Desde que o sistema patriarcal se instalou, há 5.000 anos, as mulheres foram consideradas inferiores aos homens e subordinadas à sua dominação. Entretanto, em vários momentos da história elas se rebelaram. No ano 215 a.C. ocorreu um fato que desencadeou provavelmente o primeiro movimento feminista da história do Ocidente. A historiadora escocesa Reay Tannahill nos conta como foi.
Durante um período crítico na guerra com Aníbal foi decretada a lei Oppiana (assim chamada por causa do tribuno C.Oppius) pela qual as mulheres só tinham permissão de conservar meia onça de ouro, eram proibidas de andar de carruagem pelas ruas de Roma e não podiam usar roupas tingidas. Para uma mulher romana, o ouro significava brincos e pulseiras, para o exército era a sobrevivência. As carruagens custavam um dinheiro que seria melhor aplicado na defesa. As tintas corantes tinham que ser importadas de Tiro e do Mediterrâneo oriental.
A lei Oppiana, uma tentativa de limitar o consumo, foi dirigida às mulheres, mas em 195 a.C. surgiu um movimento para repelir essa lei. Parecia que o movimento seria um fracasso, mas as mulheres reagiram. Nem influência nem modéstia ou ordens dos maridos conseguiram manter as mulheres casadas em casa. Elas ocuparam todas as ruas de Roma e todos os caminhos para o fórum. A cada dia, aumentavam as multidões de mulheres, porque elas, inclusive, vinham das províncias para a cidade. Quando elas realmente se aglomeraram nos gabinetes dos dois tribunos que se opunham mais fortemente à rejeição, foi demais.
“Enrubesci quando precisei abrir caminho por entre um regimento de mulheres há poucos minutos, a fim de chegar até aqui!” explodiu Catão, no Senado. Se uma mulher tivesse algo a dizer, deveria fazêlo em particular, a seu marido; ainda assim, não lhe competia nem mesmo manter uma opinião sobre alguma coisa, sendo esta uma questão política. “A mulher é um animal teimoso e descontrolado, não podeis dar rédeas a elas e esperar que sigam o caminho certo... O que querem é liberdade total – ou, para falar claro, total permissão.” Se lhes fosse permitida a oportunidade de conspirar em segredo, a vida de seus maridos nada valeria. Contudo, apesar da tentativa de submeter mais uma vez as mulheres, a lei Oppiana foi abolida.