Usar o trabalho ou a falta de tempo como argumentos para não curtir a vida cultural e social depois dos 30 anos já não é mais desculpa. O mercado já conta com empresas que se encarregam de formar de grupos de relacionamento para quem não quer passear ou ir à balada sozinho.
A professora de marketing Mariella Gallo criou uma maneira bem criativa de oferecer às pessoas dessa faixa etária a oportunidade de participar de atividades em grupo, assistir a espetáculos e, de quebra, ainda fazer amizade com gente que tenha interesses em comum.
Nessa opção de busca por passeios interessantes e novos laços de amizade, a timidez é deixada de lado tanto por homens quanto por mulheres. Os objetivos entre os sexos, no entanto, variam bastante. “Os homens querem saber mais sobre os integrantes do grupo e também se preocupam em não ficar expostos. Já as mulheres realmente focam suas curiosidades na busca de atividades diferentes que correspondam ao seu perfil”, explica Mariella.
Para participar dessa rede de relacionamentos, que não tem nada a ver com as frias redes da internet, os interessados passam por um processo que avalia o comportamento de cada participante. Nesta etapa são feitas perguntas que determinam os interesses e estilos de cada pessoa, como as preferências de música, shows, cinema e teatro.
Depois disso, os participantes começam a receber semanalmente as opções de passeios programados para o fim de semana, por e-mail, e podem então escolher as atrações que lhes pareçam mais divertidas e interessantes.
“Nosso propósito não é fazer avaliação clínica e emocional das pessoas que entram para o grupo, mas sim conseguir deixá-las à vontade para curtir o que há de melhor nas agendas de casas de shows, restaurantes e eventos esportivos de São Paulo”, finaliza Mariella.
Ciclo social confiável
Para o psicólogo da Universidade de São Paulo,Thiago de Almeida, a montagem de grupos para passeios agrega vários pontos positivos. O principal deles é contrapor o isolamento.
“Esse serviço é característico por ter como base a definição de afinidades entre as pessoas, criando vínculos que acabam como um campo de parentesco cercado por interesses semelhantes”, explicou o especialista da USP.
A formação dos grupos induz as pessoas a lidarem umas com as outras, tendo como base o respeito e o espírito de amizade. Além disso, é fundamental para o processo do desenvolvimento emocional e físico, já que estimula a autoestima e até a solução de problemas de saúde. “Isso favorece a capacidade de as pessoas suportarem as situações adversas do dia a dia”, explica o psicólogo.
A maioria do público que se interessa por este tipo de serviço tem entre 30 e 55 anos. São pessoas que já estão estabelecidas profissionalmente e que, muitas vezes, estão à procura de amizade ou de um relacionamento amoroso, mas que, por serem mais exigentes, não querem correr riscos e preferem ter pessoas confiáveis como parte do ciclo social.
Essa foi a intenção da jornalista Ana Paula Gonçalves, 35 anos, quando buscou o grupo. “Por causa do trabalho, eu não conseguia me programar para sair e também não queria ir sozinha. O programa oferece praticidade e, com isso, tenho a oportunidade de expandir as minhas relações”, concluiu Ana Paula.
O publicitário Wagner Gomes, 32, sente satisfação em participar do grupo. No caso dele, a busca pela agência não tem nada a ver com solidão, mas com praticidade. Começou a sair na companhia dos novos amigos há cerca de dois meses. “Eu e minha namorada estamos conseguindo organizar melhor a nossa agenda aos fins de semana com o auxílio da agência. Estamos muito felizes. Algumas dessas pessoas já participaram até do nosso aniversário.”
O site da empresa de relacionamento é o www.giunto.com.br. KZ