Responda rápido: o que Caribe, Polinésia Francesa, África do Sul, Austrália e Brasil têm em comum? A dica está escondida nas profundezas de seus mares. São estes os melhores pontos do mundo para a prática do mergulho, esporte que conta com mais de 30 milhões de adeptos no mundo.
E a fixação por desvendar os mistérios e peculiaridades do habitat submarino não vem de hoje. Há 4.000 anos, no Japão e na Coréia, já se registrava o uso de técnicas de imersão em águas salgadas para a busca de alimentos. Em algumas guerras, o fundo dos oceanos também serviu como alternativa de caminho para resgatar armamentos e empreender ataques ao inimigo.
O mergulho como prática esportiva, no entanto, só surgiria em 1943, quando o oceanógrafo Jacques Cousteau, na época capitão da Marinha Francesa, e o engenheiro Emile Gagnan inventaram o aqualung - cilindro portátil de ar comprimido com um dispositivo que permite respirar embaixo d'água, também conhecido como scuba. Estava dada a largada para uma das atividades de aventura mais fascinantes do planeta, impulsionada pelo aperfeiçoamento de equipamentos cada vez mais seguros e acessíveis ao bolso dos aficionados pelo mundo subaquático.
“Os equipamentos estão em constantes inovações. Até poucos anos atrás, mergulhava-se com uma tabela para obedecer às regras do padrão mundial. Hoje, já é possível utilizar um computador de mergulho, espécie de relógio que calcula todas as informações da tabela. Antes ele era supercaro, mas agora não: é mais fácil de comprar. Também há computadores que você acopla ao respirador para medir os batimentos cardíacos e ter um parâmetro do consumo de ar, permitindo relacionar os limites da fisiologia do corpo do mergulhador com o que resta de ar no cilindro. Isso pode vir a ajudar em pesquisas”, explica o gerente de produtos da Freeway Diving, Felipe Gambá.
Em solo – ou melhor, água – tupiniquim, a atividade soma 400 mil praticantes e cresce 20% ao ano, enquanto o resto do mundo registra um aumento de apenas 5%. A quantidade de adeptos no País, no entanto, ganha proporções diminutas se considerado o incontável número de naufrágios e a imensa extensão da costa verde-amarela. Afinal, locais com boa visibilidade para efetuar o batismo não faltam a quem deseja arriscar os primeiros “passos” na vida de peixe em águas brasileiras. “O que falta é desmistificar o mergulho no Brasil”, diz Gambá, lembrando que a atividade não requer preparo físico e pode ser praticada por pessoas de todas as idades.
Mas antes de embarcar na aventura submarina é importante estar a par das condições climáticas e dominar as técnicas de mergulho, seja ele livre (feito na superfície, geralmente com auxílio de nadadeiras, máscara e snorkel para respirar) ou autônomo (quando é utilizado equipamento com cilindro de ar comprimido para alcançar o fundo do mar).
Também conhecido como scuba diving, o mergulho autônomo exige certificação para alugar o cilindro e cair na água. A carteirinha é conseguida após um curso básico, oferecido em escolas de mergulho afiliadas de entidades internacionais (como Padi, CMAS, PDIC e Naui), que permite submergir a até 18 metros de profundidade. E também há aulas de nível avançado para os que ambicionam se especializar em cavernas, naufrágios, mergulho profundo ou em fotografias debaixo d'água.
O primeiro Parque Estadual Marinho do Brasil - Parcel Manuel Luís, no Maranhão -, por exemplo, é considerado privilégio exclusivo de mergulhadores experientes. Mas também é possível empreender aventuras subaquáticas em pontos menos perigosos, tão belos e ainda mais ricos em espécies de fauna e flora marinhas. A começar pelos santuários ecológicos de Fernando de Noronha (PE), Abrolhos (BA) e Bombinhas (SC), onde a natureza reina absoluta. Para os aficionados por lendas de piratas, sereias e tesouros perdidos no fundo do mar, por sua vez, a região Sudeste, especialmente o Litoral Norte de São Paulo e Sul fluminense, são fartos em naufrágios de navios ainda pouco explorados por mergulhadores.
E para quem pensa que a prática do mergulho é exclusividade do litoral, um conselho: visite a Chapada Diamantina, em Lençóis (BA), ou siga até Bonito, no Mato Grosso do Sul. Além dos rios e lagos que dão ao mergulhador livre a sensação de estar num imenso aquário natural, algumas cavernas situadas nestes dois locais proporcionam a perigosa emoção de praticar o mergulho autônomo - sempre com o imprescindível auxílio de uma lanterna - em meio a espeleotemas submersos e espécies raras de peixes adaptados à escuridão. Confira abaixo as peculiaridades dos melhores pontos de mergulho no Brasil e no mundo.
ÁFRICA
Nadar ao lado de tubarões, acariciar arraias gigantes, explorar o interior de navios naufragados séculos atrás ou conferir as estranhas formas de vida que envolvem a maior barreira de corais do planeta. O menu de atrações submersas mundo afora parece nunca cansar de revelar novas espécies e aventuras aos aficionados por cilindros de ar comprimido. E dá-lhe adrenalina neste terreno ainda tão pouco visitado, onde o homem passa de dominador a mero figurante de um mundo praticamente desconhecido, onde animais de tamanhos colossais imperam absolutos.
A começar pelo litoral sul-africano, banhado pelos oceanos Atlântico e Índico. Algumas operadoras especializadas no segmento oferecem pacotes para mergulhar com mais de 30 espécies de tubarões, entre elas os chamados cinco reis dos mares: branco, tigre, martelo, galha-branca e touro. O “desespero” começa no terceiro dia de viagem, quando o mergulhador é aprisionado em uma gaiola para avistar o temido tubarão branco – aquele que protagonizou produções de Spielberg na década de 1970. E não é para menos: considerado o maior da espécie, ele pode chegar a seis metros de comprimento - por aí, já dá para imaginar o tamanho dos dentes.
Para quem “sobrevive” ao susto, o sexto e sétimo dias são reservados a outra grande aventura: avistar o tubarão-tigre em Aliwal Shoal. São cinco horas no mar ao lado da criatura. Depois, no nono dia, a viagem segue a Protea Banks no rastro dos tubarões martelo, galha-branca e touro. Haja adrenalina!
POLINÉSIA FRANCESA
A 600 quilômetros do Leste da Austrália, a Polinésia Francesa reúne pontos de rara beleza em seus cinco arquipélagos de águas cristalinas. O mais famoso é o das Ilhas da Sociedade, composto por Taiti, Bora Bora e Rangiroa, entre outras.
CARIBE
Com a segunda e a terceira maiores barreiras de coral do planeta, a região do Caribe, na América Central, é referência em mergulho internacional. Lugares como Costa Rica, Cuba, Curaçao, Galápagos e o arquipélago de Los Roques, na Venezuela, destacam-se não só pela impressionante visibilidade de suas águas como pelo exotismo das espécies de animais e plantas subaquáticas.
Na Costa Rica, que detém 6% de toda a fauna mundial, a parte banhada pelo Oceano Pacífico serve de refúgio a vários gigantes dos mares, como arraias manta e chita, tubarões-baleia e galha-branca, tartarugas, baleias humpback e peixes das mais variadas cores e espécies.
A visibilidade chega a 30 metros e a temperatura da água varia de 21ºC a 28ºC. De quebra, o turista ainda tem a oportunidade de conferir em terra firme as fagulhas, fumaça e rochas incandescentes expelidas por vulcões ainda ativos no país, como o Arenal e o Poás, de cuja cratera jorram jatos de água e enxofre formando um lago azul-turquesa rodeado de colunas de vapor e lava solidificada das últimas erupções.
Outro destaque em águas caribenhas é o arquipélago de Los Roques, formado por cerca de 50 ilhas de areias brancas. A maior delas é a Gran Roque, que abriga 1.500 habitantes.
Como corais servem de morada a diversas espécies, basta ir atrás delas para encontrar raridades da fauna marinha. “A segunda maior barreira de corais do mundo pertence à região que vai de Cozumel a Belize, no México, e a terceira fica ao Sul das Bahamas”, explica o gerente de produtos da Freeway Diving, Felipe Gambá, que também destaca Galápagos, no Equador, como sonho de consumo de biólogos e pesquisadores. Afinal, foram as peculiaridades da fauna local que levaram Darwin a desenvolver a Teoria da Evolução das Espécies.
FERNANDO DE NORONHA
Quando o assunto é mergulho na costa brasileira, o arquipélago de Fernando de Noronha desponta como sonho de consumo de dez entre dez praticantes. Para começar, a temperatura da água gira em torno de agradáveis 27ºC e a visibilidade chega a atingir a incrível marca dos 50 metros. Como se isso já não fosse suficiente, as 21 ilhas que compõem o arquipélago ainda dão um show no quesito natureza, proporcionando a oportunidade de nadar com golfinhos, tartarugas marinhas, arraias e o que mais aparecer pela frente.
Invadida por holandeses, ingleses e franceses no passado, a ilha principal oferece excelentes opções de mergulho em naufrágios, como os dos navios Leão, Porto e Corveta Ipiranga, que se tornaram um lar tão aconchegante quanto superlotado para as mais variadas espécies de fauna marinha.
Em Iuias, por exemplo, peixes pelágicos, tartarugas e tubarões povoam os corredores submersos, cercados por esponjas de cores variadas. Outro point é a ilha da Rata, que possui vários pontos para mergulho raso, como a Ressureta (de 8 m a 12 m) e o Buraco do Inferno (de 6 m a 17 m). Para mergulhos mais profundos, outras alternativas são as Cagarras e as Cordilheiras. E na Ponta da Sapata o principal atrativo fica por conta de uma caverna submersa com mais de 200 metros quadrados.
Ao contrário de outros lugares, para conhecer o mundo submarino em Noronha não é preciso saber nada, muito menos ter carteirinha. Basta ter idade acima de 12 anos e estar disposto a fazer um curso rápido - cerca de 40 minutos - antes de mergulhar acompanhado por profissionais da área.
RECIFE
Não é para menos que Recife, em Pernambuco, ganhou o título de Capital do Cilindro. Como se já não bastassem os cerca de 110 navios naufragados em sua encosta - 22 deles freqüentados por praticantes do mergulho autônomo -, a região ainda conta com alguns rebocadores afundados propositalmente na praia de Boa Viagem para servir de bancos de coral artificiais, úteis não só a mergulhadores como à reprodução e alimentação de peixes e tartarugas.
Mas se você ainda tem receio de encarar cilindros, aí vai uma dica: siga 62 quilômetros adiante rumo à paradisíaca Porto de Galinhas. Lá, o raso nível das águas dispensa equipamentos e as piscinas naturais são repletas de cardumes coloridos de xiras, saberês e caraúnas, que chegam pertinho para comer ouriço e pão na mão dos visitantes. Dá para tirar foto ao lado deles sem sequer mergulhar a máquina.
GUARAPARI
Em 2002, a Petrobras gastou cerca de R$ 280 mil para afundar no litoral de Guarapari, no Espírito Santo, o navio da bandeira grega Victory 8B, apreendido na costa brasileira em 1997. O objetivo era transformar o "trambolho" em um recife artificial. Mas nem era preciso tanto para atrair mergulhadores à encosta capixaba.Farta em naufrágios, a região é considerada um dos melhores pontos para a prática da atividade no Sudeste.
A começar pelo velho cargueiro inglês Faria Lemos, localizado a apenas 14 metros de profundidade, na praia de Guaibura. Graças a uma campanha de conscientização, ainda hoje os mergulhadores encontram porcelanas, talheres, garrafas, peças de bronze e outros objetos.
Outro cargueiro britânico que afundou na região foi o Berlucio, que trazia um carregamento de café em 1902. A embarcação rompeu-se em duas partes, atualmente separadas por cerca de 150 metros, o que impossibilita conhecer todo o navio em um só mergulho.
E para os que preferem peixes a história, a Reserva Estadual de Setiba, no arquipélago de Três Ilhas, é um prato-cheio, principalmente para batismos e prática de apnéia - treinamento em cursos de mergulho avançados e noturnos. Os parcéis e corais, com grande quantidade de peixes de aquário, são rodeados por um fundo de areia clara, onde é comum encontrar linguados, tartarugas e arraias.
Já na ilha Escalvada, a probabilidade de deparar com golfinhos ou jamantas aumenta, assim como a chance de encontrar bonitos e tubarões em meio a cânions e grutas submersos. Mas lembre-se de que você poderá estar a até 30 metros de profundidade, sendo mais aconselhável encarar os bichos do que lesar os tímpanos arriscando uma emersão às pressas.
SALVADOR
Assim como o tabuleiro da baiana está para os doces, os litorais de Salvador e Abrolhos são fartos em opções de pontos para mergulho. Como nem todos os santos se preocupam em proteger navegantes, a região da baía de Todos os Santos, na capital, já conta com destroços de mais de 200 embarcações, desde restos de naus e de caravelas portuguesas afundadas nos remotos idos de 1508, até galeões espanhóis do século 16, embarcações remanescentes da Invasão Holandesa - quando cerca de 90 navios afundaram numa só noite no Banco da Panela - e cargueiros do final do século 19.
E o ambiente não poderia mesmo ser mais propício ao mergulho, com visibilidade a mais de 20 metros da superfície, inclusive durante o inverno, e águas com temperatura média de 26ºC.
ABROLHOS
O arquipélago de Abrolhos se destaca por suas ilhas com rochas vulcânicas, bancos de areia e recifes de corais únicos no mundo, como o que possui formato de cérebro. Um dos melhores pontos para mergulho são a enseada da ilha de Santa Bárbara - onde está o farol do arquipélago -, as cavernas das Siribas e os destroços do cargueiro Rosalina, que naufragou em 1939, com cerca de 100 metros de comprimento e proa próxima da superfície.
Mas o principal atrativo do Parque Nacional Marinho de Abrolhos não são os naufrágios, e sim as mais de 160 espécies de animais que habitam o local, entre tartarugas marinhas, arraias e aves migratórias que aportam na região atraídas pela quantidade de peixes. Isso sem falar nas baleias jubarte, que oferecem um verdadeiro espetáculo ao turista entre os meses de agosto e novembro, quando procuram o arquipélago para procriar e amamentar seus filhotes.
Para os adeptos do mergulho livre, a Bahia ainda oferece o Parque Marinho do Recife de Fora, em Porto Seguro. E atenção: se o seu destino for a Chapada Diamantina, no coração do Estado, não esqueça de incluir na bagagem máscara, snorkel e nadadeiras. Afinal, além de trilhas e cachoeiras, a região abriga cavernas onde se pode praticar o mergulho livre. Na gruta da Pratinha, por exemplo, um rio aflora pela boca da caverna dando origem a um lago subterrâneo de águas transparentes, imperdível para quem estiver com respirador e máscara a postos.
MARANHÃO
Com as grandes navegações empreendidas por portugueses e espanhóis e que culminaram com o descobrimento das Américas, vários mitos - como o de que a Terra seria quadrada - foram por água abaixo. Em compensação, cederam lugar a inúmeras histórias verídicas de navios, alguns com grandes tesouros, que afundaram na costa brasileira antes de ancorar em terra firme. De lá para cá, muita água rolou, e naufrágios outrora trágicos passaram a figurar os sonhos de dez entre dez mergulhadores aficionados por histórias de piratas, tesouros e baús recheados de pedras preciosas perdidos no fundo do mar.
Se cada embarcação naufragada no litoral verde-amarelo rendesse ao País a mesma quantia que o cineasta James Cameron arrecadou com o filme Titanic (EUA, 1997), o Brasil seria a potência mais rica do planeta. Só o Parcel Manuel Luís, no Maranhão, abriga 200 embarcações - entre galeões, caravelas e fragatas - naufragadas em meio aos 18 quilômetros de formações rochosas subaquáticas.
ARACAJU
Outro ponto nordestino que tem muitas histórias para contar é a praia dos Náufragos, em Aracaju (SE), que, como o próprio nome indica, abriga destroços de diversos navios, cujos interiores podem ser visitados. A maior parte deles fica a menos de uma milha da costa e a cerca de 30 metros de profundidade, próximo às lajes de corais.
PARAÍBA
No litoral paraibano, por sua vez, a capital João Pessoa abriga uma série de vapores do século 19. Um dos mais belos é o Bahia, afundado em 1887 ao se chocar com o navio Pirapama, que regressou às pressas para o Recife deixando os náufragos a ver navios, agarrados aos dois metros de mastro que permaneceram fora da superfície.
Ainda na Paraíba, o navio Vanduaria, encalhado num banco de areia em frente à praia de Fagundes, no município de Lucena, exibe rodas antigas de trem em meio a ferragens durante a maré baixa, quando é possível caminhar sobre parte dos destroços.
MARACAJAÚ
Em Maracajaú, na costa Norte potiguar, lanchas e escunas conduzem os turistas a plataformas para a prática do mergulho livre com o auxílio de bóias e snorkels. Quem paga mais para alcançar o fundo, com cilindro, é recompensado pelas riquezas da fauna marinha, farta em frades, cirurgiões, lesmas-do-mar, crisudos, arraias, moréias, poliquetas, mututucas, polvos, lulas e peixes-borboleta.
SUL
A visibilidade de até 15 metros e a imensa variedade de peixes fazem da Ilha do Arvoredo, em Bombinhas (SC), o recanto preferido de mergulhadores no sul do Brasil. Barcos levam cerca de duas horas até um dos nove pontos de desembarque no Sul de Arvoredo (não é permitido mergulhar ao Norte, que fica dentro de uma reserva natural). Destaque para o naufrágio do navio Lili, na ilha de Galés. Os destroços servem de refúgio a arraias, frades e tartarugas marinhas maiores do que muita gente.
CENTRO-OESTE
Bonito, no Mato Grosso do Sul, pode não ter praia, mas proporciona algumas das mais gratas experiências de mergulho do País, seja livre ou autônomo. Para os pouco afeitos a cilindros, a dica é fazer flutuação, espécie de mergulho livre – com máscara, snorkel mas que também inclui roupa de neoprene e colete salva-vidas – em que a pessoa é levada pela correnteza do rio, sem ter de fazer qualquer esforço. A incrível visibilidade proporcionada pelas altas concentrações de calcário (mineral que funciona como agente purificador da água) permite observar plantas e peixes grandes – como dourados, piraputangas e pacus – a até 30 metros de profundidade. Os melhores pontos são as nascentes dos rios da Prata, Sucuri e o Aquário Natural.
Já o mergulho autônomo pode ser praticado nos rios Formoso e da Prata, que não exigem curso desde que sejam visitados na companhia de instrutores. Para os mais aventureiros também há a possibilidade de mergulhar com cilindro no Abismo Anhumas, mas, neste caso, é necessário ter credencial básica e passar por um treinamento de uma hora e meia. O passeio começa com um rapel de 72 metros que leva ao fundo de uma caverna repleta de estalactites gigantes e lago do tamanho de um campo de futebol, com 80 metros de profundidade. É lá que os aventureiros mergulham, sem medo da baixa incidência de luz. A atividade, com rapel e mergulho autônomo, custa R$ 500 em média.
SUDESTE
Quando o assunto são naufrágios, Rio de Janeiro e São Paulo unem forças para formar um dos maiores acervos de navios afundados do mundo. No Rio, o mar de Arraial do Cabo encantou Jacques Cousteau com a enorme quantidade de cavalos-marinhos, corais, esponjas e mais de 60 espécies de peixes. Das 40 embarcações naufragadas, destacam-se os navios Thetis, Herlingen e Dona Paula, dos quais o fundo do mar ainda guarda canhões, âncoras e hélices.
A baía de Angra dos Reis é outro deleite para os adeptos do snorkeling, da pesca submarina e do mergulho autônomo. A começar por Ilha Grande e os naufrágios dos galeões Aquidabã, Califórnia e Pinguino. Um dos mais belos cartões-postais da ilha, a gruta do Acaiá, também faz a festa dos mergulhadores. Para chegar à caverna, há duas opções: caminhar por meio de uma trilha que sai de Araçatiba ou mergulhar por um túnel submarino. Com a entrada situada 6 metros abaixo do nível do mar e um estreito salão subterrâneo, de apenas 80 centímetros de altura, a caverna aterroriza e encanta os visitantes devido a uma fenda por onde passam os raios do sol, formando reflexos azuis-violetas em contato com a água. O passeio, no entanto, deve ser monitorado por mergulhadores experientes, pois exige fôlego e senso de orientação dentro da gruta.
Outras opções para o mergulho autônomo em Angra são as cavernas do Parcel do Coronel, com 25 metros de profundidade, e o mergulho noturno na Laje Branca. Já as ilhas de Paquetá, Lagoa Azul e Butinas - sempre com águas cristalinas e repletas de polvos, arraias e peixes coloridos - são ideais para a prática do mergulho livre. Os melhores meses para submergir em Angra dos Reis são junho e julho, quando a água está mais clara para a observação de corais, cavernas e peixes.
PIRATAS
Não existe lugar com mais histórias de piratas e tesouros para contar do que o trecho que abrange Trindade, no Sul do Rio, e os municípios paulistas de Ubatuba, Ilhabela e São Sebastião. As águas de Ilhabela, por exemplo, são um autêntico cemitério de navios. Tanto lá quanto nas vizinhas Ubatuba e Trindade, os piratas deixaram saborosas histórias na boca dos caiçaras, que carregam olhos azuis como herança e falam em tom de segredo sobre tesouros enterrados.
Uma dessas lendas fala de um navio de piratas ingleses que, após saquearem a catedral de Lima, no Peru, esconderam o ouro e a prata na garganta de uma ilha de Trindade. Muitos aventureiros já esgotaram suas forças em busca do que seria um maravilhoso tesouro asteca, mas nada foi encontrado - pelo menos, por enquanto.
Outras lendas de Trindade, carregadas de terror, contam sobre sereias vindas da ponta do Túnel - imenso paredão com 30 metros de altura e rochas úmidas das mais variadas cores e formações geológicas. Mas o que parece hipnotizar mesmo os aventureiros de hoje em dia não é exatamente o canto das mulheres-peixe, e sim os cardumes de tubarões-lixa, facilmente vistos graças à transparência da água.
Ilhabela, por sua vez, conta com 18 grandes embarcações catalogadas, mas os moradores garantem haver mais de 100 naufrágios no arquipélago, alguns com louças inglesas e objetos de valor. O mais famoso deles, o espanhol Príncipe das Astúrias, afundou no começo do século 20 com mais de 500 pessoas a bordo. Outros destaques são o navio inglês Dart, de 1884; o norte-americano Eliuhub Washburne (1943); o francês France (1906); o alemão Siegmund (1929) e o brasileiro Aymoré (1920).
A explicação para tantos naufrágios seriam os muitos bancos de areia que circundam a ilha. Além disso, como os portugueses que desembarcavam escravos na praia de Castelhanos costumavam fazer o retorno para Portugal repletos de riquezas extraídas de solo brasileiro, os piratas faziam tocaia para roubar os navios e, se necessário, afundá-los. Mas os mais místicos preferem a versão de que as bússolas, por questões sobrenaturais, se descontrolavam ao chegar perto do arquipélago.
Lendas à parte, aproveite para mergulhar na ilha das Cabras, no lado Sul de Ilhabela, para conferir as riquezas ecológicas do arquipélago e - por que não? - fazer umas aulinhas na principal escola de mergulho local, a Colonial Diver, conhecida nacionalmente por dar aulas também para cegos.
Além de Ilhabela, o litoral paulista reserva ótimas opções de mergulho nas ilhas Anchieta, Rapada, Vitória, das Couves e de Palmas, em Ubatuba. Já em Santos, os destaques ficam por conta do naufrágio Moréia, do Portinho, do Parcel das Âncoras e dos paredões do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, que abrigam uma imensa variedade de peixes a uma profundidade razoável para mergulhadores iniciantes.