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Cinquentinha?

domingo, 1 de novembro de 2009 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

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Miriam Gimenes e Raquel de Medeiros

Cecília Kojima Pédroso

”Tenho 50 anos, e daí?” Assim a estonteante Sharon Stone desdenha da idade que tem, em entrevista à revista francesa Paris Match. Ela pode! A loira, que aparece nua em fotos que ilustram a reportagem, é o símbolo de uma geração que não sente mais os efeitos do meio século de vida. “Essas fotos não representam nada de surpreendente  para mim, a minha vida não mudou. Eu nunca mudei”, disse, completando que se sente  melhor hoje do que aos 20 anos de idade. Conservadas, livres e independentes, as mulheres com mais de 50, assim como a atriz norte-americana, em nada lembram as cinquentonas de antigamente.

Basta puxar pela memória o estereótipo das avós do século passado: casavam-se cedo, tinham muitos filhos e, aos 50 anos, as rugas eram  visíveis, as roupas sérias e comportadas e as mãos, sempre envoltas com novelos e agulhas de tricô. Fora a cadeira de balanço. A entrada maciça da mulher no mercado de trabalho, a partir da década de 1960, mudou o rumo dessa história. Agora,elas não dependem mais dos maridos, gostam de sexo mesmo na menopausa, financiam seus tratamentos estéticos, vestem-se de acordo com as tendências de moda, praticam exercícios físicos e sonham, por que não, com a guinada na vida profissional. Isso tudo sem deixar de lado a família, que continua sendo o porto-seguro.

Além dos subterfúgios que elas tiveram em razão da independência financeira, os avanços tecnológicos e a realidade das grandes cidades também contribuíram para a longevidade feminina. Quem não se lembra dos ferros de passar roupa que esquentavam apenas com o aquecimento de carvão? Segundo a antropóloga Mirian  Goldenberg, autora do livro Coroas – Corpo, Envelhecimento, Casamento e Infidelidade, muito mais que eletrodomésticos, a internet e os meios de comunicação foram as armas que ajudaram no combate ao envelhecimento. “Novas tecnologias permitiram que as mulheres ficassem mais antenadas e deram o poder de elas escolherem o que lhes é oferecido.” Isso tudo também influencia os homens, que chegam aos 70 anos muito mais jovens e ativos.

Esta beleza madura é o mote da minissérie da TV Globo Cinquentinha, prevista para  estrear em dezembro. Embora o nome tenha sido escolhido em razão da herança que as três protagonistas terão de administrar (a que se sair melhor ficará com 50% da  fortuna), o autor Aguinaldo Silva faz também uma brincadeira com as atrizes Suzana
Vieira, Marília Gabriela e Betty Lago, que têm mais de 50 anos, mas são independentes e, principalmente, belas. “É uma minissérie sobre mulheres que se recusam a envelhecer”, diz o autor.

Na vida real, Marília Gabriela, 61 anos, é adepta da ‘recusa ao envelhecimento’ mencionada por Aguinaldo. Todos os dias pela manhã toma injeção de procaína, substância que combate os radicais livres, envelhecimento e aguça a disposição. Outro exemplo é a jornalista Glória Maria, que não faz segredo e abusa dos cuidados com o corpo e a mente. Mantém-se bela e jovem no alto dos seus 60 anos.

Essas e outras atitudes fazem as mulheres parecerem cada vez mais novas. Segundo dados do IBGE, a expectativa de vida feminina em 1950 era de 53 anos. Hoje chega a76,4 anos. Assim, com o avanço da modernidade e com posicionamento firme e forte da mulher na sociedade, independentemente se profissional ou dona de casa, pode-se acreditar que o lado bom da vida começa aos 50 anos.

MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS

Se a dona de casa Cecília Kojima Pedroso, 63 anos, de São Bernardo, tivesse nascido nos Estados Unidos, certamente seria classificada como ageless. O termo, que em português significa semidade, foi a forma que os norteamericanos criaram para definir o fenômeno cultural que acomete principalmente as mulheres, quando a idade cronológica não influi na aparência e na vitalidade. Avó de cinco netas, com idades entre 3 e 15 anos, Cecília gaba-se revelando que tem problemas quando leva as crianças ao cinema. “Peço meia-entrada para mim também (pessoas com mais de 60 anos têm direito ao desconto) e a moça do caixa não acredita. Tenho de apresentar o documento para conseguir pagar o ingresso mais barato.”

Ela, no entanto, sabe que sua vida em nada se assemelha à de sua mãe, Duillia Viana Kojima, que morreu há mais de 20 anos. Se comparadas as fotos das duas na mesma idade, a diferença é enorme. “Mas não é só no visual. Minha mãe era uma avó que não brincava com os netos. Eu não. Se precisar vou até em montanha-russa com elas. Por serem todas mulheres, estava pensando até em comprar uma Kombi rosa”, brinca Cecília. Para se manter bela, a dona de casa diz que abusa dos cremes e tem alimentação equilibrada, além de fazer caminhada, quando dá tempo.

A realidade dela comprova a estatística apontada na pesquisa A Beleza Amadurece, feita pela Dove com 1.450 mulheres de 50 a 64 anos, de nove países, inclusive o Brasil. Das entrevistadas, 87% admitiram que não são como suas mães quando elas tinham 50 anos: têm independência financeira, preocupam-se com a saúde, são ativas em casa e no trabalho, cuidam da aparência física e falam o que pensam. E quase todas, 92%, acreditam que está na hora de a sociedade mudar a visão sobre as mulheres e sobre o envelhecimento, que tem de ser medido agora pelo estilo de vida e não pelo aspecto físico.

Mirian Goldenberg explica que notamos facilmente esse fenômeno porque até os anos 1960 as faixas etárias eram muito explícitas. “Hoje a continuidade entre as gerações é muito maior do que a ruptura.” Isso porque, com o aumento da expectativa de vida, a concepção do idoso mudou: segundo a Organização Mundial da Saúde, entra-se na terceira idade aos 60 anos, mas as pessoas não se sentem dentro deste status, tanto física quanto psicologicamente.

“Hoje, as mulheres decidem ter filhos aos 40 anos e, aos 50 estão começando série de projetos”, conclui a antropóloga, após entrevistar brasileiras, alemãs e espanholas. Muito mais do que a aparência, elas se preocupam em ter qualidade de vida. “Muitas veem essa idade como um momento de liberdade, em que podem viver e serem elas mesmas pela primeira vez na vida. Por conta dos filhos, não tiveram tempo de olhar para si”, diz Mirian. Até as casadas aproveitam, segundo ela, para intensificar a atenção ao marido e reavivar os tempos de namoro.

Alimente-se bem

Claudia busca equilíbrio entre corpo e mente

Ingerir alimentos ricos em fibras que auxiliam no trânsito intestinal, outros com licopeno, um eficiente anticancerígeno – presente nos frutos de cor vermelha –, são bons contra o envelhecimento. “Também não se deve dispensar frutas, verduras e legumes que fornecem sais minerais e vitaminas, ajudando na formação da pele”, diz a nutricionista Marli Regina Kling, de São Bernardo. Diferentemente das mulheres de décadas atrás, que tinham de se contentar com o que o marido podia comprar, a informação, para ela, é grande aliada. “Antes elas não sabiam da riqueza que podia extrair dos alimentos. Hoje, fala-se muito de tudo isso; não tem desculpa para não usufruir das propriedades.”

Procurar alimentação balanceada é um dos artifícios usados pela atriz Claudia Alencar, 59 anos, da Rede Record. “Um dos meus grandes pensamentos é não me entupir nem de toxinas alimentares nem emocionais. Isso tudo fica no intestino apodrecendo e dá doença. Se você se alimenta de coisas ruins fica estressado e envelhece.”

Assim como a nutricionista, Claudia acha que só ter acesso a essas informações não adianta. O segredo é colocá-las em prática. E ela faz isso todos os dias quando prepara as refeições, pratica meditação – para ela, um dos segredos para encontrar o equilíbrio entre o corpo e a mente –, faz ioga, musculação, corrida e, nos tempos de descanso em casa, pinta e escreve poesias. Tudo isso sem esquecer dos dois filhos, Crystal, 17, e Yann, 21. “Nós abrimos caminhos com a pílula, somos a primeira geração a ser de ponta.
O que estamos fazendo é aumentar nosso prazo de validade no mundo. Quem disse que a gente vai tricotar aos 50? De onde veio essa lei?”, questiona. Para a atriz, sua vitalidade também a ajuda na hora de atuar.

Tânia mantém seu peso por quatro décadas

Outro exemplo de quem aposta na boa alimentação vem da cirurgiãdentista Tânia Lucia Borges Hernandes, 52 anos, de Santo André. Ela conta que tem tendência para reter líquidos e, por isso, sempre teve de tomar cuidado durante as refeições. “Almoço muita salada e como pouca carne”, revela. Ela, que mantém os mesmos 54 kg desde a adolescência, embora tenha passado por duas gestações, diz que sua aparência a fez lidar com situações engraçadas. “Já aconteceu de acharem que eu era filha do meu marido (Norberto), que tem 56 anos.” Ela diz não ser adepta à academia, mas não abre mão de praticar exercícios em casa e caminhar.

Sexo até mesmo após os 50

Engana-se quem pensa que, com o passar dos anos, o sexo vira secundário para a mulher. A chegada da menopausa, quando o nível de estrogênio cai 75%, gera mudanças no corpo e desejo. Porém, pesquisa aponta que 40% das entrevistadas dizem gostar mais de sexo aos 50 do que quando eram mais jovens.

A especialista em sexualidade Laura Müller, colunista da Dia-a-Dia, afirma que a alteração de comportamento da mulher nos últimos anos fez com que a mentalidade sobre o relacionamento mudasse. E agora elas querem, e muito, sentir prazer. “Na época das avós a mulher não se sentia no direito em ter prazer ou orgasmo. Tinha de mostrar o recato. Hoje ela quer ter orgasmos múltiplos.”

Havia também a obrigatoriedade em seguir os preceitos religiosos, incutidos na célebre frase ‘até que a morte os separe’, sem falar nos filhos, que muitas vezes passavam de dez. Com a independência sexual, promovida pela pílula, o jogo virou. Mesmo com as alterações do corpo, dá para prolongar e até melhorar o momento de prazer. “O sexo, com algumas adaptações, pode ser bom para o resto da vida.”

As mulheres na faixa dos 50 anos se encontram no período de climatério e menopausa, mudança hormonal que reflete em todo o organismo. As mulheres modernas não se conformam mais com as limitações causadas por essa realidade. “Fazem de tudo para não aparentarem a idade que têm. Lançam mão dos cosméticos, exercícios e plástica. Têm medo de envelhecer e engordar”, afirma o diretor técnico do Hospital da Mulher – Fundação ABC, Cícero Zenneri Mathias. Segundo ele, para combater qualquer incômodo, deve-se fazer a reposição hormonal, sempre indicada por um especialista.

Na novela Viver a Vida, da Rede Globo, mulheres na faixa dos 50 anos já mostraram em diversas cenas que estão com a sexualidade à flor da pele. Na trama, Ingrid (Natália do Valle) interpreta uma fotógrafa que faz ensaios particulares. Até aí, tudo normal. Mas, na realidade, as modelos têm mais de 50 anos, que não se limitam apenas em mostrar aos maridos as imagens: algumas confessam até presentear os amantes.

Sem idade

O que não faltam são artifícios que ajudam a mulher a permanecer jovem por mais tempo. Seja na alimentação balanceada, nos cosméticos de última geração ou nos tratamentos estéticos; se houver um pouco de vaidade não há desculpa para não amenizar a idade. De nada adianta recorrer a esses métodos, segundo a dermatologista Shirley Borelli, autora do livro Até 120 anos..., se a prevenção não começar cedo. “A melhor dica para retardar o envelhecimento é usar filtro solar sempre, se expor ao sol no horário adequado, controlar o consumo de cigarro e o estresse.” O envelhecimento, avisa ela, começa entre os 30 e 35 anos. O diretor da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Emerson Vasconcelos de Andrade Lima, reforça o conselho da especialista. “Uma das maiores armas para combater o envelhecimento é o filtro solar, que deve começar aos 6 meses de vida.” Ele chega a
comparar essa atitude e a independência feminina como o casamento perfeito para que a mulher  prolongue a beleza. “Antes elas dependiam só do marido. Com a entrada no mercado de trabalho, elas mesmas nos procuram e financiam os tratamentos, o que é muito bom.”

E inúmeros são os procedimentos disponíveis. Entre os mais procurados, a aplicação da toxina botulínica, cujo preço varia de R$ 800 a R$ 1.500, ganha disparado. O resultado obtido é a redução das rugas de expressão em decorrência da paralisação dos músculos.

Outra opção é a terapia ortomolecular, muito comentada nos últimos anos, que surge como alternativa para ajudar na busca do reequilíbrio corporal. O benefício é amplo, abrange não só o lado estético como a saúde também. Aumento de peso, secura vaginal, perda de elasticidade da pele e sintomas decorrentes da menopausa são apenas algumas das áreas que a terapia consegue melhorar. “Por exemplo, uma garota de 20 anos tem cerca de 100% de colágeno. Aos 50 há perda de 70% e por meio da terapia conseguimos encontrar formas de repor. Vai além do simples consumo de gelatina”, explica o cardiologista e terapeuta  ortomolecular Fábio César dos Santos, colunista da Dia-a-Dia Revista. Nas mulheres acima de 50 anos, a terapia é usada para reposição hormonal.

Comunicação


Chamar a atenção das mulheres maduras não é nada fácil, pois o grau de exigência é  maior. Para acompanhá-las, as empresas de publicidade tiveram de se adaptar. É o que diz o vice-presidente de atendimento da agência W/Brasil, Ronaldo Gasparini. “Hoje é comum ver uma mulher de 40 anos cogitando ter o primeiro filho. Antes estavam mais preocupadas com a menopausa. Tudo isso faz com que nós prestássemos mais atenção.”

Para ele, não existe mais a segmentação da linguagem. Cita como exemplo a propaganda de uma marca de iogurte: a preocupação com a saúde e em manter a forma faz tanto uma jovem quanto uma mulher mais madura ingerirem o produto, que ajuda a regular o organismo, além de ser rico em cálcio, necessário em qualquer idade.

Mas não é em todos os segmentos da comunicação que essa realidade se reflete. Embora no Brasil poucas publicações sejam feitas exclusivamente para o público com mais de 50 anos, na França, a revista Femmes atende diretamente a esse perfil. A capa da publicação, que alterna entre famosas ou não, já teve Demi Moore, Mônica Belutti, Claire Chaznal e a ex-primeira dama da França, Cecília Attias.

Exercícios específicos e eficazes

A aposentada Ida Rodrigues Rieffe Maron, 58 anos, tem uma vida corrida. Mas não reclama, pois é intencional. Desde que deixou a profissão de digitadora, decidiu fazer exercícios físicos, entre eles cooper – pratica duas vezes por semana com um grupo no Parque do Ibirapuera. A atividade a levou a participar da São Silvestre, com percurso
de 15 quilômetros. O saldo? Rankings, troféus e entrevistas. A ideia surgiu quando foi acompanhar uma das duas filhas à academia e hoje separa o período da manhã só para cuidar dela e do corpo.

O objetivo quando completar 60 anos é correr a Meia Maratona de São Paulo, que tem 21 quilômetros. Para redobrar as forças, conta com o incentivo da família, fator que nem sempre aconteceu. Assim que tomou a decisão de se dedicar aos exercícios físicos, Ida revela que o marido não gostou muito, o que provocou discussões entre o casal. “Mas hoje ele vai me buscar e, algumas vezes, me acompanha”, diz.

A exemplo da aposentada, mulheres com mais de 50 devem se exercitar. A afirmação surge como novidade para muita gente que pensava que a maturidade não era feita para a força. “Antigamente, não se recomendava exercícios de força para terceira idade. Além disso, pessoas acima de 50 anos já eram consideradas velhas. Hoje mudou”, explica o professor do curso de Educação Física da Unifesp da Baixada Santista Ricardo Guerra.

Segundo o especialista, a facilidade de encontrar atividades adaptadas pode surtir efeito em corpos maduros, que ficarão mais torneados e saudáveis. “A possibilidade de encontrar informações otimistas em relação ao contexto da maturidade é um fator que deve ser pesado. Afinal, não é só em razão do exercício que as mulheres aparentam
jovialidade, mas da cabeça também”, reflete.

Avó, mas nem parece

A empresária Irene Maria Bertola tem 52 anos, é avó, mas ninguém acredita. “Sempre brincam comigo perguntando qual é a fórmula que uso para parecer mais jovem.” Ela revela, no entanto, que sempre cuidou da aparência e da alimentação e acredita que
isso possa ter ajudado.

Os tratamentos estéticos e os exercícios auxiliam na busca da manutenção física da mulher moderna. Irene, porém, afirma que não tem conseguido cuidar
muito disso no momento por causa da rotina agitada, que passa muito longe dos crochês, tricôs ou da cadeira de balanço. “Acordo 7h, tomo café e vou trabalhar. Chego na empresa 8h, é tudo muito corrido.” A empresária é responsável pela parte financeira da companhia, mas não deixa de lado a família e sua paixão, o neto Fernando. Ela repara que as mulheres de hoje parecem mais jovens do que há alguns anos.

A mãe de Irene também se destaca das idosas de 80 anos de outras épocas. “Minha mãe pediu para eu buscar meu neto mais cedo na casa dela, porque tinha um baile pra ir às sete da noite”, conta, aos risos.

Antenadas com a moda

Pensar em uma mulher do passado é vê-la com vestidos largos, decotes altos e geralmente pretos. Tudo mudou. Isso acontece não só porque a moda evoluiu, mas também porque o comportamento delas não é mais o mesmo. Tanto que tem até quem troque de roupa com a filha de 25 anos, sem cerimônias. Mas pode? Segundo a apresentadora do programa Esquadrão da Moda, Isabella Fiorentino, se escolhida com prudência, qualquer peça pode ficar bem. “Acho que se as medidas e os pesos forem próximos, algumas peças básicas podem ser compartilhadas, como de alfaiataria, jeans, blusas clássicas. Só tem de tomar cuidado com estampas, brilhinhos e lacinhos infantis”, avisa.

No passado, a vestimenta era muito séria

Decote e pernas de fora são permitidos, de acordo com o também apresentador do mesmo programa Arlindo Cruz. “Elas (pernas) podem ficar de fora, mas de preferência com saias ou vestidos na altura do joelho”, aconselha.

A consultora de moda Costanza Pascolato, 70 anos, acrescenta que o formato da peça pode acabar com o visual de uma mulher madura. “Sempre achei errado usar roupa muito justa. E a brasileira tem mania de parecer desleixada com peças muito largas ou mostrar o contorno do corpo de qualquer jeito, que não fica bem.” Para ela, que ainda hoje pratica musculação, a busca desenfreada em combater o envelhecimento deixa a mulher com a fisionomia estranha. “Tem gente que se modifica cirurgicamente para perseguir o modelo de um jovem. O legal é estar o melhor possível dentro da sua idade.”

Hoje em dia há quem ainda sinta dificuldade de encontrar peças ‘meio-termo’, nem tão coberta como para as mais idosas nem tão joviais. Os apresentadores acreditam que o mercado já percebeu a mudança do perfil dessas jovens senhoras e começa a se adaptar. “Existem marcas de boa qualidade no Brasil que fazem roupas para mulheres de 50 que são hiperativas e não querem competir com a filha ou parecerem menininhas. Mas há também grande parcela delas que está acima do peso e não encontram roupas com facilidade”, admite Cruz.

Trabalho, por que não?
 

Helô não tem vergonha de ser sessentinha

Helô Pinheiro, a eterna Garota de Ipanema, diz com orgulho a idade que tem: 66. Nem sempre foi assim. Após completar 50, embora tenha posado para revista Playboy com 58 anos junto com a filha Ticiane, ficou com medo de comemorar os aniversários e perder trabalhos. “Pintou uma insegurança”, confessa. Mas com o conselho do genro, o apresentador Roberto Justus, a visão mudou. “Ele me disse que eu estava bem e que poderia servir de exemplo para outras mulheres. Isso me animou a dizer idade. Voltei a
ter orgulho de mim mesma”, diz.

Assim como a musa de Vinicius de Moraes e Tom Jobim,que continua fazendo desfiles da sua marca Helô Pinheiro by Amarras, e ainda tem tempo para curtir as três netas, as mulheres – que por muitos anos ficaram apenas em casa – querem continuar no mercado de trabalho após os 50. O dado é confirmado pelo estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que mostrou que as pessoas com mais de 50 que estão trabalhando vivem em condições bem melhores que os jovens, inclusive as mulheres. Isso porque, no intervalo de 12 anos – de 1986 a 1998 –, a renda delas que, era superior a dez salários-mínimos, dobrou. Segundo a pesquisa, isso se deu porque ocuparam postos mais bem remunerados, o que ajuda na renda familiar e, consequentemente, tiveram direito a aposentadoria mais alta.

Dados do Sebrae apontam  que, pela primeira vez, o empreendedorismo feminino supera o mas - Trabalho, por que não? culino. As brasileiras, por sua vez, ocupam o 7º lugar no ranking mundial de empreendedoras, que somam 8 milhões em todo o País. E, no período de 2004 a 2005, as com mais de 50 anos foram responsáveis por 15% da abertura de empresas paulistas.

A característica principal que ajuda os empreendimentos a darem certo é a facilidade com que as mulheres têm de lidar com as pessoas e ter sensibilidade suficiente para identificar as necessidades do cliente.
 

Laís aventurou-se em uma faculdade aos 50

O crescimento profissional, no entanto, não é o único foco das mulheres contemporâneas. Há quem se aventure em começar faculdade ou apostar em cursos de inglês no Exterior. A agente social Laís Pires Camargo, 58 anos,ficou com a primeira opção e, assim que completou meio século, decidiu cursar a  faculdade para terceira idade na Universidade Metodista de São Paulo. “Estava me sentindo só e, além disso, havia acabado de ter um
problema de saúde. Com três anos me formei em agente social e, até hoje, participo de projetos da faculdade”, afirma.

Concretizar um curso superior foi para Laís uma forma de realizar um sonho. Em razão do casamento, com apenas 20 anos, deixou de lado a carreira profissional e dedicou-se apenas à casa e aos filhos. Mas isso não a impediu de aos 50 voltar a pensar em si. E ela quer mais. A próxima cadeira que pretende sentar é em uma sala do curso de Psicologia, o que deve ocorrer nos próximos dois anos.

Existe também a segunda opção, que é de procurar estudo no Exterior. Segundo Santuza Bicalho, vice-presidente da agência que presta opções de intercâmbio STB, os mais procurados são de idiomas combinados com atividades culturais ou esportivas,como italiano com culinária, espanhol com flamenco, inglês com golfe ou com degustação de vinhos. “Porém, o maior crescimento nessa faixa etária ainda é dos cursos de idiomas, sem atividades complementares”, acrescenta. Entre os destinos mais procurados estão Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.


Comentários

Diva
17/08/2010
Fiquei muito feliz ao ler estes comentários, pois tenho 75 anos e me sinto como se tivesse quarenta...acontece que tenho encontrado certa dificuldade em atingir o orgasmo e aqui percebi que é possivel reverter meu problema com mudanças de comportamento
maria de lourdes p. melo sacchitiello
15/04/2010
Nós mulheres estamos vencendo todos os sinais, que tudo que qeremos nós conseguimos e vamos á luta sem mêdo de ser feliz.malu

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