Carnaval! Alegria, energia, calor, música, diversão e por que não: sexo. Não, meu interesse não é invadir a coluna de minha colega Laura Müller, mas trazer à tona assunto de extrema importância e que, por vezes, não é abordado nas consultas de rotina. Como anda sua sexualidade? O que pretende neste Carnaval? Poderia falar sobre o risco das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), mas campanhas de Saúde e outros periódicos já têm nos inundado com essas informações de como nos preservarmos no dia a dia. Quero trazer algo novo.
A correria dos dias atuais recheados dos mais diversos fatores estressantes, a distância e a indiferença em que vive o bicho homem têm desarranjado por completo nosso ciclo biológico e complicado a atuação adequada de nossos hormônios. Cada vez mais temos notado que, após os 30 anos, é possível encontrar homens e mulheres queixosos de seus desempenhos físico e mental em decorrência desses fatores.
A agitação aumenta a produção de adrenalina e cortisol (hormônios do estresse) no corpo, o que pode prejudicar o sexo. Esses hormônios estão ligados à excitação, mas não ao prazer. Sem estresse, o sexo funciona melhor por causa da atenção que os parceiros dispensam um ao outro. Hormonalmente, o que acontece é que, quando a pessoa está relaxada e faz sexo de qualidade, consegue produzir mais endorfina e dopamina, hormônios relacionados ao prazer.
Detalhe muito importante, revelado em estudo norte-americano recente, é que com a atividade sexual frequente (a cada 48 horas em média) estimulamos a produção de testosterona em homens, o que terá papel relevante na libido e no desempenho sexual. Sem falar em outros fatores, como proteção cardíaca e saúde para os ossos.
A mesma testosterona também tem papel relevante na sexualidade feminina. Aliás, ela e a ocitocina estão entre hormônios que poucas sabem ser tão importantes para a sexualidade. Depois do pico de endorfina, o corpo libera ocitocina, hormônio do amor maternal e que favorece à ligação sentimental.
O bom é saber que a ciência tem nos proporcionado uma revolução nesse cenário. Dados que presenciei no último Congresso Mundial Anti-Envelhecimento colocam a Modulação Hormonal Bioidêntica como a bola da vez. Se soubermos interpretar adequadamente os sintomas e os exames laboratoriais de nossos pacientes, poderemos melhorar muito o padrão de qualidade de vida por meio do uso de hormônios. Tal modulação tem a vantagem de não usar produtos claramente sintéticos, reduzindo em muito o potencial de efeitos indesejados. Conceitos mudam e preconceitos caem. A antiga associação do uso da testosterona com o câncer de próstata deu vez à suspeita de que é a baixa da mesma que pode causar a doença, segundo um dos mais respeitados nomes da urologia de Harvard.
Dr. Fábio César dos Santos (CRM 79512) é Fellow em Cardiologia pela Duke University Medical School, afiliado ao grupo de Medicina Mente e Corpo da Harvard Medical School, diretor da clínica Saúde Plena – Medicina Integrativa, consultor científico da AMBO e colunista de saúde do Diário do Grande ABC.