Dia-a-Dia Revista



Inseguranças do amor

domingo, 1 de novembro de 2009 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

Regina Navarro Lins

Geralmente, o maior medo de quem está vivendo uma relação amorosa é o de ser trocado por outro (a). Por conta disso é que se controla tanto o parceiro, e o ciúme passa a fazer parte do dia a dia do casal. Mas se a troca  realmente acontece, o sofrimento é intenso e é difícil elaborar essa perda. A falta da pessoa amada provoca uma sensação de vazio e desamparo. Fomos ensinados a acreditar que apenas o parceiro amoroso é capaz de nos garantir não estar só, de ser amado e de ser uma pessoa importante, aumentando nossa autoestima.

Quando o parceiro prefere outra pessoa para viver ao seu lado, quem é excluído se sente profundamente desvalorizado, com a autoestima bastante comprometida. Acredita que falhou em alguma coisa e que sua falta de atrativos foi a grande responsável. Imagina que a pessoa escolhida é muito mais interessante, mais bonita, mais inteligente e melhor na cama. Tentando se sentir um pouco melhor há quem se esforce para desvalorizar o rival
com comentários depreciativos. Os amigos, acreditando estar contribuindo, reforçam as críticas.

Mas nada disso adianta. É comum numa situação de rejeição serem reeditadas inconscientemente todas as rejeições sofridas desde a infância, exacerbando a dor do momento. Sem que se perceba, se chora naquela perda todas as outras anteriores.

Entretanto, se a pessoa não depende tanto de apreciações externas para alimentar sua autoestima, pode ficar triste, sofre pela perda, mas sabe que vai continuar vivendo bem e experimentar novas relações amorosas.

Os homens suportam menos do que as mulheres a dor de se saber trocado por outro. Além de tudo o que a mulher sofre, ele ainda tem que tolerar a censura social por não ter correspondido ao ideal masculino da nossa cultura de força, sucesso e poder. Não ter conseguido segurar a própria parceira, se reveste da dramática ideia de que não foi ‘macho’ o suficiente, principalmente na cama. Muitos homens, desesperados, partem para agressões físicas ou entram em depressão.

Contudo, ser trocado não significa que se é inferior. Em muitos casos, a troca ocorre porque a pessoa objeto da nova paixão possui algum aspecto que satisfaz inconscientemente uma exigência momentânea do outro, sem haver uma vinculação necessária com o parceiro rejeitado.

Regina Navarro Lins, psicanalista e sexóloga, é autora de O Livro de Ouro do Sexo (Ediouro). E-mail para a coluna: rlnl@uol.com.br. Site: www.camanarede.com.br

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