|

|
| Os óculos de sol devem ter proteção ultravioleta comprovada |
O verão combina perfeitamente com sol, mar e piscina. No entanto, nesta estação é preciso tomar cuidados extras com a saúde ocular. Para isso, fique atento para não perder o brilho dos olhos nas férias.
Para quem usa lentes de contato, não é indicado usá-las em piscinas, praia e saunas, devido ao alto risco de contaminação. Quem alerta é o oftalmologista César Lipener, chefe do setor de lentes de contato do Departamento de Oftalmologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "Substâncias como o cloro da piscina ou microorganismos nada bem-vindos presentes na água do mar podem se alojar nas lentes causando desconforto ou aumentando o risco de doenças. A Acanthamoeba é um protozoário muito comum na água da piscina, do chuveiro e da sauna. A contaminação por esse microorganismo tem alta relação com o uso de lentes de contato. É rara, mas quando ocorre é difícil de tratar e traz um risco grande de deixar sequelas", afirma o médico.
Porém, se a vaidade ou comodidade falarem mais alto e a pessoa adotar as lentes, a saída é fazer uma boa limpeza, com higienização adequada e deixando-as de molho em solução desinfectante.
Imprescindíveis sob o sol, os óculos escuros devem ter proteção contra os raios UV atestada. Portanto, nada de achar que os baratos são os melhores, lembrando da velha máxima que o barato pode sair caro. "Alguns estudos apontam que no médio-longo prazo os danos provocados por esses raios podem favorecer o desenvolvimento da catarata ou de alterações da retina, como a degeneração da mácula, que é a parte mais nobre da retina."
Ao aplicar protetor solar no rosto, nem sempre é possível ter a certeza que a substância não vai irritar os olhos. Caso apresentem vermelhidão, fiquem irritados ou apresentem lacrimejamento, a recomendação é lavá-los copiosamente em água corrente. Se os sintomas forem leves, é aceitável o uso de colírios lubrificantes; mas se persistirem, procure um oftalmologista.
Veja outras dicas abaixo.
* Os olhos claros são mais sensíveis a fatores como a luz, mas isso não significa que estejam mais pré-dispostos a desenvolver doenças. Portanto, as recomendações são as mesmas do que para pessoas de olhos escuros.
* Os sintomas da conjuntivite, doença comum no verão, incluem normalmente olhos vermelhos com secreção pela manhã, ardor, desconforto e fotofobia. A doença geralmente é provocada por vírus ou bactérias, sendo contagiosas. Por isso, pede-se tomar medidas básicas de higiene, como o hábito de lavar as mãos.
* Existem também conjuntivites alérgicas ou tóxicas, provocadas por algum fator externo e que não são contagiosas. Os sintomas também são um pouco diferentes: predomina a coceira e nas tóxicas, há irritação, mas geralmente sem secreção.
* Há diferenças entre as lentes descartáveis e as convencionais (de descarte anual), por isso deve-se seguir sempre a recomendação do fabricante. O uso das descartáveis prevê que o usuário tenha um tempo de uso curto. Quando o usuário, por falta de informação ou orientação incorreta, usa a lente por prazo fora do recomendado, ou mesmo faz a manutenção e limpeza de forma inadequada, ele pode provocar uma pré-disposição a complicações alérgicas, tóxicas ou infecciosas.
* O uso de lentes de contato na prática de esportes traz mais benefícios que problemas. Use apenas colírios lubrificantes em atividades como ciclismo, corrida e outras que demandam muito tempo ao ar livre.
* A limpeza das lentes com solução desinfetante deve ser uma rotina. É preciso trocar a solução diariamente e deixar as lentes de molho no produto por pelo menos quatro horas. Lembrando que também é muito importante fazer a limpeza mecânica, esfregando a lente com produto e a ponta dos dedos.
* O uso de óculos de sol é altamente recomendável, desde que tenham proteção contra os raios ultravioleta. A radiação ultravioleta, que é prejudicial à pele, também provoca danos à visão.
* Para os idosos, a recomendação não muda em relação aos cuidados sugeridos a um adulto comum. A atenção a mais é para aqueles que já são portadores de alguma doença ocular, como catarata e glaucoma. Ao entrar em férias ou em viagens, é preciso manter o uso do medicamento e não relaxar quanto a isso.
* Com as crianças, tudo é mais preventivo. É natural que elas se exponham mais ao sol, piscina e mar. Caso apresentem alguma irritação por conta desses fatores, podem ser feitas compressas geladas e a aplicação de colírios lubrificantes que imitem a lágrima. No entanto, se o problema persistir, a recomendação é buscar auxílio médico.
Consultoria: oftalmologista César Lipener, chefe do setor de lentes de contato do Departamento de Oftalmologia da Unifesp