Menos eu, mais nós

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Isadora Almeida

Em um mundo onde impera o individualismo, Sérgio Vinícius Buchabick e Luciana Bicineri destoam como exemplos de pessoas que acreditam na coletividade. Mais do que abraçar vagas de trabalho voluntário, ambos tiveram iniciativas pessoais para auxiliar também quem quer ajudar o próximo. Sejam pessoas ou animais, todos precisam de amparo em algum momento, e os dois recorrem à web para encontrar soluções no Grande ABC. Confira a seguir como eles transformaram ideias simples em valiosas ferramentas para reunir indivíduos envolvidos no mesmo intuito de colaborar com o bem comum.

 
Sérgio Buchabick criou o portal Busca Voluntária há menos de dois meses. Foto: André Henriques
BUSCA VOLUNTÁRIA
 
O jornalista Sérgio Vinícius Buchabick, 35 anos, de São Bernardo, interessou-se por trabalho voluntário em meados de 2009, quando vagava pelo Poupatempo de sua cidade e avistou um guichê onde se lia ‘Escreve Cartas’. Era uma seção onde voluntários preenchiam documentos, criavam currículos e escreviam cartas gratuitamente para cidadãos que não tinham condições de fazê-lo. Interessado, ele se inscreveu, mas a comunicação foi lenta e ele teve de se esforçar muito para conseguir o cargo, que só assumiu após seis meses. 
Depois disso, passou a procurar opções na região pela internet, mas a pesquisa no Google não oferecia muitas alternativas. “Eu tinha tempo, mas não encontrava opções.” Foi quando teve a ideia de criar um portal onde qualquer pessoa interessada em voluntariado pudesse encontrar vagas perto de onde mora. “Eu não conhecia nenhum site que oferecesse isso. Muitas pessoas desistem de ajudar por não encontrar opções. E quando encontram, não obtêm nenhum retorno”, diz Sérgio, que entrou, então, em contato com o Centro de Voluntariado de São Paulo em busca das entidades que oferecessem vagas. 
Nascia o portal Busca Voluntária, página eletrônica onde qualquer indivíduo pode procurar trabalho voluntário no Estado de São Paulo, seja por bairro, área de atuação ou horário disponível. Em menos de dois meses, a plataforma passou a oferecer mais de 100 vagas em São Paulo. “O meu compromisso é escrever uma matéria no blog e cadastrar pelo menos duas vagas por dia.” 
As ONGs conseguem se cadastrar sozinhas e os interessados se candidatam automaticamente pela plataforma. O objetivo de sustentar essa página é colaborar com a população na hora da pesquisa. “A ideia é que quando alguém entrar no Google e pesquisar por trabalho voluntário, caia diretamente em nosso site. Quero facilitar a busca.”
Uma organização de Curitiba (PR) e outra de Natal (RN) já quiseram participar do Busca Voluntária, mas, por enquanto, Sérgio só trabalha na região metropolitana, mesmo que a médio prazo o objetivo seja atender a todo o Brasil.
As entidades dão informações das vagas e os interessados enviam a candidatura através do portal. O contato entre eles é direto. O jornalista não ganha nada com a plataforma, mas se sente recompensado pela oportunidade de incentivar outros cidadãos a ajudar o próximo. “Ser voluntário é ser alguém com disposição para doar tempo e energia a outras pessoas ou causas”, afirma convicto.
 
Luciana Bicineri com Dominique (ao centro) e outras duas cadelas que socorreu. Foto: André Henriques
LYENKÃO
 
Embora seja graduada em Relações Públicas, a andreense Luciana Bicineri, 37 anos, dedica seu tempo de outra maneira e a outros seres vivos. Através de sua página pessoal no Facebook, ela criou o projeto Lyenkão para ajudar animais abandonados ou maltratados no Grande ABC, seja com remédios ou encontrando novos lares.
A promoter sempre foi apaixonada por animais. Aos 16 anos, ganhou uma cadela, a Lyenka, que inspirou o nome da ação solidária. “Com ela, aprendi que (cachorro) não era apenas um presente. Toda vida precisa de proteção. Então, passei a andar com ração, biscoitos, potes de margarina e água no carro para ajudar os animais de rua”, lembra.
O início de sua dedicação deu-se em meados de 2007, quando um amigo encontrou uma cachorra machucada e a contatou. Luciana conta que pedia ajuda e ninguém se prontificava, já que o animal era pesado e estava ensanguentado. Até que uma pessoa a socorreu e ela conseguiu levar o animal ao veterinário. A cadela, que recebeu o nome de Dominique, levou 57 pontos, mas sobreviveu e vive com ela até hoje.
Luciana percebeu que não bastava ter dó dos animais. Era preciso agir. Foi quando focou sua energia em cuidar de castração, passou a estudar sobre o comportamento animal e a ajudar pessoas que não tenham condição de manter seus bichos de estimação adequadamente. 
A voluntária perdeu as contas de quantos animais ajudou, mas já socorreu cães, gatos, pássaros e até porquinhos-da-índia. “Encontrei lares onde eles são tratados como parte da família. Já tive algumas devoluções, mas é preferível que eles sejam devolvidos do que abandonados novamente, porque é indício de que a pessoa não está apta a cuidar de uma vida tão frágil”, conclui.
Luciana diz que encontra os animais por indicação ou em qualquer lugar que passa nas ruas. Assim que resgata, ela os leva a veterinários associados à Lyenkão, que não cobram consulta, dão descontos em exames e realizam procedimentos de banho e tosa. É o caso dos doutores Igor Hypolito e Fernando Fatobene, da clínica Fatobene, Diego Modena, do Labory Diagnóstico Veterinário, Milena Matheus, proprietária do pet shop Bichos e Acessórios, que também colabora procurando adotantes.
Como relações públicas, conheceu muitas pessoas e acredita que isso ajudou na divulgação dos bichos. “Me sinto tão feliz ao ver um animal sendo doado para uma família que o ama, curado e feliz, perdendo o trauma. Não sou eu quem ajudo os anima


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