, a Visteon. Depois, surgiram oportunidades para que ele fosse para a área de veículos. “Eu sempre tive muito interesse em aproveitar as oportunidades que surgiam. Às vezes com risco. Quando você muda de área, não há garantia de que você fará um bom trabalho na outra, depende muito do seu nível de conforto para aceitar esse desafio, pois pode dar certo ou não.”
Perguntado se, quando começou, alguma vez pensou que chegaria onde está, o presidente da Ford responde com muita tranquilidade que sempre quis crescer na empresa, desejo que foi amadurecendo ao longo do tempo. “O ponto final, até onde você vai chegar, é difícil dizer no começo de carreira porque depende de série de fatores: seu crescimento, seu amadurecimento, de oportunidade, daquilo que você gosta de fazer.” Ele conta que, quando era estagiário, obviamente queria ser efetivado. Depois foram surgindo outras metas: chegar à gerência, à diretoria e, finalmente, à presidência.
PODER
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| Em 2001, Marcos encontra Nelson Mandela |
Bastante acessível aos funcionários, Oliveira é bem simples. Fala com segurança, mas de modo suave. Gosta de prosear. Parece nem sentir o peso do poder. “O poder, para mim, é um pouco relativo, porque tenho uma responsabilidade que é importante na empresa, mas não me vejo, com toda honestidade, melhor ou diferentemente dos outros profissionais que trabalham comigo porque todos nós temos parcela de contribuição. Procuro ter certeza de que esse conceito de poder não subirá à minha cabeça”, brinca.
Para ele, o segredo do sucesso de uma empresa é valorizar seus profissionais e incentivá-los a trabalhar em equipe. “O elemento-chave, não importa a área, são as pessoas. Trabalhar com as pessoas é fundamental, é mandatório. Alguns gostam mais, outros menos. Alguns sabem trabalhar, mas não sabem ou não gostam de liderar, não se sentem confortáveis. Acredito que as grandes empresas, as bem-sucedidas, são as que têm equipes que sabem trabalhar juntas bem.”
O presidente da Ford afirma que, se tivesse de escolher, preferiria um funcionário que soubesse trabalhar em grupo do que outro altamente qualificado. “Prefiro não ter um funcionário tecnicamente muito capaz, muito inteligente, mas que não saiba trabalhar como integrante de uma equipe, do que tê-lo, mas conviver com o problema de uma equipe que não consegue trabalhar em conjunto. Valorizo muito isso. Logicamente, a combinação ideal é ter pessoas tecnicamente brilhantes, que sejam muito inteligentes e saibam trabalhar juntas; isso é o que a gente busca nos profissionais.”
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Corintiano roxo, Marcos prestigia seu time
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Para Oliveira, o trabalho de todos os líderes é o de conhecer sua equipe, seus pontos fortes e fracos, as contribuições individuais, a coletiva e ajudar a orquestrar esse processo de maneira bastante eficiente. Valorizar seus profissionais, na opinião do presidente, faz muita diferença e é uma parte da responsabilidade que a empresa tem com o seu talento humano: criar oportunidades para que esse talento possa se desenvolver. Ele argumenta que, por outro lado, isso não depende só da empresa. “Depende muito das pessoas, dos seus interesses e desejos. Então, a responsabilidade da empresa é de tentar criar oportunidades para as pessoas crescerem, como
tarefas específicas e novas funções. Aí vem a segunda parte, ou seja, o profissional deve ter interesse em buscar isso.”
O presidente complementa que as empresas devem ser competitivas em suas estruturas de salários e benefícios para não perderem recursos humanos. “Normalmente, as pessoas não deixam um emprego por salário melhor, mas para uma posição melhor e crescimento.”