Na estréia do Brasil na Copa das Confederações, em meados de junho, diante do Egito, uma inesperada atração roubou a cena dos gramados e atraiu os holofotes do mundo todo para as arquibancadas: a dança sincronizada da torcida sul-africana. E esse foi apenas um aperitivo da hospitalidade com que o turista brasileiro deverá ser recebido durante os jogos da Copa de 2010.
“Basta você dizer que é brasileira a um africano na rua para ele se por a pronunciar os nomes de todos os jogadores da seleção. Eles são loucos pelo Brasil. Sem falar que o técnico do time africano é brasileiro e até o uniforme deles se parece com o nosso. Nossa seleção vai se sentir em casa”, garante a representante do South Africa Tourism, escritório oficial de turismo da África no Brasil, Tatiana Isler.
O projeto do Soccer City, estádio-sede da abertura e do encerramento da Copa do Mundo, em Johanesburgo, mostra bem esse espírito de união. “A construção foi inspirada no shambalaya, pote de cerâmica, típico da etnia zulu, que tem significado de reunião, porque todos tomam cerveja no mesmo recipiente”, explica Tatiana.
Outros três estádios prometem impressionar pelos traços arrojados da arquitetura: o Nelson Mandela, em Port Elizabeth; o Green Point, na Cidade do Cabo; e o Moses Mabhida, em Durban. Este úlltimo, de design alemão, contará até com um teleférico para ser usado como atração turística após a Copa, proporcionando vista de 360 graus de toda a região no alto dos 106 metros de seu arco.
As paisagens mais bonitas do país, no entanto, concentram-se mesmo na Cidade do Cabo. O respeito à diversidade conquistado a duras penas - a primeira eleição multirracial no país só aconteceu em 1994, com o fim do apartheid - confere ao local um cosmopolitismo difícil de ser imaginado por quem sempre considerou os safáris como único ícone do turismo africano.
Os passeios vão desde degustações em vinícolas até visitas a campos de golfe de alto padrão, restaurantes requintados, danceterias GLS, hotéis-cassino, museus e praias belíssimas, onde se pode observar baleias ou mergulhar em gaiolas para ver de perto os nada simpáticos tubarões brancos.
Também é lá que os aventureiros de plantão encontram o mais alto bungee jumping do mundo, com vertiginosos 216 metros a partir da ponte do Rio Bloukrans.

Para quem não consegue vislumbrar um roteiro pela África que não inclua os big five - leão, leopardo, rinoceronte, búfalo e elefante, assim intitulados por serem os cinco mamíferos selvagens de grande porte mais difíceis de serem caçados pelo homem -, hotéis de alto luxo em meio a reservas de animais selvagens, os chamados
lodges e
game reserves, também estão presentes em quase todo o país, com opções que vão da observações de pássaros a passeios de jipe em meio às famosas feras da fauna africana. Tudo com muito conforto e segurança, claro.
Motivos de sobra para cativar ainda mais o Brasil, que no ano passado enviou 36 mil turistas à África do Sul – crescimento de 9,2% em relação a 2007. “Para 2010, a expectativa é de que 450 mil estrangeiros visitem o país só durante o período da Copa, sendo que 40 mil deles são brasileiros”, comemora o South Africa Tourism sob som de trombetas, ou melhor, das ensurdecedoras cornetas da torcida africana.