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| Excesso de intervenções cirúrgicas podem trazer problemas fisícos e emocionais. Foto: Sxtcok |
A semana de moda de Nova York acabou, mas um espanto recorrente ilustra a atual edição do evento: as modelos estão cada vez mais magras. E esse fato levanta um tema pouco trabalhado, principalmente na área da saúde. A vaidade pode ser tanto uma aliada da auto-estima quanto um veneno. Tudo depende de como se lida com ela. Quando ultrapassa o limite do bom senso, o excesso de preocupação com a aparência pode se transformar numa doença psiquiátrica com a qual especialistas começam a se alarmar — a disformia corporal.
Estudos mostram que 7% dos pacientes que procuram tratamentos cirurgias plásticas apresentam a síndrome. “A dismorfia corporal é uma das doenças ligadas ao físico que se difundiram nos últimos anos. A mais conhecida é a anorexia, que leva meninas e mulheres a não comer pelo pânico de engordar. Menos neuróticos com a balança, os homens são vítimas da vigorexia, que faz os sarados e musculosos se achar fracotes. Já a disformia corporal atinge homens e mulheres na mesma proporção”, explica o cirurgião plástico Wagner Montenegro.
Acreditar que pequenos defeitos, como uma pinta no rosto ou uma pequena cicatriz, são monstruosos é uma das características do problema. Passar mais de uma hora por dia na frente do espelho também indica algo errado. Mais grave ainda são aqueles que têm a feiúra imaginária. Não há nada perceptível, mas o doente jura que sim, que todos olham para sua deformidade. Ele se submete a todo tipo de tratamento dermatológico, estético e cirurgias plásticas mesmo sem precisar. “É uma situação que piora muito a quantidade de vida”, destaca Montenegro. “A ansiedade se torna depressão e acaba gerando um isolamento”, explica.
A patologia não é nova. Vem sendo diagnosticada desde 1987 e foi descrita pela primeira vez em meio século. O distúrbio, porém, evoluiu. Hoje, os médicos sabem que, se não tratado, o paciente pode chegar ao suicídio. A doença é uma variação do Transtorno Obsessivo Compulsivo. “Quem tem um amigo ou familiar com traços da síndrome não deve encarar como futilidade ou uma idéia delirante. Muitos sentem vergonha e não sabem como pedir ajuda”, alerta Wagner.
Veja o que o excesso de algumas intervenções pode provocar:
- Toxina botulínica: Muita gente acha que quanto mais, melhor - e mais tempo durará o efeito. Isto é um engano: independentemente da quantidade, o resultado durará de quatro a seis meses. O excesso pode tirar toda a expressão facial, o que dá a impressão de um rosto "congelado".
- Preenchimento facial: Passar da conta pode deixar os lábios desproporcionais, o rosto com cara de boneca e a pele esticada como bexiga, quando aplicados nos sulcos faciais.
- Rinoplastia: Quando o nariz operado acaba chamando muita atenção e não está em harmonia com o rosto. Muito arrebitado a ponto de ser possível enxergar as narinas, por exemplo, não é adequado.
- Lifting: Puxar demais a pele pode deformar o canto da boca. Uma comparação comum é o personagem Coringa, do Batman.
- Elevar as sobrancelhas: Há o risco de criar uma expressão permanente de assustada.