 |
| Isabel vive alfinetando as pessoas por conta da insatisfação de ver os pais privilegiarem sempre Luciana e Mia. Foto: Divulgação |
O conflito é bíblico: por causa de ciúmes, Caim matou seu irmão mais novo Abel, fato que teria sido o primeiro homicídio da humanidade. É claro que trata-se de um ato extremado, algo espantoso nos dias de hoje. Mas as brigas fraternas, assim como as mostradas nas novelas da Rede Globo Viver a Vida e Tempos Modernos, existem sim, e diariamente. Cabe aos pais saber dosar na educação para controlar a fúria de seus rebentos.
O caso mais emblemático dos folhetins atuais fica a cargo de Jorgue e Miguel, ambos interpretados por Mateus Solano em Viver a Vida. Na briga pelo amor de Luciana (Alinne Moraes), os dois já trocaram socos diversas vezes e a convivência parece impossível.
Especialistas dizem que a educação de gêmeos, assim como os personagens, deve ser trabalhada desde a infância para que não ocorra um desfecho como o da trama. “Embora iguais fisicamente, são diferentes entre si. O ideal é sempre valorizar a característica pessoal e priorizar o respeito mútuo”, explica a psicóloga e orientadora educacional Rosana Vieira Mendes.
Os sinais de ciúme, segundo a especialista, começam a aparecer por volta dos três anos de idade. “Normalmente este sentimento acontece em todas as famílias. Isso não significa que os irmãos não se amem”, acrescenta Rosana. Por isso, os pais têm de se preocupar em não favorecer um filho em detrimento do outro.
Talvez este tenha sido o principal erro da personagem Teresa (Lilia Cabral), na mesma trama. Ela não faz questão nenhuma de esconder que gosta mais de Luciana do que de Isabel (Adriana Birolli), o que deixa a garota muito triste. Como vingança, Isabel pega os pontos mais fracos das pessoas e alfineta, sem dó, o que evidencia uma maneira de chamar a atenção.
Situação Inversa
A psicóloga da Faculdade de Medicina do ABC, Maria Regina Domingues de Azevedo, diz que nesta família a situação é inversa, porque, geralmente, é o mais velho – no caso Luciana –, que costuma ficar de lado quando nasce outro irmão. “ É complicado ouvir da própria mãe ‘eu acho que você foi trocada na maternidade’ como a Teresa fala para Isabel. Concretiza-se a rejeição.” Por isso, a garota também desconta em Mia (Paloma Bernardi), que foi adotada, e é paparicada pelos pais.
Mãe de dois filhos – 26 e 30 anos – Maria Regina disse ter sentido na pele o que os conflitos entre irmãos causam na família, principalmente durante a adolescência deles. “Para segurar isso durante quatro anos foi difícil, achava que não ia passar nunca.” A saída? Ouvir sempre os dois lados, conversar muito e não tomar partido.
Favorecer situações em família e não incentivar, de maneira alguma, a competição entre irmãos são algumas das medidas que têm de ser tomadas desde cedo.
Ao contrário do que faz Leal (Antônio Fagundes) com suas três filhas: Nelinha (Fernanda Vaconcellos), Regeane (Viviane Pasmanter) e Goretti (Regiane Alves). O protagonista fez um desafio às três dizendo que quem apresentar o melhor projeto levará a herança. Isso é fatal para a harmonia entre filhos.
A competição descontrolada, segundo as psicólogas, é o principal problema que pode quebrar as rédeas dos pais e causar desavença. Se o problema já tiver se instalado na família, uma boa dica é procurar a ajuda de especialistas.