Dia-a-Dia Revista



Em busca da garota de programa

domingo, 4 de outubro de 2009 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

Regina Navarro Lins

As previsões não se cumpriram. Era tido como certo que a  prostituição deixaria de existir quando houvesse maior liberação do sexo. O sexo se abriu a discussões e as mulheres passaram a exigir o direito ao prazer: as casadas se desinibiram com os maridos, as solteiras já não se obrigavam à virgindade. Mas a prostituição
não acabou.

Houve época em que as prostitutas eram tratadas com respeito. A prostituição sagrada era comum na antiguidade, e em alguns casos as próprias sacerdotisas eram meretrizes. Com o Cristianismo, os templos foram fechados e a função passou a ser comercializada para fins lucrativos, abrindo espaço para a exploração das mulheres. Elas trabalhavam em bordéis e casas de banho, sendo que só recentemente se tornou comum a prostituição individual.

Apesar de segregadas, as prostitutas não deixavam de ser consideradas necessárias. As moças precisavam chegar virgens ao casamento, ao contrário dos rapazes, que tinham que provar sua virilidade antes de casar. Assim, ao mesmo tempo que contribuía para preservar a castidade da mulher, a prostituta atestava que o homem era ‘macho’. Os casados também usufruíam de seus serviços. Os maridos buscando fora de casa a satisfação das necessidades sexuais que não podiam obter com as parceiras e estas se mantendo respeitáveis, justamente por isso. Assim, as prostitutas ainda contribuíam para manter a moral hipócrita da sociedade.

Hoje, com todas as mudanças de comportamento quanto ao sexo, os homens não teriam mais necessidade dos serviços da prostituta, mas a prostituição ao invés de desaparecer, aumentou e se sofisticou. Por que, podendo encontrar prazer sexual com as namoradas, mulheres e até amigas, o homem continua procurando
garotas de programa?

A mulher aceita cada vez menos ser simples objeto disponível para a satisfação masculina. Exige prazer e avalia o parceiro. Com as garotas de programa é só pagar em dinheiro e pronto. O homem está livre de qualquer outro tipo de cobrança. Não precisa se preocupar em satisfazer a mulher, ficar ansioso sem saber se a agradou, se esforçar para que ela tenha orgasmo. Enfim, encontra o que deseja, da forma que prefere. Não precisa fingir nem declarar amor. Não é cobrado em nada, e não deve nenhum telefonema depois. Dessa forma, as regras são claras e ninguém é enganado.

Regina Navarro Lins, psicanalista e sexóloga, é autora de O Livro de Ouro do Sexo (Ediouro). E-mail para a coluna: rlnl@uol.com.br. Site: www.camanarede.com.br

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