Dia-a-Dia Revista




O príncipe do samba

domingo, 7 de fevereiro de 2010 Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar

Raquel de Medeiros

Os músicos vão chegando e sentando em seus lugares.  público se aproxima do palco, principalmente as mulheres, que disputam espaço no gargarejo. Enfim, Diogo Nogueira entra em cena. De longe dá para notar que é vaidoso: argola na orelha, pulseiras, pingente de São Jorge e anéis (um deles com a imagem de Nossa Senhora). Proteção não falta. Fãs também não. E é só o artista aparecer para elas irem à loucura: gritam, pulam, fazem elogios. Impossível ouvir as boas-vindas do sambista ao microfone. Com sorriso de canto de boca e gingado de malandro carioca (no bom sentido), Diogo Nogueira chega devagar e começa a cantar. Logo prende a atenção da plateia. Só assim para as fãs sossegarem e fazerem coro junto à privilegiada voz do sambista. Tímido, é no palco que ele se solta. Está em casa. E, aos 28 anos, pronto para assumir o posto que um dia foi do pai, o respeitado sambista João Nogueira.


Do campo aos palcos

Quem vê a intimidade dele com o palco pensa que Diogo tem muitos anos de estrada, porém, durante almoço no Rio de Janeiro com a equipe da Dia-a-Dia Revista, o cantor revela ter apenas cinco anos de carreira. Antes, só queria saber de futebol. Jogador profissional, largou as chuteiras aos 23 anos por causa de uma contusão no joelho. “Sair foi uma necessidade, por falta de condição financeira para operar e voltar. Mas hoje jogo minhas peladas, com amigos ex-jogadores. Estou sempre ligado no futebol.”

E a música surgiu como novo caminho. “Ia a rodas de samba para me divertir e sempre  dava uma canja. Passaram a me convidar para cantar. Tive de montar uma banda e comecei a fazer pequenos shows, com sambas de meu pai, de outros compositores e também de minha autoria.”

Numa dessas apresentações, estava na plateia ninguém menos que o presidente da EMI, Marcelo Castelo Branco. “Ele gostou muito e falou que aquele show tinha o perfil perfeito
de um DVD.” Na semana seguinte, Diogo assinou contrato e marcou o dia para a gravação, que aconteceu dois meses depois no Teatro João Caetano. “O DVD foi para o mercado e fez um sucesso que eu não esperava.”

Herança de família


Do pai – que morreu de infarto em 2000 – herdou voz grave e aveludada, além dos trejeitos e do jeito de falar, com a boca meio travada. Fisicamente é mais parecido com a mãe, Ângela Maria Nogueira, de quem ganhou hipnotizante par de olhos azuis. Único filho homem de uma família repleta de mulheres – ele tem três irmãs –, admite que sempre foi o centro das atenções, mesmo quando o motivo era alguma arte aprontada na infância. “Era bem pequeno e entrava na roda de samba para perturbar. Às vezes rolava um ‘sai daqui moleque!’, porque eu pegava o pandeiro, o tamborim e ficava perturbando. As festas lá em casa eram sem fim.”

Além do samba na veia, Diogo teve o privilégio de ter crescido no meio da nata da música popular brasileira. As festas familiares atraíam sempre ilustres convidados. “Lembro do Agepê, da Beth (Carvalho), do Paulinho da Viola, do Martinho, da Dona Ivone, Delcio Carvalho... Quando ia dormir, a festa estava rolando; quando acordava, ainda estava rolando. Gostava muito.” A experiência apurou o ouvido musical de Diogo para o samba. “Conviver com essas pessoas me influenciou bastante. Você aprende com os lugares e também com as pessoas mais velhas. Tem de estar ligado e captando as coisas, mas não acho que sou mais que ninguém por isso.”

Sambista de alma, gosta de circular por outras áreas, mas nunca muito longe do samba. “Fiz uma toada com um paulista amigo, o Rodrigo Leite. É a música Chegou o Amor, que está no disco. Gosto de gexá (ritmo popular). Mas fora do universo do samba ainda não sei se vou percorrer muito, depende do momento, do sentimento. Gosto de fazer tudo com muito amor, com o que vem de dentro.”

Entre as inspirações do cantor, está o intérprete Emílio Santiago. “Ele é fora do normal, o timbre de voz, a maneira de interpretar”, explica. Também curte Zeca Pagodinho e Dudu Nobre.

Chico Buarque

“O Chico (Buarque) já foi várias vezes lá em casa”, conta Diogo. O cantor fazia parte da roda de amigos do pai, João Nogueira. Entre os dois compositores havia amizade e admiração
profissional. “Ele costumava ligar para o meu pai.” Um dia, Diogo recebeu telefonema de  Chico com uma proposta irrecusável. “Foi engraçado, porque eu estava no trânsito quando ele ligou e disse: ‘É o Chico’. E eu perguntei ‘Como assim, que Chico?’. Ele: ‘O Chico Buarque, pô!’”. Foi quando Diogo ficou sabendo que o compositor havia feito com Ivan Lins um samba para ele. “Disse que tinha uma música maravilhosa e eu quis conhecer, é claro. O disco já estava sendo prensado, mas quando eu ouvi fiquei impressionado. A canção não poderia ficar de fora.” A gravação de Sou Eu foi feita de última hora e em apenas três dias. “O Ivan Lins não pôde participar porque estava em Portugal, mas o Chico participou, fez o coro. Ficou perfeita.”

Família

Entre tantos shows e viagens, Diogo teve de encontrar uma forma de não ficar tanto tempo  longe da família. Assim, sempre que pode, leva a trupe toda junto: a mulher, o filho e o enteado – que considera como filho. A mulher, segundo o artista, entende bem a admiração exagerada das fãs. “Têm algumas assanhadas, que querem abraçar, beijar, mas é  tranquilo. Ela leva numa boa porque sabe que são elas quem compram os meus CDs e que frequentam o meu show. Então, é bem relax.” Fofoca de vez em quando também  aparece, mas o sambista tira de letra. “Não é verdade mesmo, então deixa falar.”

No restaurante onde nos encontramos para a entrevista, o cantor chegou reclamando de fome e, sem titubear, pediu estrogonofe de carne e suco de limão. Revelou que durante os  fins de semana pilota a cozinha de casa. “Gosto de cozinhar. E gosto de muita comida, principalmente daquelas bem temperadas. Sou fã de rabada, de estrogonofe e adoro massa.”

Apesar de ter nascido em família festeira, o ritmo na casa dele é mais tranquilo. “É mais  light, mas gosto muito de festa. De vez em quando a gente faz uma bagunça (risos).”

Carnaval

O cantor não esconde o orgulho de ser um dos autores dos sambas-enredo da Portela nos últimos quatro anos, incluindo o que a escola apresentará no desfile da Sapucaí na próxima semana: Derrubando Fronteiras, Conquistando a Liberdade, o Rio de Paz em Estado de Graça. Nascido com samba no sangue e no pé, tatuou as cores azul e branca no coração, seguindo a tradição do pai. “Desde pequeno, sempre desfilei, só que não fazia  parte da ala dos compositores da Portela, até que certo dia me chamaram e as coisas começaram a dar certo.”

Neste ano, Diogo ainda pretende gravar o DVD (provavelmente em março) do show Tô  Fazendo a Minha Parte, lançado há quatro meses, e intensificar  a divulgação de seu  trabalho pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. No tempero deste sucesso, ele revela  ingredientes preciosos. “Acredito que há um conjunto de coisas: talento, nome do meu pai e acho que a beleza também ajuda, sim (risos). Um pouquinho de cada, assim como temperar uma comida.” E a música Espelho, de autoria de João Nogueira, faz sentido. Não  há dúvidas de que “lá no céu, o velho tem vaidade e orgulho de seu filho ser igual seu pai.”

Jogo rápido

Nome: Diogo Mendonça Nogueira

Nascimento: 26 de abril de 1981

Comida: Rabada, estrogonofe e massa

Cantor: Emílio Santiago

Cantora: Elis Regina

Música: Espelho, do pai, João Nogueira

Sonho: “De ver este mundo mudar, as pessoas se tratarem com mais carinho”

Comentários

Anne
25/04/2010
Que lindo que tu eh. Realmente.... Principe do samba. Talento e beleza em plena sintonia. beijos.
isabel de freitas
08/03/2010
O Diogo Nogueira é o melhor cantor, que surgiu nos últimos tempos! Tem categoria, charme, beleza, além da voz maravilhosa e muito talento! Como ele tbm adoro o Emilio Santiago! Parabéns Diogo!!!
Alaide
12/02/2010
Além de lindo tem uma voz. Parabéns beijos.
EDILSON
09/02/2010
Realmente é um ótimo trabalho de primeira qualidade. Detalhe importante, Já assisti 2 show dele ele e o que esta o CD é o que vc vê nos clipes ou vê no show.Um belíssimo trabalho Parabens Diogo
Ana Maria
09/02/2010
Olha o que á a vida ... conheci há algum tempo o trabalho deste menino andando de carona com um amigo e assistindo o dvd. Comprei o tal DVD e meu filho falou que conhecia e gostava. Ele tem 19 anos. Sabendo filho de quem é, dei o DVD para minha tia de 85 que adorou ..... eu , estou na faixa de idade do meio rss. Parabéns menino que encanta todas as gerações. Muito sucesso !!
angela maritns
07/02/2010
O samba junto com a música popular brasileira com certeza ficaram mais enriquecidos com essa jóia rara descoberta.*Diogo Nogueira*. Sou fã incondicional dele e um dia espero poder assistir a um show de camarote.Parabéns e muito sucesso em sua vida!
marcela cardoso padua
07/02/2010
parabens diogo pelo seu trabeljo agora estou seguindo tudo te a revis esta otima.beijos e sucesso

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