Enquanto terminava de gravar uma cena em estúdio, ficamos esperando por Giovanna Antonelli dentro do bar do Garcia, na cidade cenográfica de Búzios, no Projac. O estabelecimento é o local onde a descolada Dora (personagem vivida pela atriz) trabalha na novela global Viver a Vida. O ambiente é construído nos mínimos detalhes, com balcão, mesinhas, palco para shows e cardápio personalizado.
Giovanna chega agitada – um pouco suada pelo imenso calor e também pelo corre-corre das gravações. Porém, o sorriso marcante não saiu do rosto nem por um minuto. Chegou vestida de Dora, com shorts e camisa clara. Espontânea e objetiva, ela é daquelas que falam olhando nosolhos e sem titubear. “Acho que as pessoas têm essa identificação com a Dora porque, além de ela ser uma pessoa muito normal, garota, tem uma verdade no jeito de lidar com a vida. Eu também sou um pouco isso. Não tem de ter mau tempo, a gente tem de resolver as situações, rir das desgraças mesmo, contornar e resolver.“
A atriz-mirim Klara Castanho, que interpreta a esperta Rafaela, também vem ao nosso encontro, agarrada a Giovanna. “É uma delícia, parece que a gente é mãe e filha, já falei que sou a segunda mãe dela. A gente se diverte acima de tudo, né, Klarinha? Ela é muito profissional“, elogia a atriz, enquanto Klara ri orgulhosa e um pouco tímida, revelando que mantém as características de criança apesar do papel quase adulto que faz na novela. Logo sentamos numa mesinha do bar para conversar. Não podíamos ficar muito tempo porque os figurantes já passavam para se posicionar, ouvindo as orientações do diretor. O conversível vermelho no qual a personagem da atriz circula pelas ruas de Búzios é inserido no centro da avenida fictícia, sinal de que mais uma cena está prestes a iniciar.
“Você me espera aqui que eu volto“, pede Giovanna. Ela sai para participar da gravação. Cumprimenta alguns figurantes antes de entrar no carro e começar a contracenar com Klara Castanho.
A garotinha é bem profissional. Troca o sorriso que mantém durante toda a entrevista por uma expressão fechada, séria, compenetrada para dar vida à personagem que faz no folhetim. “Eu nem sabia que ia ser atriz. Mas estou me divertindo muito. Agora, quando eu crescer, quero ser uma.“
Giovanna dá a ré no carro e fica escondidinha no início do cenário. Quando o diretor diz “gravando” os figurantes começam a circular para que o carro da atriz possa passar. A cena é repetida três vezes. O calor é quase insuportável, mas ninguém reclama. Terminada a cena, sabemos que a atriz nos atenderá na sala de leitura dos atores de Viver a Vida. Rotina de artista não é tão mole quanto se pensa. Para Giovanna ainda há um agravante: o filho, de quem ela não esquece de jeito algum, apesar da correria. “Consigo conciliar porque são muitos anos fazendo isso. Férias eu não suporto mais de um mês, por isso emendo uma novela na outra. E vêm propostas e personagens incríveis. Fiz um filme do Daniel Filho, a Vida de Chico Xavier, que deve estrear em 2010. Pretendo produzir uma peça, mas não é nada certo. Meu filho está acostumado com este ritmo, eu moro perto, então trabalho, vou almoçar lá, dou um beijo nele e volto“, diz a atriz, sem perder o bom humor.
Sangue de artista
Nascida em família de artistas (o pai é cantor de ópera e a mãe, bailarina), Giovanna sabia desde pequena que queria ser artista, mas não acredita que a vontade surgiu por influência dos pais. “Na verdade, acho que tudo isso está no nosso DNA, mas cada um seguiu seu caminho por escolha própria. Meu irmão é advogado tributarista. Nasci com essa vontade
dentro de mim“, explica. Os pais sempre foram reticentes em relação à escolha da profissão, por acreditarem ser algo muito difícil e competitivo. “Segui meu caminho sozinha, na cara e na coragem. É lógico que quando começou a dar certo eles foram meus maiores incentivadores, mas isso custou bons anos.“ Antes de ser atriz, Giovanna trabalhou como assistente de palco da apresentadora Angélica, no ano de 1991. Foi a estreia na televisão. “Havia feito apenas alguns cursos e peças amadoras. E depois aprendi tudo na prática, quando entrei na TV“, explica. Ela nunca desejou ser professora, médica, administradora ou qualquer outra área que não fosse no meio artístico. E também não se vê em outras áreas no futuro. “Não, nunca. Comecei desde muito nova, então, não existe possibilidade.“ Giovanna não sabe destacar qual papel foi mais marcante na carreira. O primeiro folhetim foi Tropicaliente, em 1994, e não parou mais. Ganhou destaque em 2000 como a garota de programa Capitu, em Laços de Família, de Manoel Carlos, também autor de Viver a Vida. A atriz interpretou sua primeira protagonista no ano
seguinte, quando fez Jade na novela O Clone. Para ela, todos tiveram influência positiva. “Me sinto tão privilegiada de estar trabalhando no que amo e tive tanta sorte e tão boas oportunidades que não deixo passar nenhuma.“ Apesar de quase 20 anos de carreira,
ela não perde a vontade de aprender e ouvir críticas, sim, por que não? “Sou uma pessoa que gosta de ouvir, admiro muita gente e adoro perguntar Você gostou do que eu fiz?, desde o assistente até maquiadores, colegas de profissão, adoro essa troca.“ Giovanna acredita que é necessário um trabalho em equipe para que a trama alcance sucesso. Compara o projeto com um jogo de futebol, onde cada um dá o seu toque até o aguardado gol. “Todo mundo vai se encaixando, um vai passando a bola para o outro. Na novela ainda há essa coisa acessível entre nosso núcleo, o autor, os diretores. Então, com toda essa troca, a gente vai virando uma caixinha de ideias, de complementos e de amarração das cenas.“
Traição não!
Em Viver a Vida, a personagem de Giovanna faz a terceira pessoa do triângulo amoroso entre Helena, Marcos e Dora. É a responsável por dividir a cabeça do empresário na trama. A atriz não perde a oportunidade de defender seu papel. “Em relação a Dora foi uma coisa completamente de ocasião, ela não sabia que ele era casado, não teve maldade, traição de amizade.” No entanto, a atriz admite que não aceitaria a mesma situação na vida real. “Nunca me envolveria com homem casado, não pelo preconceito, mas porque gosto de ter uma pessoa só para mim, não dividiria com outra”, afirma. Muito prática, diz que hoje em
dia só permanece numa relação se estiver 100% feliz. “Sou feliz, ponto. Não peço, só agradeço. Mas na questão dos relacionamentos, depois de uma certa idade, ou você está 100% feliz ou sai fora.”, diz, decidida. Os planos de construir família, no entanto, fazem parte dos sonhos da artista, que ainda pretende ser mãe novamente. “Infelizmente, não posso ter esse planejamento de quando será, mas é um sonho. Casar não pretendo, mas quero ter um parceiro incrível, ser uma mulher do caramba e fazer uma familinha deliciosa agregando o meu filho.”
Parceiros de trabalho
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| Giovanna Antonelli quando interpretava Jade, em 'O Clone' |
A personagem de Giovanna cresceu tanto na trama que alguns comentam que ela estaria chamando mais atenção em cena do que os protagonistas. A atriz responde com elegância
e se preocupa em defender os colegas. “O bom é que existem essas torcidas mesmo e eles (os protagonistas) são meus parceiros. Vi a cena que fiz com a Taís Araújo e foi tão gostoso de fazer que falei para ela que a gente tem uma sintonia muito boa.“ Questionada se essa projeção não pode ter ocorrido por uma química maior entre o seu personagem e o de José Mayer, a atriz nega. “Química não existe. Eu posso ter química até com um cachorro, se quiser. Eu e o ator que interpreta o Maradona (Mário José Paz), por exemplo, demos liga, porque a gente vai fazendo as histórias acontecerem. A gente está ali interpretando, a química a gente faz acontecer.“
MÃOS NA TERRA
Giovanna nos recebe na sala de leitura dos atores da novela para conseguirmos terminar a entrevista. Ela chega já com outro figurino, tira as sandálias e senta no chão, na minha frente, sem a menor frescura. Conta que tem um refúgio, um sítio no Rio de Janeiro, onde planta e cuida de diversos animais. É ali que se refaz de toda a correria do dia a dia. “Sempre gostei de mexer com terra. Moro numa casa e sempre plantei de tudo lá, mas daí
ficou pequeno, então, comprei um pedaço de terra onde planto árvore, verdura, legume. Cuido dos meus bichos, galinhas, faisão, peru, pavão. E adoro.“ Todas as verduras e legumes cultivados pela atriz são orgânicos e, de tão boa qualidade, acabam sendo comercializados na região. É nesse espaço que Giovanna reúne a família e os amigos para descontrair e aproveitar os dias de folga. “Se tenho um dia livre vou para lá e volto. Sou muito feliz ali, é um lugar em que fico completamente reenergizada.“
NATAL
Assim como faz a maioria das famílias, Giovanna Antonelli gosta de passar o Natal com todo mundo reunido. “Ou é na minha casa ou na casa do meu irmão, na casa da minha
mãe, no sítio, não tem muita programação, o importante é estar junto.“ Também não vê problemas em passar o Natal com o ex-marido e pai do seu filho, o ator Murilo Benício, se for necessário. “Às vezes, fico com a família do Murilo. Se vou viajar, o nosso filho vai comigo ou fica com ele, a gente vai negociando sempre. Temos amizade total“, finaliza a atriz.
Jogo rápido
Nome: Giovanna Antonelli Leôncio
Nascimento: 18 de março de 1976
Comida: Arroz e feijão
Bebida: Vinho
Livro: Caçador de Pipas
Ator: São vários, têm tantos que eu admiro
Atriz: Não tenho como dizer uma, seria uma injustiça
Sonho: Ter muita saúde para conseguir dar conta de tudo
Frase: Como diria o Zeca Pagodinho, ‘deixa a vida me levar’.
Talento do Grande ABC
A atriz mirim Klara Castanho, 9 anos, nasceu em São Bernardo e iniciou-se muito cedo na carreira artística. Mais precisamente aos 9 meses. Começou fazendo fotos para campanhas publicitárias e atuando em comerciais de TV. Em 2006 ganhou seu primeiro papel de destaque na série Mothern do canal GNT, em que atuou em duas temporadas. Em 2008 viveu a personagem Daniela Mourão, na novela Revelação, no SBT. Hoje, Klara dá vida à esperta Rafaela em Viver a Vida. Por causa do folhetim teve de deixar a família e os amigos de Santo André, cidade onde sempre morou, para residir no Rio de Janeiro. A mãe
a acompanha e se reveza com outros parentes para que a menina não fique sozinha. Entre uma cena e outra, a garotinha sorridente faz pose para nossa câmera e revela algumas curiosidades.
DIA-A-DIA – Qual é a sensação de participar de uma novela da Globo?
KLARA CASTANHO – É uma maravilha! Me divirto muito.
DIA-A-DIA – O que é mais gostoso no seu trabalho?
KLARA – Ah, o mais gostoso é encontrar as pessoas que adoro, tanto da produção quanto dos atores. Adoro encontrar com a Giovanna.
DIA-A-DIA – Como você faz para decorar as falas já que os roteiros chegam apenas um dia antes? É difícil memorizar os textos?
KLARA – Tenho muita facilidade para decorar. Então, para mim, não é difícil. Só decoro na hora, antes de entrar na cena. A Rosana Garcia (atriz que foi a Narizinho) é quem me ajuda.
DIA-A-DIA – O que está achando de morar no Rio de Janeiro?
KLARA – É um sonho morar no Rio de Janeiro, eu adoro. Gosto de São Paulo também, mas está ótimo aqui. Aqui tenho praia e piscina. Vou sempre.
DIA-A-DIA – Tem saudade da sua família?
KLARA – Tenho sim, mas dura pouco porque a gente se encontra toda semana.
DIA-A-DIA – Sente falta da sua vida em Santo André? Do que tem mais saudade: da família, dos amigos, dos lugares em que gostava de passear ou da escola?
KLARA – Tenho muito amor pelos amigos da minha escola Elefantinho; eles serão meus amigos pra sempre.
DIA-A-DIA – Parou de estudar?
KLARA – Não, de jeito nenhum. Gosto muito de estudar e sou uma ótima aluna. Só que agora estudo no Rio de Janeiro.
DIA-A-DIA – Qual seu maior sonho?
KLARA – Conhecer a Disney.
DIA-A-DIA – Como é o seu Natal e o que vai pedir de presente?
KLARA – Meu Natal é sempre com a minha família. A gente se encontra na casa da minha tia que se chama Lidia. A nossa família é muito grande. Vamos todos e fazemos a festa com muita alegria. Cada dia eu mudo de ideia do que quero de presente, mas acho que é viajar pra Disney quando a novela acabar.